[Esse Era Bala!] – Armação Ilimitada

Se você foi cria da década de 80 com toda certeza deve se lembrar de um dos maiores sucessos televisivos nacionais, estou falando de “Armação Ilimitada”, um seriado da época que a gente via coisas interessantes na TV aberta (sim, essa época existiu).

Exibido originalmente nos anos de 1985 a 1988 (depois rolaram vária reprises inclusive este ano de 2011 no Canal Viva), a série da Rede Globo se tornou um marco por causa de tantas inovações apresentadas, um sucesso de crítica (ganhou até prêmio na Europa) e de público, afinal, quem (dos que viveram nesta época logicamente) não se lembra de Juba, Lula, Zelda e Bacana? Mais que Bala, Armação Ilimitada era sensacional.


Abertura da Série: (link: http://www.youtube.com/watch?v=z-maLZgPvxI)

A Série

O seriado partiu de uma ideia dos atores (e protagonistas) Kadu Moliterno e André de Biase depois que trabalharam juntos na novela “Partido Alto” de 1984. Daniel Filho gostou e acreditou na ideia e levou a frente, estava dada a largada. A direção ficou a cargo de Guel Arraes.

Juba e Lula

Estávamos saindo da época da ditadura no país – era criança ainda mas me lembro de ter aulas na escola de E.M.C (Educação Moral e Cívica) – e toda essa ‘euforia’ contribuiu e muito para a construção da série, que misturava esportes com aventuras e tinha uma linguagem ‘acelerada’ e o ritmo dos videoclipes, que estavam fazendo muito sucesso naqueles anos, era ‘novidade’ por aqui.

Dispensando em muitas cenas o uso de dublês, Kadu Moliterno e André de Biase como eram jovens e esportistas de verdade faziam suas próprias cenas, surfando, pulando de lugares altos e tudo mais. De certa forma esse realismo transpirava nas cenas.

Mas nem só de aventura vivia a série, tinha muito humor e um sarcasmo que não era comum de se ver na TV mesclado com cenas altamente surreais. Por vezes víamos também os personagens falando com o telespectador, vez ou outra explicando que, por falta de recursos, não daria para continuar a cena em questão, ou fazê-la do jeito que queriam. Certa feita teve uma cena em que um personagem morreu e depois ele se levanta falando para terem calma, aquilo era só um seriado de televisão e que ele ia prosseguir.

A Trama e as Histórias

A trama era centrada na “Armação Ilimitada”, uma ‘firma’ (como se falava firma nessa época hein?) criada por Juba e Lula para fazer trabalhos como dublês, ou qualquer coisa que envolvesse modalidades esportivas, basicamente um ‘topamos qualquer negócio’. Fora isso tínhamos um triângulo amoroso com Zelda e, alguns episódios mais a frente eles ‘adotam’ um menor abandonado chamado “Bacana” (Jonas Torres).

Um dos lances mais geniais eram as falas do Dj Black Boy (que era feito pela atriz Nara Gil) , uma espécie de locutora dos episódios, era isso que incrementava e dava o tal ritmo de videoclipe nas aventuras da turma.

Ótimas cenas também eram vistas com Zelda Scott (Andréa Beltrão) que era uma espécie de “Aline” por se envolver num triângulo amoroso com Juba e Lula e resolverem seguir assim. Penso no repúdio de algumas pessoas mais velhas nesta época. Mais sensacional ainda eram as suas cenas com o seu chefe do jornal em que trabalhava (Francisco Milani, o eterno Seu Saraiva). Se eles tinham que despachar um trabalho ele aparecia como um ‘Pai de Santo’ fazendo despacho ou ainda trabalhando numa praia fazendo alusão a expressão ‘sombra e água fresca’ e por aí vai, sem hora para acontecer dentro do próprio escritório, simplesmente comentava-se algo e lá estavam eles num navio em alto mar ou de repente no ‘fundo do poço’, literalmente.

Ontem e Hoje

Kadu Moliterno – Juba

André De Biase – Lula

Andréa Beltrão- Zelda Scott

Jonas Torres- Bacana

Curiosidades

  • Depois do término da série foi ao ar em 1989 “Juba e Lula”, mas teve curta duração. Lembram do grito? ‘Juba e Lula, hooooooooooo’?
  • O triângulo amoroso entre Juba, Lula e Zelda foi inspirado no filme “Jules et Jim”, de Truffaut.
  • Cada episódio levava cerca de 12 dias para ser montado, era muito para um programa televisivo, mas era o suficiente para a criatividade vencer a barreira imposta pelos poucos recursos a disposição
  • O “QG” da ‘Armação Ilimitada’ ficava realmente num estúdio abandonado da Rede Globo.
  • O carro utilizado pelos personagens nas histórias era o mesmo que os atores utilizavam para pesquisar possíveis locais para as filmagens
  • O título foi criado a partir da junção das palavras “ar”, “mar” e “ação”.
  • Kadu Moliterno chegou a quebrar duas costelas, perder dois dentes e receber 13 pontos na perna, tudo por causa da dispensa de dublês, o que foi proibido depois pela Globo para mantê-los ‘vivos’, cuidando da integridade física dos mesmos.
  • Nas cenas de nudez quando apareciam as tarjas pretas nem sempre os atores tinham algum tipo de roupa por baixo, teve um episódio mesmo numa tribo indígena em que todos filmaram completamente nus, para dar mais ‘realismo’ as cenas
  • As calças estilo camuflagem militar usadas os protagonistas viraram moda na época, eram conhecidas como“calças Juba e Lula”.
  • Dentro os vários países que compraram a série estão a Argentina, Chile, Portugal, França, Mônaco, Bélgica e Alemanha
  • O tema musical da série executado por Ari Mendes era ‘praticamente idêntico’ (entenda como quiser) ao da música “Say What You Will”da banda americana Fastway, lançado em 1983.

Esse Era Bala!

Utilizando uma linguagem ‘inovadora’ na época com muita cultura pop, visual de quadrinhos (com direito a balões de fala) e mesclando de forma muito interessante aventura com humor, sarcasmo e até surrealismo (metalinguagem também se você for maduro), “Amação Ilimitada” merece com todo louvor o selo “Esse Era Bala!”.

Se você viveu nesta época me diga, era ou não o puro sabor do sucesso?

Fontes: Wikipedia, InfanTv.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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12 Comments

    • Criado no formol, por isso que continuo jovem apesar de ter nascido na década de 80 hahahaha

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  1. AMAVA!
    E quem quem amava, né?
    Pooo, talvez pelo sarcasmo, as passagens literais ou sei lá o que, as cenas que mais curtia era as do Chefe hihihihi =P
    Outro dia no Viva eu vi justamente essa que você comentou do navio, muito sem noção! <3

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  2. PS: Qd morava no RJ peguei metro com o Bacana =D

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      • Meu Deuuuusss
        Vc precisa ir para o RJ urgente!!!
        Nem tudo se resume a Laaaaaaaapa =P
        hahahah

        Pior que, se não me engano ele desceu no centro, capaz de ter ido mesmo
        hehehehe
        Mas pegou o metro na Estação perto de casa, praticamente meu vizinho =P

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    • Então você tinha a calça (ou bermuda) “juba e lula”, aquela camuflada hahahaha

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  3. Eu acho uma pena que a Globo não está sabendo criar novos programas não só para o público jovem, mas pessoas em geral com qualidade.

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    • Infelizmente Isabel parece que é o desejo do publico da Tv aberta não assistir programas de qualidade, cada vez que se tem um BBB é audiencia certa. Zorra Total e afins, novelas e mais novelas (já temos novela das 11 agora!), infelizmente é isso.

      O canal Multishow que é da tv fechada tem programas bem legais passando e, para quem não sabe, é da Globo. Como fazer coisas legais eles tem, porque não o fazem é parte culpa dos próprios espectadores.

      Uma pena.

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    • É rapaz, tenho mais receios do que esperança com este filme, mas vamos torcer pra ser pelo menos divertido

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