Drácula (Dracula)



Drácula (Dracula, 1931 – 121 min)
Horror.

Dirigido por Tod Browning, roteiro de Garrett Fort adaptado da peça teatral homônima de Hamilton Deane e John L. Balderston, por sua vez baseada no livro de Bram Stoker. Elenco: Béla Lugosi, Helen Chandler, David Manners, Dwight Frye, Edward Van Sloan, Herbert Bunston, Frances Dade, Joan Standing e Charles K. Gerrard.


Enquanto a maioria das pessoas procura os últimos lançamentos do cinema repletos de efeitos especiais, eu prefiro filmes mais antigos, tanto que às vezes chego a ser um pouco alienado com relação ao que está em cartaz atualmente. Por isso, quando pedi para o Marcio Melo um espaço para escrever aqui e ele sugeriu: “talvez você pudesse pegar uma vertente aí, sei lá, filmes antigos […]”, eu parei de ler o e-mail imediatamente e decidi que deveria escrever sobre esses filmes, lançados há 30 anos ou mais, muito antes de o Edward sair por aí brilhando à luz do sol e conquistando pré-adolescentes em Crepúsculo, época em que os Vampiros eram criaturas sombrias e cruéis. Por isso resolvi começar por aquele que provavelmente é o mais famoso dos chupadores de sangue: o Conde Drácula, que teve sua primeira aparição nas telonas em 1931. Adaptado para o cinema através de uma peça teatral inspirada no livro de Bram Stoker, apesar da falta do vermelho do sangue, este filme deixa muitos vampiros de hoje em dia comendo poeira.

A trama do filme conta a história do Conde Drácula e sua mudança da Transilvânia para Londres. Na capital inglesa ele se instala em uma Abadia que fica ao lado da clínica psiquiátrica do Dr. Seward onde o médico mora com sua filha, Mina Harker. A bela jovem logo desperta a atenção do Conde, porém seus planos são atrapalhados pela chegada do Professor Abraham Van Helsing.

O grande destaque do filme fica para as atuações, afinal o húngaro Béla Lugosi (grande ídolo de Ed Wood, o pior cineasta de todos os tempos), embora possa parecer um pouco piegas e risível em alguns momentos, dá um verdadeiro show na interpretação do protagonista. Outro que merece destaque é Dwight Frye, como Renfield, fiel servo do Conde Drácula, bastante atormentado e dividido entre a fidelidade ao seu “mestre” e sua própria consciência no ímpeto de salvar Mina das garras do vampiro. Outro ponto forte, este não por mérito do diretor ou dos atores, mas pela pura falta de recursos nos efeitos especiais, é que o vampiro deste filme não voa (a não ser quando se transforma em morcego), não brilha nem solta raios ou coisas do gênero – o que me deixou bastante aliviado. O que se vê nesse filme é um vampiro que teme a luz do sol, crucifixos e espelhos, exatamente como a lenda sugere.

Mas posso dizer que se por um lado é extasiante conhecer a história original do vampiro mais famoso de todos os tempos, pessoalmente eu fiquei um tanto quanto decepcionado. Como não li o livro, não posso dizer com certeza se direciono minha decepção à Bram Stoker (autor do livro) ou Garrett Fort (roteirista do filme), mas achei que faltaram diálogos daqueles que mais parecem verdadeiros duelos verbais, principalmente entre Drácula e Van Helsing. Em minha opinião isso deixou o filme um pouco morno, já que ação não é uma marca do nobre Conde. O medo que é passado ao expectador também deixou a desejar, tanto que em determinados momentos é difícil classificar este filme como terror e na maior parte da história você acaba torcendo pelo vampiro.

Apesar de esperar muito mais deste filme, trata-se certamente de um dos maiores clássicos do cinema e apesar da minha insatisfação com o roteiro, considero Drácula uma boa pedida, especialmente para quem gosta de vampiros, afinal a estrela de Béla Lugosi me faz crer que o Drácula retratado neste filme é o melhor vampiro da história do cinema.

 

“A força do vampiro é que as pessoas não acreditam nele”
– Van Helsing

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Author: Elvis José Alves

Um velho com pouco mais de 20 anos, estudante de Direito, admirador da sétima arte e antiguidades (geralmente ao mesmo tempo), roteirista e Jedi de fim de semana. Passa o tempo livre assistindo filmes e séries, escrevendo e adiando as coisas realmente importantes.

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14 Comments

  1. O melhor crítico de filmes antigos EVER! hehe ;D

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    • É importante já vim com fãs pra cá, que bom hehehe.

      Quanto ao filme é realmente um clássico e comparar com os purpurinados de hoje em dia é covardia né? Engraçado que no final do ano passado li um livro sobre cinema e comentava sobra a carreira de Lugosi e falou também desta obra.

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      • Realmente, Lugosi foi uma grande um grande astro dos filmes de horror e seu papel em Drácula deixa isso bastante claro.
        Só lamento que no final de sua carreira ele tenha tido uma decadência vertiginosa…

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        • Explica um pouco dessa sua decadência no livro que li e, em grande parte, foi por conta dos contratos que ele fez nos filmes que ele participou e fez sucesso, muita gente se aproveitava dele e, no final das contas, ele ficava sem grana.

          Final de carreira foi isso, ele fazendo qualquer “porcaria” pra poder sobreviver. Triste.

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          • “Final de carreira foi isso, ele fazendo qualquer “porcaria” pra poder sobreviver. Triste.”

            O filme da biografia de Ed Wood (estrelando Johnny Depp, direção de Tim Burton) mostra isso muito bem!

  2. Atualmente é difícil eu encontrar lançamentos bons que prendam minha atenção, sou da turma que prefere assistir os antiguinhos.Já estou ansiosa para ler as próximas críticas de clássicos, e com saudade de um “Esse Era Bala” haha! Sucesso sempre!

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    • Sim Michele, com mais gente colaborando voluntariamente aqui no Porra, Man! como Elvis e Dani sobra um tempinho maior para eu fazer outros posts tão trabalhosos, mas extremamente prazerosos, como o “Esse Era Bala!”

      Mais novidades estão a caminho!

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  3. esse a minha avó deve lembrar ,nem cheguei a ver,mas vi todos os filmes de vampiro a partir do drácula de bran stoker,mas tá valendo 🙂

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  4. Texto bem estruturado, atrativo e abordando os pontos aparentemente mais importantes da produção. Em suma, o escritor sabe do que tá falando (ou ao menos fingiu bem, hahaha). Gostei da nova aquisição do blog, me fez ler um texto inteiro sem achar cansativo e criticou o modelo vampiresco de Crepúsculo, não precisa de mais nada pra me agradar. Certamente acompanharei essa nova coluna.
    Abraço!

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  5. Boa iniciativa, tb tenho uma certa preferência a filmes antigos… quero ver Dracula um dia, tenho curiosidade em relação ao Bela Lugosi!

    Abs

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  6. momento Retrô hehehehe…eu assistir ao filme do Tim Burton “Ed Wood” que mostra um pouquinho do relacionamento do Diretor com o Béla Lugosi muito bom!!!

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  7. Respondendo sua pergunta, culpe o roteirista.Esse filme tem pouquíssimo do que Drácula de Bram Stoker é. Até a versão de Coppola tem muito mais elementos da obra literária, se bem que o diretor adicionou tridimensionalidade ao personagem título, antes apenas um monstro, com o romance entre Drácula e Mina, que não existe no livro.

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  8. Clássico do terror, me vi agora sentado quando tinha 10 anos assistindo ao Drácula, era apavorante para aquela época, valeu retrô fantástico.

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