Pink Floyd, The Wall, 1982 – 95 min.
Drama, Musical.
Dirigido por Alan Parker. Roteiro de Roger Waters. Elenco: Bob Geldof, Christine Hargreaves, Eleanor David, Alex McAvoy, Bob Hoskins e Michael Ensign.
.

.

.


Apesar de Pink Floyd me agradar bastante sonoramente e ainda ser, indiscutivelmente, uma das bandas mais importantes da história, não apenas do rock, mas da música mundial, ela nunca figurou no topo das minhas playlists. Entretanto, nas últimas semanas, como estive bastante envolvido com minha monografia e consigo me concentrar muito melhor ouvindo música, comecei a ouvir tudo que me vinha à cabeça. Neste processo acabei estreitado minha relação com esta banda inglesa e puxei lá do fundo da memória este filme, com roteiro de Roger Waters, inspirado no álbum The Wall.

A ideia de transformar The Wall em um filme surgiu antes mesmo de as suas gravações começarem, afinal o próprio álbum de 1979 – assim como o filme – já conta a história de Pink, um roqueiro que enfrenta um surto depressivo dentro de um quarto de hotel. As músicas relatam as experiências de vida do protagonista, desde sua infância, morte do pai na guerra, relação com a mãe, casamento, etc., e o filme mostra a contribuição de cada um desses fatos para a construção do seu estado atual.

Quando estou assistindo a um filme para escrever aqui, eu sempre fico pensando no número de controles que vou atribuir. Com Pink Floyd, The Wall, durante o filme minha nota variou de 2 a 4. Quando resolvi assistir pensei: “só pela trilha sonora já merece 3” e, realmente, daí não passou. Em alguns momentos o filme parece um monte de cenas aleatórias sem nenhuma relação, durante o final você pensa que teria sido muito melhor se ele tivesse acabado uns 10 ou 15 minutos antes. As animações – que me alegraram por lembrar um pouco Monty Python – em alguns momentos são excelentes complementos visuais, mas em outros passam a impressão de “não sabíamos o que filmar, então fizemos isso”. O fato é que nem mesmo Roger Waters gostou do filme “definindo as filmagens como “uma experiência enervante e desagradável”, e disse que não conseguiu se envolver com a produção ao assisti-la, mas elogiou a performance de Geldof. […] David Gilmour disse que seus conflitos com Waters começaram na produção do filme” (Wikipédia).

Por outro lado algumas cenas realmente impressionam e quase fazem quem assiste gritar com o protagonista, como se ele realmente pudesse ouvir. Mother, por exemplo, mostra de uma forma muito emocionante a relação de Pink com sua mãe, que embora possa ter sido um pouco protetora demais – talvez pela ausência do seu pai, que morreu na 2ª guerra –, parece lhe fazer falta neste momento tão difícil. As atuações também são muito boas, especialmente as de Bob Geldof e Kevin McKeon, que interpretam Pink, o protagonista, adulto e criança, respectivamente.

O filme não é ruim, mas poderia ser bem melhor. Infelizmente parece que ele se perde em alguns momentos cruciais. Entretanto, a história é bastante interessante, e pra quem conseguir captura-la em meio às cenas e músicas – todas excelentes, diga-se de passagem – o filme pode realmente agradar, afinal de todos os erros cometidos, nenhum chega a ser imperdoável….exceto eles terem deixado Hey You de fora.

 

“E eu posso sentir uma de minhas crises chegando”
– One Of My Turns

Related Posts with Thumbnails