Dentre as ótimas lembranças de minha infância “Os Muppets” possuem um lugar especial em minhas memórias, e foi justamente esta nostalgia que me levou ao cinema para rever esses bonequinhos de feltro. Este novo filme tenta marcar um retorno dos antigos personagens trazendo uma daquelas histórias “para todas as idades” mas que, ao meu ver, funciona um pouco melhor para quem já os conhecia. Dei boas risadas e tive algumas belas lembranças, mas o tom um pouco bobo além da conta e, em principal, a dublagem, acabaram por prejudicar o resultado final que é, apesar destes e de outros pequenos problemas, satisfatório.

A trama é bastante simplória e manjada, nela conhecemos Walter que é um grande fã dos Muppets e tem como ‘irmão/melhor amigo’ Gary (Jason Segel, “Professora sem Classe”) que, por sua vez, é namorado de Mary (Amy Adams, “O Vencedor”). Eles viajam para conhecer os estúdios Muppets mas se deparam com um lugar totalmente abandonado. É lá que Walter acaba ouvindo um ardiloso plano de um grande empresário Tex Richman (Chris Cooper, “Soldado Anônimo”) que deseja acabar com tudo aquilo pois no local existe petróleo.  Walter e seus amigos precisam encontrar todos os Muppets, reuní-los novamente e ajudá-los a preparar um show para arrecadar 10 milhões de dólares até um determinado tempo conforme o descrito num antigo contrato.

Os tempos são outros e até mesmo Caco agora se chama Kermit (numa imposição da Disney de deixar os nomes de seus personagens ‘universais’, como acontece com o ursinho Pooh, antes conhecido no Brasil como Puff). Mas o maior problema é mesmo a dublagem que deixa as partes com os atores reais – principalmente nas cenas musicais que elevaram o nível do meu sofrer a índices preocupantes – muito toscas. Na minha infância eu via dublado também já que passava em um canal aberto aqui no Brasil, mas as vozes dos personagens são diferentes, e você se acostuma com as vozes clássicas não tem jeito. Fora que, tirar o direito de quem quer assistir ao filme com os sons originais é triste, muito triste. Mas isto é assunto prum outro post.

A história muito boba e ‘ingênua’ não chega a se tornar um grande problema, ainda mais se você for como eu, um adulto com uma criança dentro de si (não engoli nenhuma, é no sentido figurado mesmo) que ri de bobagens como “risada maligna” no cinema. Mas o grande número de muppets na tela acabou ofuscando alguns de meus favoritos como Gonzo, por exemplo. Talvez o melhor destaque dentre eles fique mesmo com Miss Piggy que traz boas referências do filme “O Diabo Veste Prada”.

As “pontas” contam com alguns nomes muito famosos que vão desde astros do rock até grandes atores, mas que poderiam ser melhor utilizados. Talvez Jack Black (“As Viagens de Gulliver”) seja um dos poucos que possuem um merecido destaque e uma atuação interessante. Jason Segel, que ainda escreveu o roteiro, carecia de um pouco mais de carisma e desenvoltura também nas canções e dancinhas.

Contando com recursos interessantes (a famosa metalinguagem, o filme dentro do filme, a canção que toca num momento oportuno e quando se revela é na verdade um coral passando dentro de um ônibus, e por aí vai), algumas boas piadas e situações que remetem aos velhos tempos de sucesso, “Os Muppets” apresentam um divertido retorno (assim espero) destes personagens que fizeram a alegria de muita gente entre os anos 70 e 90 mas, inegavelmente, poderia ser melhor.


Os Muppets (The Muppets, 2011 – 98 min)
Comédia, Musical

Dirigido por James Bobin com roteiro por Jason Segel e Nichollas Stoller. Estrelando: Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper, Rashida Jones, Steve Whitmire, Eric Jacobson, Dave Goelz, Bill Barretta, David Rudman, Matt Vogel, Peter Linz, Zach Galifianakis, Jack Black, Donald Glover e Emily Blunt.

Related Posts with Thumbnails