Nome: The Human Centipede 2 – 2011

Direção: Tom Six

Sinopse: Martin, um homem com muitos problemas psicológicos,  fica obcecado pelo filme A Centopéia Humana e resolve fazer a sua própria versão do horror.

 

 

É difícil falar de A Centopéia Humana 2. Muito difícil mesmo, mais até do que eu poderia imaginar quando resolvi assistir. O burburinho em torno do filme ajudou a criar uma expectativa do quão repulsivo poderia ser esta sequência. Quando o Reino Unido tentou banir o filme, muitos falaram que era um absurdo, não pode haver censura, as pessoas devem decidir o que assistir… eu preferi me omitir. Como posso falar a respeito de algo que eu nem vi? Vocês poderíam até mesmo dizer que não importa o conteúdo, não pode ser censurado… eu diria que não é bem assim. Um exemplo: eu sou totalmente a favor de boicote  (não censura) a filmes que matam animais para suas produções. A grande questão não é necessariamente o ato de censurar algo mas acredito sim na outra ponta: a competição para ver o quanto se pode ir mais baixo para chocar o público. Antes que digam que sou a favor da censura vamos voltar ao filme…

O Reino Unido mudou sua decisão de proibir o filme mas exigiu um total de 32 cortes o que prejudicou de certa forma o choque das ações de Martin e claro, provocou alguns furos no filme. Tudo isso porque classificaram o filme como moralmente repreensivo. E eu concordo. A Centopéia Humana é um filme repugnante. Isso não quer dizer que ele é ruim… sua idéia é chocar, ele consegue isso; o filme tenta ser asqueroso ao ponto de você fechar os olhos para não ver determinadas cenas, nisso ele obteve sucesso. Mas um filme não se sustenta só por isso, então vamos falar sobre o decorrer dele.

Martin é um homem com sérios problemas psicológicos. Ele mora com a mãe que o odeia por ter denunciado o pai que o violentava e o culpa pela prisão e abandono do marido. Além disso, Martin ainda é molestado pelo terapeuta que só piora seu quadro clínico. Tudo isso já é um contexto um tanto bizarro mas some a isso as nuances do nosso vilão Martin: um homem bem acima do peso que por conta disso tem dificuldade de locomoção, tem os olhos esbugalhados, um olhar psicótico, asmático, viciado no filme A Centopéia Humana o qual assiste incessantemente e se masturba (com uma lixa) vendo as cenas  do filme. Ele guarda notícias, fotos, desenhos e uma espécie de maquete em um grande álbum em homenagem a Centopéia Humana. Martin não diz uma única palavra durante  filme e isso não faz dele menos assustador, por sinal, se eu encontrar o ator Laurence Harvey  na rua eu com certeza mudo de calçada. O trabalho dele como este personagem é surreal.

A obsessão de Martin por  A Centopéia Humana fica tão latente que ele decide fazer sua própria centopéia unindo nada menos que 12 pessoas raptadas no estacionamento onde ele trabalha como segurança. Ao contrário do seu  mestre que fez uma cirurgia com anestesia em uma sala de procedimentos médicos, Martin usa uma maleta com grampos, martelos, facas, fita adesiva e muitos outros materiais nojentos.   A partir daí somos “agraciados”  com tudo aquilo que o primeiro filme não mostrou: O gore.

Por falar nisso, esse filme é todo em preto e branco e parece que acontece em um universo paralelo.  Acho que o este recurso foi bem utilizado porque apesar de tudo que vimos  – massacre de uma mulher grávida, de um bebê, extração de dentes, estupro da centopéia, cortes, escatologia extrema – caso fosse em cores seria muito difícil de fazer com  ess grau de realismo e em vez de chocar ficaria tosco. O primeiro filme foi muito ciriticado por não ter sangue e  gore suficiente embora eu acredite que ele foi incrivelmente eficaz no seu papel de chocar. Pense bem, a idéia de um doutor evil formar uma centopéia humana ligando três pessoas no esquema boca-ânus é uma das coisas mais doentias que eu lembro de ter ouvido falar sem contar que deve ser pior do que qualquer tortura mostrada em filmes como O Albergue ou Jogos Mortais. Se não acredita é só tentar se imaginar vivendo – disse vivendo e não morrendo – acoplado em uma centopéia.

Mas o público não acredita nisso. Ele pediu mais, queria ver a Centopéia sendo feita, como seria se pudesse acontecer de maneira mais doentia, com mais sangue, mais gore, mais sofrimento e conseguiram um filme assim. Eu sou fã do primeiro filme porque sou fã de filmes de terror e estou cansada do mais do mesmo. Ele mostrou que a mente humana pode pensar coisas realmente bizarras… enquanto Centopéia Humana 2 é amoral como seu vilão que tem enorme prazer sexual vendo a degradação das pessoas. Filmes como esse me fazem pensar nos rumos que o cinema de terror está tomando. Sei que parece contraditório pois um filme de terror para ser bom precisa dar medo mas ao mesmo tempo pode cruzar uma linha muito tênue em relação o que é medo e o que é chocar. O que me assusta no momento é saber que milhões de pessoas vão assistir A Centopéia Humana 2 e vão achar o filme fraco, bobo sem gore suficiente. Isso me assusta muito mais que o próprio filme e ao seguir por essa linha de pensamento, nascer um Martin por aí não é tão difícil. Por essas e outras deixo a pergunta no ar: O que de fato choca você?

Related Posts with Thumbnails