Jovens Adultos (Young Adult)

O que você vai ser quando você crescer? Quando criança a pergunta é respondida com entusiasmo, mas quando a chega àquele momento da vida de cada um em que você precisa escolher o que fará dela dali em diante é que, supostamente, entramos na fase adulta. Quando jovens nem sempre estamos preparados para isso e é nessa fase que, geralmente e salvo algumas exceções, precisamos amadurecer e seguir em frente. E será que acontece exatamente desta forma com todos ou alguns prolongam essa fase por muitos e muitos anos? Trazendo novamente a dupla que fez sucesso a pouco tempo atrás com o filme “Juno” – Jason Reitman na direção e Diablo Cody, vencedora do Oscar de 2011, no roteiro – “Jovens Adultos (Young Adult)” é daqueles filmes que possuem uma proposta interessante mas que são difíceis de se classificar.

Na trama conhecemos uma escritora (na verdade uma ghost writer) de literatura infanto-juvenil chamada Mavis Gary (Charlize Theron, “A Estrada”) que, na tentativa de recuperar seus melhores tempos do passado, retorna a sua pequena cidade natal. Seu plano é recuperar seu ex-namorado que agora está casado e acaba de ter um filho. Em seu “caminho” ela acaba esbarrando de forma um tanto quanto indesejada com velhos conhecidos e também seus familiares.

Bastam alguns poucos minutos e já fica fácil para o espectador traçar o perfil da protagonista que é muito bem interpretada por Charlize Theron. Alimentação desregrada (e preguiçosa), proprietária de um cão que necessita de melhores cuidados, detentora de diálogos bobos para a sua idade e por aí vai, percebe-se logo de cara que apesar de já ser independente (casa, carro e emprego) ela de certa forma não amadureceu. Quando ela parte para a sua “aventura” ao revisitar a sua antiga cidade, a qual deixou para trás por não aguentar mais nada de lá, com exceção óbvia de seu ex-namorado é que o filme toma um rumo interessante.

Ao contrário do que se é esperado a construção da história nos leva a torcer contra a personagem principal. A medida em que o mundo de ilusão que Mavis carrega consigo começa a se chocar com a realidade é que “Jovens Adultos” nos convida a refletir sobre algumas questões que nos são bastante pertinentes. É fato que trata-se de uma realidade mais forte para os americanos do que para a gente toda essa história de garota (ou garoto) popular da escola e a relação imediata que se faz com uma pessoa de sucesso, mas não se trata de nada muito diferente do que se vê por aqui.

O filme nos reserva até alguns poucos momentos divertidos mas durante a maior parte do tempo o tom é dramático e bem realista, não existem pessoas totalmente certas nem totalmente erradas, são todas humanas. Mas a virtude do filme é também o seu ponto fraco já que, analisando friamente, não existe nada de novo ou original apresentado aqui. São coisas que já vimos de montão por aí em outros filmes apenas com uma roupagem mais “cool” e condizente com a realidade atual (alguns falam que é moda outros que é uma praga toda essa onda de “jovens adultos”).

Porque algumas pessoas vivem tanto de passado (os torcedores do time rival ao que eu torço são assim) e não conseguem se desprender dele para seguir em frente, evoluir como individuo e, consequentemente, amadurecer? Porque nem todo mundo consegue aceitar as coisas como elas são e não como elas gostariam que fossem? Esses questionamentos interessantes ficaram comigo ao término da história mas, pelo menos para mim, com uma premissa tão boa em mãos esperava mais desta obra e, no final das contas, achei o filme apenas regular. Cinema pra mim tem que ter emoção e “Jovens Adultos” tem uma levada muito letárgica e pouco envolvente, ainda assim, é daquelas obras que merecem ser assistidas para que cada um tire suas próprias conclusões.


Jovens Adultos (Young Adult, 2011/2012 – 94 min)
Comédia, Drama.

Dirigido por Jason Reitman com roteiro de Diablo Cody. Estrelando: Charlize Theron, Patton Oswalt, Patrick Wilson e Elizabeth Reaser.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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4 Comments

  1. adoro essa atriz desde o filme o advogado do diabo,ela arrasa demais,quanto ao filme ainda nem vi,mais depois dessa vou assisti-lo on line mesmo porque as locadoras perto da minha casa faliram,espero que a sopa e pipa não volte novamente ,se não fodeu hahaha,a e tem a pirataria,que eu havia esquecido,viu? ESTOU IMPOSSIVEL HOJE :0

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    • Calma, a internet ta aí pra isso, para a gente “alugar” filmes hehehe

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  2. Porra man, eu curti o filme. Dei várias risadas. Não é tão bom quando “Amor sem escalas”, mas é muito bom. Gostei muito do final.

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  3. Me interessei man, parece que o estilo vai me agradar…

    Mas porra, é um fato, a torcida do Jahia é um porre sem medidas. O time é uma bosta e ainda sim se acham os melhores… foda.

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