No ano da graça de 2004 a cidade de Salvador presenciou uma festa que se tornou épica e lendária conhecida como “Demolition Party”. A casa de um sujeito foi vendida a uma construtora e seria demolida para a construção de um prédio, antes de entregá-la foram convidadas algumas bandas do cenário Rock baiano (sim, ele existe) e o “ingresso” era apenas cada pessoa levar bebida para duas e, como retorno, além dos shows e da bebida abundante, poderia levar de recordação um pedaço da casa. Envolvendo pessoas insanas, rupinol na bebida de alguns e toda a sorte de acontecimentos alienígenas que se sucederam, a noite é até hoje lembrada por todos que compareceram ao ilustre evento. Toda essa derivação serve apenas para corroborar que o desejo juvenil de fazer parte de uma festa inesquecível sempre acompanhou o homem, e é basicamente isto que “Projeto X – Uma Festa Fora de Controle” traz na sua essência.

Trio parada dura

Seguindo a fórmula do “falso documentário real” (Mockumentary) , o filme conta a história de um jovem que ganha de presente de seus amigos uma festa de aniversário inesquecível que eles planejam realizar na sua casa que estará vazia. Os adolescentes que não passam de escória no colégio (nerds, “invisíveis”, chamem como quiser) se empolgam com a ideia de uma festança com muita música, diversão e, principalmente, gatinhas disponíveis para eles “se darem bem” e, de quebra, conseguirem popularidade entre a turma da escola.

Indo bem de encontro ao que o subtítulo nacional deixa bem claro, a festa, aos poucos, começa a ficar fora de controle e as sequências que se seguem podem soar ofensivas, politicamente incorretas e “socialmente não muito bem aceitas” para os mais conservadores, fato este que é apresentado de forma divertida no início do “vídeo” com uma mensagem de desculpas a todos os moradores do local. Se nos primeiros minutos vemos apenas os garotos convidando pessoas e cuidando de todos os preparativos importantes (como bebidas e drogas), conforme a noite (e a festa) avança as coisas vão tomando proporções grandiosamente insanas e, literalmente, incontroláveis.

Tequila, quem curte?

Ainda que esteja totalmente inserido em um tema recorrente e cheio dos clichês mais conhecidos dos filmes do gênero adolescente como o desejo e a busca pela popularidade, os obstáculos a serem transponidos para se encontrar os entorpecentes lícitos e ilícitos, o anseio e toda sorte de trapalhadas para conseguir, finalmente, faturar (no modo masculinamente mais “sujo” possível) uma gatinha, “Projeto X” consegue divertir durante quase todo o tempo de projeção e a diversão aumenta conforme as coisas vão “piorando”. Parte disso é “culpa” da forma como a história é contada, focando-se muito mais nos acontecimentos e na festa do que nas histórias dos personagens ou em algum grande objetivo a ser perseguido por todos.

Outro fator importante e interessante é que o recurso da “câmera na mão” se desprende um pouco do “câmera man solitário” – que, diga-se de passagem, é um personagem praticamente inútil e invisível o qual ainda tentam lhe dar, em vão, alguma “participação” na “história” – trazendo também algumas filmagens de outros participantes da festa através de seus celulares, dando ao espectador vários ângulos privilegiados.

A crítica mais especializada tem torcido bastante o nariz (no Rotten Tomatoes a aprovação está bem baixa) e praguejado aos ventos os nomes dos responsáveis por essa produção (com destaque para Todd Philips, responsável pela franquia “Se Beber Não Case”). Em nenhum momento “Projeto X” se preocupa com “enquadramentos angulares” ou “explanações sobre o viver e o sofrer filosófico existencial”, ele foca simplesmente numa diversão que, para os mais velhos (de idade ou de coração), não é nada sadia: garotas nuas e muitos peitinhos, consumo de drogas, anão invocado e mal encarado, pessoas de péssima índole, violência envolvendo crianças – os dois seguranças mirins do evento são responsáveis por algumas das melhores cenas – judiações com um cachorro, e por aí vai.

Festa duro

Pela quantidade de “aspas” em meu texto percebe-se que “Projeto X” não é, de forma alguma, uma produção a ser analisada friamente ou ser levada muito a sério. Trata-se de um “projeto” preocupado apenas em entreter um tipo específico de público o qual não está muito preocupado com “arte” ou trabalhos primorosos, mas sim em ver o “circo pegar fogo” e, se antes disto poder ver algumas garotas seminuas e “altas confusões do barulho”, melhor ainda.


Projeto X – Uma Festa Fora de Controle (Project X, 2012 – 87 min)
Comédia, Mockumentary

Dirigido por  Nima Nourizadeh com roteiro de Matt Drake e Michael Bacall. Estrelando: Thomas Mann, Oliver Cooper, Jonathan Daniel Brown, Kirby Bliss Blanton e Alexis Knapp.

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Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.