Capitães da Areia

Se eu fosse ganhar 1 real para cada vez que tivesse assistido ao trailer de “Capitães da Areia” nos cinemas eu já estaria milionário. Cecília Amado chegou a me acalmar algumas semanas atrás no twitter dizendo que a estreia aconteceria em breve e essa minha angústia teria um final feliz. A angústia realmente acabou, finalmente pude conferir mais uma adaptação de uma obra de Jorge Amado para os cinemas – vale dizer que da literatura obrigatória do ensino médio ele era um dos poucos autores que me agradava – pena que o final não foi lá muito feliz. A essência de Jorge está presente e é possível senti-la enquanto acompanhamos a história, entretanto, o elenco amador prejudica e muito o resultado final.

Dora, Pedro Bala e o amor juvenil

Baseado no romance homônimo de Jorge Amado, seguimos a vida de um bando de menores abandonados em Salvador nos anos de 1930. Liderados por Pedro Bala (Jean Luis Amorim), eles seguem seu dia a dia praticando alguns roubos e lutando para sobreviver e enfrentar toda sorte de dificuldades nas ruas da capital baiana onde são conhecidos como os Capitães da Areia.

Já faz pouco mais de uma década que li o livro (nossa, como estou velho) e, portanto, não tenho muito embasamento para falar o quão fiel o filme está em relação à obra escrita. Analisando apenas o filme, o que se vê é que os personagens (que são muitos) foram até bem apresentados, mas o ritmo dos acontecimentos na história não possui muita força, as passagens vão se sucedendo sem que nos importemos o tanto que deveríamos nos importar com elas. Existe um processo de amadurecimento dos garotos no romance original (isso ainda tenho forte em minha memória literária), em principal o de Pedro Bala, que aqui não é muito marcante.

A estratégia de se utilizar artistas amadores para representar quase todo elenco (além dos garotos temos até uma ponta com Dadá, famosa quituteira baiana) se mostrou um verdadeiro tiro no pé. A tentativa parecia ser a de dar um ar mais ‘verdadeiro’ e condizente com os personagens, mas os garotos são tão ruins, mas tão ruins atuando, que fica difícil acompanhar a história com alguma seriedade. Os diálogos são visivelmente decorados e muito mal executados (para não dizer que sou muito crítico os dialetos soteropolitanos são bem verossímeis), me lembrou minha época de escola com minhas terríveis apresentações “teatrais” (e olhe que geralmente eu fazia parte do cenário. Uma vez fui uma árvore, juro).

Um livro tão bom como “Capitães da Areia” merecia uma adaptação melhor, sei que não deve ter faltado carinho até porque estava a cargo de Cecília Amado que é neta do autor do romance, mas faltou muita coisa para não ser apenas mais uma fraca adaptação, daquelas que não serão muito recomendadas ou lembradas daqui para a frente. Se quiser mesmo conhecer a história desse bando de garotos criados da incrível mente de Jorge Amado recomendo que fique com o livro, este sim vale muito a pena.


Capitães da Areia (2011 – 96 min)
Drama

Dirigido por Cecília Amado com roteiro de Cecília Amado e Hilton Lacerda adaptando romance de Jorge Amado. Estrelando: Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Robério Lima, Paulo Abade, Israel Gouvêa, Ana Cecília, Marinho Gonçalves e Jussilene Santana.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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20 Comments

  1. Dá até vontade de chorar quando lembro da tortura que passei durante um ano assistindo ao bendito trailer em quase todas sessões que ia. Jurei que não iria assistir, mas a curiosidade falou mais alto.

    Realmente incomoda como os atores praticamente lêem o roteiro. Mesmo que Cecília quisesse utilizar atores amadores, acho que pelo menos o Pedro Bala deveria ter sido interpretado por um profissional para diminuir este efeito negativo.

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    • Eu também já não aguentava mais quando ouvia a musiquinha de Carlinhos Brown e a molecada correndo, pensava: “oh Deus, não aguento mais!”

      Dos atores ‘amadores’ apenas o Boa Vida tem uns lampejos. Alguns até entregam boas expressões e se portam bem na tela, mas o roteiro “lido” incomoda demais, é risível.

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  2. Fala Márcio!

    Rapaz, eu me identifiquei muito com seu primeiro parágrafo comentando sobre sua ansiedade pelo filme, incentivado pelos repetidos trailers, porém nem me dignei a ir assistir o filme nos cinemas, mesmo sempre tendo dito que iria para minha namorada.

    Eu simplesmente ficava em extase quando via o tease, mostrando eles correndo na praia, mas quando saiu o trailer, meu DEUS! Que coisa triste, que frustração, todo meu interesse subitamente desapareceu e nem fui ou irei assistir por ter percebido exatamente o que você mencionou na sua resenha.

    Fica aquela ponta de tristeza, de fato, por ter sido jogado fora mais uma ótima fonte para se fazer um bom filme.

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  3. Já eu achei que os atores amadores não comprometeram tanto, mas o problema mesmo é o roteiro. Enfim, uma grande oportunidade perdida.

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    • Como assim Carreiro? Os diálogos são piores que pecinhas de escola do ensino fundamental. Eles decoraram as falas e sairam repetindo pessimamente.

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  4. Sério que o filme foi fraco??? vou epserar um link de torrent então.. rs

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    • E olhe eu ainda fui bonzinho, teve gente que odiou. Os atores são muito muito fracos.

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  5. O problema não é usar atores amadores, é usar atores ruins. A tática foi a mesma de Cidade de Deus, utilizar atores advindos de grupos de teatro das favelas, das ONGs, dos projetos sociais. Só que CdD conseguiu achar atores bons, além de ter tido um grande trabalho de preparação. Vale muito a pena ver o extra do DVD.

    Além dos atores ruins, o problema de Capitães de Areia também tá no roteiro. É uma história sem sal de romance entre Pedro Bala e Dora, com um pouco de rivalidade com o outro bando. Os personagens têm pouca profundidade, parecendo que apenas tão ali, sobrevivendo.

    O livro também não tem nenhuma grande história, é um retrato da vida do bando, com pequenas histórias periféricas. Mas os personagens são muito bem construídos e nada é superficial. Acho que o filme é isso, superficial.

    Mas a fotografia e a trilha sonora é legal 🙂

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    • Eu fico imaginando os atores que perderam no teste, devem ser terríveis hehehe. As músicas que compõem a trilha sonora eu gostei também, são bonitas, só que algumas cenas elas são encaixadas tão “diretamente” que soa até infantil. Exemplo: Cena no carrossel, ai vem uma musica: “O Carrossel nao sei o q…” hehehe. Mas não entendo nada dessa parte musical, então nem sei se devo opinar a respeito disto.

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  6. Concordo contigo, Marcio.
    Os atores prejudicaram muito o resultado final.
    Fora que alguns personagens são “jogados” em cena
    e depois desaparecem.

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  7. Eu tava até curioso pra ver, mas acabei deixando passar. Agora realmente não tinha cara de que era bom mesmo não.

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  8. Assisti hoje, por falta de opção, atores péssimos, quem quiser, leia o livro, acho que vale mais a pena!

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  9. Respeitei o filme pelo o que Jorge Amado e o livro representam, mas é bem fraco mesmo :/

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  10. Porque que eles não fazem uma adaptação de obras de outros autores ?

    – Eu não vi capitães de Areia, mas pelo que estão dizendo e você mesmo comentou, o filme é fraco D:

    — Eu não aguentava mais esse trailer com a musica do Carlinhos Brown e os muleques gritando e correndo, AHHHHHH QUE SACO!!! perdi até a vontade de ir assistir.

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  11. Primeiramente, a ideia de colocar meninos de rua fora bem pensada, pois ela visou o futuro deles, o que iria acontecer depois do filme, oportunidades… E sim, pra capacidade dos meninos minha gente eles não são atores globais! Foram muito bons. São criticas ridículas quanto ao filme, cinema brasileiro anda evoluindo muito no decorrer dos tempos. Antes de criticar, vamos analisar corretamente minha gente, isso… É uma visão tão fechada tão pequena que estão tendo.

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    • Analisar corretamente na sua opinião seria amenizar as críticas por conta do elenco ter sido feito com amadores e o filme ser nacional, é isso?

      A atitude é linda de colocar meninos desconhecidos, a história é otima mas o filme é bem mais ou menos, fazer o que?

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  12. ,Eu achei bom .o professor é lindo e fofo e o boa vida é ilario a boca de pedro bala é perfeita. estou sendo superficial igual a ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

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