Jogos Vorazes (Hunger Games)

Em tempos em que os gêneros cinematográficos são definidos muito mais por nichos de mercado do que propriamente pelo estilo do filme, não é de se espantar que as distribuidoras tenham vendido “Jogos Vorazes (Hunger Games)” como o substituto de “Harry Potter” ou o novo “Crepúsculo”. De fato a estrutura básica é semelhante, afinal, trata-se de uma aventura infanto-juvenil ou, como está na moda, uma produção destinada ao público “jovem adulto” que foi adaptada para os cinemas a partir de uma série de livros (3 ao todo e escritos por Suzanne Collins), porém, as discussões levantadas são tantas e o universo apresentado é tão interessante que as comparações acabam se tornando rasas e injustas.

Na trama somos levados até um futuro de tempo desconhecido quando conhecemos Panem, um país que é dividido em 12 distritos e que mantêm o controle de toda a sua população com o ‘auxílio ‘de um torneio mortal onde cada um dos distritos tem que enviar dois jovens, um garoto e uma garota com  idade entre 12 a 18 anos que irão lutar entre si até a morte, ou seja, de 24 jovens apenas 1 sairá vencedor, e vivo também. Em meio a todo este contexto conhecemos Katniss Everdreen (Jennifer Lawrence, “X-Men – Primeira Classe”) que entra no torneio para representar o pobre distrito 12 depois de se oferecer como “tributo” no lugar da irmã mais nova que havia sido sorteada.

A mistura de reality show mortal com ficção científica futurista é muito boa e consegue levantar importantes discussões morais, sociais e éticas como o culto cego e ‘imbecil’ à celebridades, o controle do governo e da própria mídia perante a sociedade e a forma como se consegue poder e obediência a partir de coisas tão vazias e, pasmem, cruéis e sanguinárias como um espetáculo de morte e assassinatos de jovens sendo consumido como entretenimento. Ainda que a “fé cênica” – aquela que te move a acreditar em algo proposto num filme – tenha sido um pouco abalada com esta questão de se ter um torneio mortal auxiliando e mantendo o controle de toda uma nação, não é difícil visualizar que é justamente para lá que todos nós estamos caminhando atualmente, e traçar paralelos com coisas de nosso presente não é muito complicado.

A máquina Hollywoodiana sedenta por uma nova “mania” nos cinemas capaz de arrecadar rios de dinheiro com uma bilheteria bastante farta encontrou nos best-sellers criados por Suzanne Collins o produto ideal e precisou apenas “polir” um pouco toda a violência que, com toda a certeza,  deve ser maior nos livros do que nas telas. E o diretor Gary Ross conseguiu de maneira muito interessante driblar e contornar as cenas mais fortes com todo um jogo de câmeras e cortes muito bem encaixados.

De nada adiantaria no entanto uma aventura interessante se não contasse com bons atores. Na linha de frente podemos ver uma Jennifer Lawrence (que já tinha saltado aos olhos da crítica no indicado ao Oscar de 2011Inverno da Alma”) muito bem no papel da heroína. E que bom que uma nova franquia promissora tenha a frente a figura de uma mulher forte e determinada. Ela passa muita verdade nas suas expressões como, por exemplo, na cena em que ela está a instantes de iniciar o torneio, tremendo como vara verde e bastante assustada, e dá pra sentir isso ao assistí-la. Também na linha de frente temos o jovem Josh Hutcherson (“Minhas Mães e Meu Pai”) dando conta do recado com seu personagem que se torna peça fundamental no “jogo”. Do elenco coadjuvante podemos destacar, entre os demais, a atuação “afetada” e bem divertida de Stanley Tucci (“Capitão América – O Primeiro Vingador”) como apresentador (o “Bial”) do torneio e ainda o sempre bom Woody Harrelson (“Zumbilândia”) como um sobrevivente de um antigo torneio e uma espécie de tutor (amargurado e bêbado) dos jovens do Distrito 12.

O universo ficcional criado originalmente por Suzanne Collins é baseado numa realidade em que o controle e obediência dos indivíduos de uma sociedade perante a “mão forte” de um governo autoritário e opressivo é exercido com a ajuda do uso da “máquina” da mídia como suporte aos seus vis interesses (Porra, man! Bonito isso!). E isto é a base das chamadas distopias (ou anti-utopias), que são criadas geralmente como formas de “aviso” ou “sátiras” do nosso cotidiano, ou seja, além de lhe entreter durante mais de 2 horas, “Jogos Vorazes” é capaz de lhe fazer refletir e te convidar a contestar sobre assuntos importantes e inerentes à todos nós que vivemos em sociedade. É é muito bom que em meio a tudo isto você ainda possa se emocionar, ficar tenso em determinadas partes e, principalmente, torcer pela protagonista do início ao fim numa ótima aventura.

 


Jogos Vorazes (Hunger Games, 2012 – 142 min)
Ficção Científica, Aventura, Ação, Drama.

Dirigido por Gary Ross com roteiro de Billy Ray e Gary Ross adaptando livro de  Suzanne Collins. Estrelando: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Liam Hemsworth, Wes Bentley, Stanley Tucci, Toby Jones, Lenny Kravitz, Amandla Stenberg, Alexander Ludwig e Donald Sutherland.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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21 Comments

  1. E aí, Márcio? Se anima com os livros agora?
    Garanto que são melhores que o filme! 😀

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    • Me animei mesmo Carol, adorei o universo e toda a crítica social por detrás da aventura (e do romance também né).

      E sabendo agora que são ainda melhores que o filme me animo mais.

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  2. Tem muito mesmo por trás da história, discussões diversas. Também fiquei curiosa com os livros.

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    • Só estou esperando passar um pouco o hype do filme para baixar os preços dos livros e mandar bala também.

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  3. Eu achei o filme legal, mas tem várias coisas que me incomodaram. E eu não sei se o negócio tem história pra 3 filmes (quanto mais 3 livros), mas o final deixou num ponto que não faço idéia de pra onde a história pode ir.

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    • Você é muito chato e não se emociona com filmes de personagens reais só porque estão em universos distópicos é?

      Quanto ao final do filme eu tive a MESMA sensação. E agora? Vai pra onde? Mas pelo visto tem mais coisa pra desenrolar…

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    • Abra esse coração amargurado e vá assistir o filme, aposto que já viu coisas piores. Garanto que é melhor que Crepusculo, Eu Sou o Numero 4, Percy Jackson e afins…

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  4. com todo mundo falando bem desse filme estou animada para assisti-lo,e a jennifer lawrence se tornou uma das minhas atrizes preferidas,irei ver com certeza.

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  5. Na base não tem como deixar de lembrar de Battle Royale, conheci através do mangá, que é baseado em um livro. Jovens nessa faixa de idade lutando um contra o outro pela vida. Em um futuro próximo. Tudo arquitetado pelo governo.

    Não estou criticando. Apenas fazendo um comentário. Estou curioso para assistir o filme.

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    • Bom, em quesitos de violência este é tipo teletubbies se comparado a Battle Royale…

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  6. Muito boa a crítica Márcio. O filme realmente merece um destaque, visto que traz questões quentes para discussões … Sai do cinema e várias rolaram! Rs.

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  7. “Porra Man! Bonito isso” hahahahahha rachei de rir agora… quanto ao filme, me interessei. O ambiente da história é dos meus favoritos. Vou conferir. Abraços e excelente crítica.

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  8. Vi o filme dia 18/04 e achei bom, só achei o final muito ‘felizinho’.E as mortes quase não apareceram, também não é um filme violento né, mas o filme em si foi bom!!

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    • A questão da violência foi suprimida por conta da classificação etária que queriam limitar um pouco até para poder gerar mais bilheteria. O final é uma “falsa” alegria né man?

      Se quer ver mais sangue e pancadaria recomendo que assista Batle Royale serviu de inspiração para Jogos Vorazes (isso não foi admitido pela escritora e criadora das histórias mas fica meio óbvio para quem viu os dois filmes).

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  9. Falsa alegria, sim. O final sutilmente mostrou que virá chumbo grosso.

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  10. Sim, o final sem dúvida é uma “falsa alegria”!
    Quando tudo acha que Katniss se tinha safado bem dos jogos, fingindo o papel de amantes condenados do Capitólio, aquelas bagas fizeram vibrar bem mais do que o esperado!

    Mas digo-vos, a história que rola em torno dos 3 livros é sem dúvida emocionante e nunca, mas nunca descobrem o que vem a seguir! (Eu já li cada livro 3x, por isso, a minha crítica é boa xD)!

    A própria escritora do Crepúsculo, não conseguia parar de os ler, portanto, tem de ser mesmo boa a história!
    E garanto que sim 😉

    O que uma simples bagas não fazem!

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  11. até que enfim atualização do release em BDRip…baixando….

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  12. o filme é bom tem suas qualidades..mais ficou devendo em alguns requisitos…não fiquei empolgado com as continuações..mais espero termina-las…

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    • Sei lá, me liguei mais na história por trás de toda a pirotecnia do que propriamente na ação e correria do filme, neste ponto tenho que concordar que o filme fica mesmo devendo.

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