O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, 1956 – 96 min)
Drama, Fantasia.
Direção e roteiro de Ingmar Bergman, inspirado em peça homônima de sua autoria. Elenco: Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe, Max von Sydow, Bibi Andersson e Inga Gill.

 

Um dia, quando estava procurando velhos filmes novos pra assistir, me deparei com o título de “O Sétimo Selo”, o qual me chamou a atenção. Li a sinopse do filme – sempre leio a sinopse, tem gente que considera um spoiler, mas eu acho importante – e tratei de acrescentá-lo à minha lista de filmes a assistir. Atendendo ao pedido feito nos comentários do post do Dr. Fantástico, resolvi adiantar meu texto sobre este filme sueco que, com uma proposta bastante interessante, traz uma trama bastante introspectiva para o público e instiga algumas boas reflexões sobre a fé e a vida em geral. Mas acima de tudo, ele nos deixa com uma grande dúvida na cabeça: é possível que um filme sueco seja bom?

A intensa trama do filme conta a história de Antonius Block, um cavaleiro que volta da Cruzada, juntamente com seu fiel escudeiro Sancho Pança…digo, Jöns Squire, para sua terra que se encontra assombrada pela peste e a morte iminente. Em seu caminho o cavaleiro encontra a personificação da Morte (com a foice e a ampulheta), e lhe propõe um jogo de xadrez como uma forma de ganhar tempo. O jogo se prolonga por dias e possibilita ao cavaleiro vislumbrar melhor o terror que assola sua terra e, ainda, encontrar algumas das respostas que procura.

A primeira cena do filme me assustou um pouco. Em questão de instantes Antonius surge em uma praia, encontra a Morte, a desafia para jogar e a partida começa. Achei tudo muito apressado nesta cena e senti falta de mais diálogos, algo como uma pequena “guerra de palavras” como aquecimento para a partida que se desenrolaria no decorrer do filme. Mas antes que eu pudesse pensar em reclamar, o filme já tomou outro ritmo, mais calmo, construindo muito bem cada cena, todas repletas de diálogos tão bem feitos que me deixaram com uma dificuldade imensa para escolher a frase do final do texto.

Mas apesar disso, este não é um filme nada fácil. A trama é bastante pesada e a construção da história é uma das mais expressivas que eu já vi. As cenas, em sua grande maioria, são chocantes e vão desde uma procissão de fiéis se autoflagelando – marchando com chicotes que estalam às suas costas – até à queima de uma suposta “bruxa” na fogueira, isso sem falar nas inúmeras pessoas que agonizam e padecem diante da peste.

Assisti ao filme com uma dúvida na cabeça, e quando terminei concluí que: sim, um filme sueco pode ser bom e Det Sjunde Inseglet (vamos chamar de O Sétimo Selo, é mais fácil) é um ótimo exemplo disso. E para os que possam se interessar em assisti-lo, eu recomendo, mas deixo um aviso: não espere uma história bonitinha com um final feliz e prepare-se, pois este filme impactante certamente vai lhe chocar.

 

“A fé é uma aflição dolorosa, é como amar alguém que está no escuro e não sai quando chama”

– Antonius Brock

 

(CONTÉM SPOILER) PS.: Prestem atenção à personagem circulada na segunda imagem. Apesar de, aparentemente, ela não ter importância alguma – afinal não consegui descobrir sequer o seu nome, nem mesmo no roteiro do filme, que se refere a ela apenas como “garota” – a personagem interpretada por Gunnel Lindblom é o retrato fiel do terror vivido pelo povo do filme. Acuada, a “garota” passa todo o tempo calada, mas é a única que não se assusta ou se desespera no final, diante da presença da Morte. Pelo contrário, neste momento, sorridente, ela fala pela primeira e única vez durante todo o filme: “chegou a hora”.

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