O que faz de um personagem um herói de verdade e o que ele precisa provar para merecer este título? Adaptado de um livro escrito por James Sallis, “Drive” é um estiloso filme de ação com uma “pegada” anos 80 muito bem vinda e uma trilha sonora bastante interessante. Apesar de ter recebido uma ótima recepção tanto do público quanto da crítica lá fora onde foi lançado no ano passado, o longa foi  injustamente ignorado pelo Oscar 2012 (onde só recebeu uma indicação numa categoria técnica) e, por aqui no Brasil, não obteve uma divulgação muito animadora, algo para se lamentar, pois trata-se de uma produção bastante recomendada e que merece, sem dúvidas, ser assistida.

Na trama acompanhamos a vida de um dublê de hollywood, que também faz bicos como mecânico e, nas horas va’gas, trabalha como motorista de fuga, função esta que exerce sem nunca questionar os seus “clientes”. Misterioso, solitário e de poucas palavras, ele (Ryan Gosling, “A Garota Ideal”) acaba se apaixonando por sua vizinha (Carey Mulligan, “Educação”) que é casada e possui um filho. Quando o marido dela, ex-presidiário, acaba tendo problemas com alguns bandidos, ele resolve ajudar e é aí que as coisas começam a fugir totalmente de seu controle.

No início da história pouquíssimas palavras são ditas e é assim que somos apresentados ao misterioso protagonista, um sujeito de pouca conversa mas que traz em seu olhar uma espécie de fúria contida e determinação implacável. Sem nunca sabermos o seu nome, vestido numa jaqueta “invocada” e quase sempre mastigando um palito no canto da boca, como se fosse um John Wayne do asfalto, elegemos rapidamente o personagem como nosso herói e, com todo seu carisma, vamos torcendo por ele até o final do filme sem nos importarmos com a quantidade extrema de violência e sangue jogadas na nossa cara.

Existem algumas semelhanças com o modo Tarantino de fazer cinema, mesmo assim o diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn consegue de forma muito feliz fazer a história soar até como original, por mais que ela traga nas entrelinhas toda aquela bagagem de produções do gênero ação, trazendo um herói como ícone para torcemos até o fim seguindo a sua jornada típica, uma donzela indefesa para proteger e colocá-lo em risco ao mesmo tempo e, como obstáculos a serem transponidos, malvados vilões querendo acabar com toda a festa.

A atuação de Ryan Gosling, um dos queridinhos do momento, trata-se de um show à parte, mostrando que ele realmente merece todos os elogios técnicos de um ótimo ator (os elogios à sua beleza eu deixo para as garotas que tanto se derretem por ele). E como não se apaixonar pela mocinha e interesse romântico de seu personagem interpretada pela bela e também talentosa Carey Mulligan? O restante do elenco de apoio não deixa a desejar mesmo sem termos grandes destaques.

Por fim é impossível não se comentar a respeito da FANTÁSTICA (em caixa alta mesmo) trilha sonora, outro grande mérito desta interessante obra cinematográfica. Pode parecer estranho elogiar tanto a trilha de um filme de “poucas palavras” – do início da história até ouvirmos alguns diálogos bons minutos se passam – e, em vários momentos até parece que a música não se casa direito com a cena em questão, mas é esse “choque” que dá a beleza e torna tudo muito interessante.

Lembrando de forma positiva alguns clássicos de ação dos anos 80, “Drive” é visualmente arrojado e traz um ritmo diferente das produções atuais do gênero, o que pode desagradar todas aqueles que preferem assistir explosões aleatórias e ensurdecedoras em torno de robôs gigantes ou pirotecnias alienígenas, fato este que pode ter sido o principal motivo desta produção ter sido ignorado por muitos, o que é uma pena, pois, para mim ao menos, trata-se de uma obra imperdível.


Drive (2011 – 100 min)
Ação

Dirigido por Nicolas Winding Refn com roteiro de Hossein Amini adaptando livro de James Sallis. Estrelando: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Albert Brooks, Bryan Cranston, Ron Perlman, Oscar Isaac, Christina Hendricks

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