Quando criança meu sonho era ser astronauta mas, infelizmente, não deu. Quando José Belmonte e sua equipe conceberam “Billi Pig”, provavelmente, tentaram fazer um filme ‘nonsense’, com humor escrachado e que fosse uma espécie de homenagem às antigas chanchadas brasileiras mas, sinto em dizer, falharam miseravelmente. Em uma história completamente sem sentido e com direito a personagens inúteis e sem qualquer ligação com a trama principal, nem mesmo o elenco estrelado encabeçado por Selton Mello consegue tirar a sensação de perda de tempo e de vida que é acompanhar seus intermináveis 90 minutos de duração.

Pode parecer incrível para o espectador que o estiver assistindo mas, supostamente, existe uma trama principal que é a de Marivalda (Grazi Massafera) que tem o sonho de ser atriz e possui um porquinho falante – TOSQUÍSSIMAMENTE animado em 3D e com uma voz irritante – que ela carrega consigo desde sua infância e é seu principal confidente. Ela é casada com Wanderley (Selton Mello, “O Palhaço”), dono de uma seguradora no subúrbio do Rio de Janeiro e que, após descobrir que a filha de um grande bandido local sofreu um acidente, chama o padre local (Milton Gonçalves) para se juntar a ele num plano infalível, realizar um milagre e “ressucitar” a filha do mafioso em troca de muito dinheiro.

Tanto a sinopse como também o elenco contratado mostravam um possível potencial para, quanto nada, divertir o público por alguns instantes mas “Billi Pig” está muito longe disso. As piadas quase nunca funcionam  e os personagens são pouco carismáticos e divertidos e, em meio a tudo isto, ainda existem algumas subtramas sem qualquer ligação ou propósito como a de uma funerária com Preta Gil e Milhem Cortaz (“Assalto ao Banco Central“). Selton Mello por sua vez parece estar aceitando fazer qualquer coisa em troca de dinheiro ao entregar uma atuação tão sonolenta e sem carisma (ou talvez ele esteja querendo provar que existe algo pior do que “Federal”). O elenco de apoio também não ajuda nem um pouco e, por mais incrível que possa parecer para algumas pessoas, a única que pareceu se esforçar para entregar algo aceitável é a ex-BBB Grazi Massafera que faz bem o papel de burrinha bonitinha.

É comum e geralmente aceito que em produções deste gênero (supostamente é uma comédia) a parte técnica não seja tão bem trabalhada, mas o porquinho animado e falante é, sem dúdivas, umas das coisas mais mal feitas que vi nos últimos tempos nas salas de cinema. A sua dublagem então é triste (me fez sentir saudade das vozes daqueles esquilinhos cantantes) e seus diálogos recheados de palavrões teoricamente eram pra ser engraçados mas só conseguem nos trazer aquele sentimento de vergonha alheia. É tão incrivelmente ruim que faz parecer completamente natural e convincente o surgimento de um pato azul fosforecente (neste momento este que vos escreve fez menção em se levantar para ir embora e soltou um sonoro “qui porressa!”).

Para não dizer que é tudo tempo perdido (como já diria Renato Russo) existe uma cena musical num boteco que, com uma dose de boa vontade, é até interessante e divertida, mas é apenas um lampejo em meio a tanta coisa absurda e sem o menor sentido que são apresentadas neste que é, até aqui, o pior filme que vi neste ano. Gosto quando o cinema nacional se arrisca e tenta sair da mesmice e zona de conforto que grande parte dos lançamentos cinematográficos brasileiros seguem, mas, infelizmente, “Billi Pig” é uma tentativa que não deu certo e não funciona. Prefiro terminar com este elogio (o melhor que consegui) afinal, é errando que se aprende.


Billi Pig (2012 – 90 min)
Comédia.

Dirigido por José Eduardo Belmonte com roteiro de José Eduardo Belmonte e Ronaldo D´Oxum. Estrelando: Selton Mello, Grazi Massafera, Milton Gonçalves, Preta Gil, Milhem Cortaz, Otavio Müller, Cassia Kiss, Sandra Pêra, Zezé Barbosa, Aimée Espinosa, Tadeu Mello, Simonia Queiroz, Andrea Neves, Priscila Marinho e Léa Garcia.

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