Sherlock Holmes 2 – O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes – The Game of Shadows)

Em 2009 Guy Ritchie entregou para o cinema uma versão moderna e com uma “nova roupagem” do astuto, egocêntrico e famoso detetive Sherlock Holmes – personagem criado originalmente por Arthur Conan Doyle no século 19 – trazendo muita ação, pancadaria e humor. Lançado lá fora no ano passado e chegando agora em 2012 nos cinemas nacionais, “Sherlock Holmes  – O Jogo das Sombras (Sherlock Holmes – The Game of Shadows)consegue superar o primeiro filme apresentando um pouco menos de ‘correria’ ao preencher a trama com mais inteligência adicionando um vilão à altura do louco e insano herói.

Na trama acompanhamos  Sherlock Holmes (Robert Downey Jr, “O Homem de Ferro 2”) em face a desvendar uma série de atentados ligado a um gênio com uma mente criminosa, professor Moriarty (Jared Harris). Com um adversário tão ou mais inteligente que ele e que parece sempre estar um passo à frente, Holmes precisará da ajuda (mais uma vez e até atrapalhando sua despedida de solteiro, casamento e lua de mel) do seu fiel companheiro Dr. Watson (Jude Law, “Contágio”) e ainda do seu irmão Mycroft Holmes (Stephen Fry) – que é tão excêntrico quanto ele – e ainda de uma cigana chamada Simza (Noomi Rapace).

Dando ao espectador as devidas pausas para respirar entre uma cena de ação e outra, adicionando arcos bem resolvidos e inteligentes entre elas, Guy Ritchie traz novamente os seus famosos planos em câmera lenta (tem uma cena na floresta que é espetacular) mesclando bem momentos de pancadaria e correria com momentos de suspense que quase sempre trazem reviravoltas bastante divertidas e bem boladas. São também novamente bem vindos os pensamentos “premonitórios” de Holmes encadeiam uma sequência de ações que o detetive monta em sua cabeça para escapar das mais diversas situações de perigo.

Com uma parte técnica e visual bem interessante, o filme traz ainda ótimas atuações, em principal é claro a de Robert Downey Jr. cada vez mais divertido e que demonstra uma química incrível com Jude Law. Os dois novamente trazem à tela um bromance (Brother´s Romance, aquele amor entre amigos irmãos) recheado de carisma. Fora eles a inclusão do irmão de Holmes que, à sua maneira é tão louco quanto o detetive, é um muito bem vinda e nos brinda com momentos bem humorados. Na linha dos ‘mocinhos’ talvez a única personagem que destoa um pouco dos demais é a cigana Simza interpretada sem muito brilho pela Noomi Rapace.

Ainda comentando sobre o elenco o vilão interpretado por Jared Harris (que estrela a série Mad Men) é um dos principais fatores de sucesso desta sequência. O vilão do primeiro filme, ainda que tenha sido interpretado pelo sempre competente Mark Strong, está anos luz atrás da sagacidade e inteligência do professor Moriarty. Os embates entre Holmes e Moriarty durante diversos momentos da história é menos físico (apesar daquele “gancho”) e mais intelectual e fecha com uma cena fantástica em dois planos, uma num tabuleiro e outra num salão de dança que é uma alusão à própria disputa travada pelos dois no desfecho do trama.

Ainda que tenha faltado um pouco do tom “sobrenatural Scooby Doo” de seu antecessor, “Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras” consegue superar o antecessor ao adicionar à toda diversão e humor doses generosas de inteligência numa obra bem realizada técnica e visualmente. Entretenimentos assim que fazem valer o seu tempo e dinheiro estão cada vez mais difíceis de se encontrar nas salas de cinema, portanto, sugiro que prestigiem.


Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes – The Game of Shadows, 2011/2012 – 129 min)
Aventura, Ação.

Dirigido por Guy Ritchie com roteiro de Michele Mulroney e Kieran Mulroney. Estrelando: Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Kelly Reilly, Stephen Fry, Noomi Rapace e Rachel McAdams.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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8 Comments

  1. Oi Márcio,

    confesso que apesar de ter gostado do filme também, fiquei com a sensação de não estar assistindo mais a Sherlock e sim a um novo detetive qualquer. A dupla usa tanto os braços que não lembra mais os originais.

    A filme é inteligente e realmente o vilão é sensacional, mas acho que eles forçaram alguns fatos no filme para que as conclusões desse Sherlock tão corretas: um homem inteligente como Moriarty usar um livro sobre plantas como para criptografar seu caderno de notas e deixar lá evidente para quem quiser ver o vaso de planta murcha no mesmo ambiente do livro …

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  2. Eu achei melhor que o 1, mas não tanto assim.

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  3. achei no mesmo nivel do primeiro. ambos os filmes são muito bons e inteligentes, só que esse filme me desapontou um pouco, fiquei com ar de “mais do mesmo”, foram empregados os mesmo elementos do filme anterior o que me decepcionou um pouco.

    por sinal a cena na floresta é tão digna quanto a da explosão do armazem do primeiro filme

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  4. ótimo filme… excelentes efeitos especias…um filme super inteligente..supera o primeiro brincado..mil vezes melhor..adoreei…sem mais comentários!!

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  5. O filme superou e muito o primeiro, gostei demais desse filme, só fico triste pelo fato do personagem não ter os mesmos atributos do Holmes original, o personagem dos cinemas é muito diferente do Holmes de Sir Arthur Conan Doyle. Mas por outro lado fico feliz pelo filme, afinal de contas todos os outros filmes que assisti de Sherlock Holmes (pelo menos os que eu assisti) foram enfadonhos, talvez o personagem original deva ficar nos livros mesmo. Mas a intersemiótica para levá-lo ao cinema foi excelente e isso merece respeito. Fico feliz em ver meu personagem preferido nos cinemas.

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    • Fico feliz com seu comentário (ainda mais contendo palavras tão fodas como “intersemiótica”, o que me fez ir até o dicinário e aprender o que significa, gerando conhecimento, veja só).

      Realmente não tem muito do “Sherlock” original dos livros mas, como você citou, ficou bom e deu muito certo adaptá-lo desta forma para o cinema, combinou bem com o perfil dos personagens que Downey Jr sabe fazer.

      Abração!

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  6. Valeu Márcio!!! Eu não quis parecer boçal no meu comentário usando essa palavra, rsrrsrssrrs. Mas é que aprendi o significado dela e percebi também que não devemos “derrubar” um filme só porque ele não segue a risca o livro. Desde então tenho essa palavra sempre 🙂

    Abraços brother!!!!

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    • Só estava te pertubando mas, falando sério, adoro aprender novas palavras e você me forçou a aprender mais uma!

      Abração!

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  1. Homem de Ferro 3 (Iron Man 3) | Porra, man! - [...] trama acompanhamos Tony Stark (Robert Downey Jr., “Sherlock Holmes 2 – O Jogo de Sombras ”) enfrentando vários problemas…

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