A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée)

Indicado da França para concorrer ao prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar 2012, “A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée)” consegue conversar sobre um assunto delicado e difícil sem cair na pieguice e com um olhar diferenciado do que estamos acostumados a assistir por aí. Como lidar com a luta (que aqui é comparada com a Guerra ao Iraque) contra o câncer de seu filho? Será que sua vida muda com isto? Mais do que um simples drama, temos aqui uma verdadeira declaração de amor em forma de cinema.

Dois jovens, Romeo (Jérémie Elkaïm) e Juliette (Valérie Donzelli), ao se conhecerem em uma balada acham graça da coincidência de seus nomes e iniciam um romance que culmina em um casamento e filho. A vida do jovem casal tem uma virada drástica quando o filho deles, ainda bebê, é diagnosticado com um tumor no cérebro, fato este que muda a rotina de todos ao redor e exigirá muito de cada um.

A história é inspirada no que aconteceu (e está acontecendo) com Jérémie Elkaïm e Valérie Donzelli que são os protagonistas do filme e escreveram juntos o roteiro. A direção por sua vez ficou a cargo apenas de Valérie que demonstrou além de uma boa atuação (assim como seu ‘marido’) talento na direção para trabalhar com uma história tão forte, pessoal e ainda dar espaço para embalar tudo numa trilha sonora fantástica. Um outro registro interessante é que as cenas no hospital contaram com a participação não só de atores contratados, mas também com os próprios funcionários reais, fato este que mereceu um agradecimento especial nos créditos.

O tema é muito forte e possui uma carga dramática muito elevada, mas, ao invés de cair no sentimentalismo barato e exacerbado, somos apresentados a uma visão menos “sensacionalista” e que é capaz de nos levar da tristeza para momentos de alegria. É engraçado também notar a estranheza que algumas cenas podem nos fazer sentir, como por exemplo em um determinado momento que o jovem casal, em meio a tanto fatalismo e poucas chances de “‘vitória” no tratamento de seu filho vão se divertir em uma festa. Na mente de muita gente parece ser algo proibido o que eles estão fazendo, mas será mesmo? Existe uma cartilha de como proceder em casos como este? Ama mais quem se confina e fecha as portas pro mundo em meio a situações tão delicadas como esta?

Ao invés de seguir um ritmo “hollywoodiano”cheio de momentos de superação, pieguices e afins, “A Guerra Está Declarada” prefere seguir um ritmo mais próximo do que é a realidade das pessoas que passam por situações como a apresentada na história. O romance do início da trama que se apresenta tão lindo, belo e fulminante, rapidamente dá lugar a momentos de pura desesperança e impotência, é como se a doença e seu tratamento se tornassem o protagonista do filme.

O espectador é convidado a amadurecer junto com o jovem casal à medida que o tempo vai avançando e o peso dessa grande luta enfrentada é sentido. Trata-se de um bom filme apesar de toda esta “carga” que se recebe ao acompanhar essa corajosa trajetória de Valérie e Jérémie e, como já diria o Jota Quest: “Se isso não é amor, o que mais pode ser?”.


A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée, 2011 – 100 min)
Drama

Dirigido por Valérie Donzelli com roteiro de Valérie Donzelli e Jérémie Elkaïm. Estrelando: Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm, César Desseix e Gabriel Elkaïm.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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7 Comments

  1. parece legal,mas nunca ouvi falar,mais a maioria dos filmes estrangeiros me agradam.só não suporto o jota quest hahahahahaha prefiro um roquezinho mais pesado, mas tá valendo.enfim, só estou confessando isso pra te trolar,fui………..

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  2. Bela análise, Márcio, pois é, o filme nos faz pensar em nossos valores, na forma de se lidar com uma doença, no que é ou não permitido. E constrói de uma maneira diferente e bela tudo isso.

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  3. Parece ser interessante, qualquer dia desses eu vejo se assisto.

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  4. Man, sua analise foi muito interessante, mas não consegui achar nada no seu texto que inferisse em 3 controles… só tem elogios ai em cima.

    :S

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    • A questão da classificação é sempre complicada, é apenas um indicativo do quanto gostei do filme. Apesar de não ter apontando “coisas ruins” é normal quando você gosta de um filme, achou legal e tudo mais, mas não sente que ele mereça na sua visão dizer que é espetacular.

      É uma boa história com uma “roupagem” diferente e interessante, mas não é o tipo de filme que eu vá lhe dizer que você precisa assistir ou que chegue perto dos melhores que vi este ano.

      Enfim 🙂

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      • tive essa mesma impressão do mateus. vou conferir.

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  5. O filme é interessante, sobretudo, no ponto em que trata das relações humanas quando estão em situações estressantes e o que se aprende com isso. Gostei bastante.

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