Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Sundance de 2011 e tendo vencido outros 11 prêmios mundo afora (com quase 30 indicações), “Martha Marcy May Marlene” apresenta para o mundo do cinema Elizabeth Olsen (irmã caçula das gêmeas Olsen) em uma performance incrível numa produção que possui algumas semelhanças com o filme “Inverno da Alma”, o queridinho indie do cinema na temporada anterior, e traz um drama psicológico envolvente e com muito suspense, mas que deixa no ar algumas pontas soltas capazes de irritar aqueles que prezam por histórias mais conclusivas.

Logo no início da trama vemos Martha (Elizabeth Olsen) ligando em prantos para sua irmã (Sarah Paulson), que já não via há 2 anos, para poder fugir de uma espécie de culto em que fazia parte. Tentando se estabelecer na casa da irmã e do marido dela (Hugh Dancy), ela segue os dias cada vez mais assombrada com lembranças, não conseguindo diferenciar entre o presente e passado e abalando a relação do casal com sua constante paranoia.

As pistas do que realmente acontecia no tal culto e o que de fato ele era são apresentadas aos poucos em flashbacks que nunca avisam a hora que vão chegar. Uma hora vemos Martha saltando para entrar no lago da casa de “veraneio” da irmã e já na sequência ela está mergulhando numa cachoeira com o pessoal da tal “sociedade alternativa”. Esta estratégia pode parecer “insana” mas é muito interessante, deixa o espectador se sentindo confuso como a própria personagem que, de fato, quase nunca sabe onde realmente está e se algo já aconteceu ou está acontecendo.

A direção e o roteiro ficou a cargo de Sean Durkin que fez um ótimo trabalho e acertou em algumas de suas escolhas. Aos poucos vemos a verdadeira faceta do tal culto (ou seria uma espécie de seita maluca?) que se mostra bastante perigoso, aproveitador e machista. As mulheres tem que esperar os homens comerem e o “ritual” de iniciação delas no grupo é basicamente um estupro. Mas as palavras do carismático e perigoso líder interpretado muito bem por John Hawkes (que fez um papel semelhante em “Inverno da Alma”) sempre surgem para acalentar as garotas, em principal Martha, ou melhor, Marcy May como é conhecida no grupo. O nome extenso do filme se faz entender por completo quando descobrimos que, em conjunto, todas lá devem ser chamadas por Marlene.

Fora as saídas inteligentes do roteiro e direção, talvez a mais acertada escolha de Sean Durkin tenha sido selecionar Elizabeth Olsen para o papel principal. Ele desejava um rosto desconhecido mas de muito talento – e aí vem mais uma semelhança com “Inverno da Alma” com a escolha de Jennifer Lawrence para protagonizar a história – e conseguiu um bingo já que Elizabeth, apesar do sobrenome famoso, se sai otimamente na atuação deixando as irmãs mais velhas no chinelo com seus trabalhos, em grande parte televisivos, pouco inspirados.

Com uma levada bastante envolvente que mistura drama e uma espécie de suspense paranoico que consegue colocar o espectador na “pele” da protagonista, “Martha Marcy May Marlene” possui um desfecho bastante inconclusivo e deixa ao longo da trama algumas “portas abertas”, estratégia esta que costuma irritar alguns espectadores. Só fico, de verdade, na dúvida se tal estratégia é uma saída inteligente que demonstra a genialidade do diretor/roteirista ou se é apenas uma saída mais fácil, uma vez que não dar todas as respostas é mais confortável do que escolher algumas respostas que podem agradar ou não as pessoas.


Martha Marcy May Marlene (2011, 102 min)
Drama, Suspense

Um filme de Sean Durkin com Elizabeth Olsen, John Hawkes, Sarah Paulson e Hugh Dancy.

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