Já se passaram 10 anos desde que “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” foi lançado, fez sucesso e tornou Audrey Tautou famosa e conhecida. Infelizmente (ou não), este é um dos maiores chamarizes do filme de de Pierre Salvadori “Uma Doce Mentira (De Vrais Mensonges)”. O diretor/roteirista consegue contornar algumas mesmices do gênero com bom humor e todo o charme visual do cinema francês, apesar de que, no final das contas, ele acaba não fugindo da velha e conhecida fórmula hollywoodiana das comédias de romance.

Émilie (Audrey Tautou, “Coco antes de Channel”) recebe uma carta de amor anônima e a joga no lixo sem saber que quem a enviou é seu empregado Jean (Sami Bouajila). Ela recupera a carta quando tem a ‘brilhante’ ideia de enviar para a sua mãe Maddy (Nathalie Baye) que está em um processo depressivo por ter sido deixada pelo marido a uns anos atrás. Incrivelmente a carta dá um novo ânimo para Maddy, fazendo com que tanto Émilie quanto Jean (mesmo sem um saber das ações do outro) se envolvam em “altas confusões do barulho”.

Um dos pontos fortes do filme está no tipo de humor apresentado, bem leve e que não apela para diálogos chulos ou piadinhas de baixo nível como boa parte das produções deste gênero, na verdade, muito dele está centrado apenas nas expressões dos personagens. Basta uma cara de desespero ou surpresa perante alguma situação inusitada para provocar o riso. E claro que o charme da cidade francesa onde ele foi filmado (Sète, situado no sul do país) contribui também para tornar “Uma Doce Mentira” uma obra (um pouco) diferenciada.

O estigma de eterna Amelie Poulain acaba, por vezes, diminuindo o talento de Audrey Tautou que entrega aqui (como de costume) uma atuação interessante nos apresentando uma personagem cínica e insegura de seus sentimentos. É engraçado ver como sua personagem nutre por Jean (interpretado divertidamente por Sami Bouajila) uma rejeição totalmente projetada pela falta de confiança que possui nela mesma. E pra completar o triângulo amoroso entra a sua mãe “doidinha” e “problemática” Maddy, interpretada pela bela Nathalie Baye (particularmente, se tivesse que escolher entre mãe e filha ficaria aqui com a mãe sem nem pensar). Apesar do trio estar totalmente à vontade em seus papéis, quem rouba a cena sempre que aparece e arranca boas risadas (gargalhei em pelo menos duas situações) é a assistente do salão Paulette (Judith Chemla), simplesmente hilária.

Algumas pessoas acreditam que a mentira pode ser um meio eficaz de livrar alguém do sofrimento, mas o problema maior é que mentira, como se sabe, tem pernas curtas. Em determinada parte da história tudo está tão confuso que parece não haver mais saída. É neste momento que “Uma Doce Mentira” perde um pouco do brilho de “cinema de arte” e nos mostra sua faceta hollywoodiana. No geral trata-se de um bom filme, indicado para se ver a dois numa tarde despretensiosa (ou não).


Uma Doce Mentira (De Vrais Mensonges, 2010/2011, 105 min)
Comédia Romântica

Um filme de Pierre Salvadori com Audrey Tautou, Nathalie Baye, Stéphane Lagarde, Sami Bouajila e Judith Chemla.

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