Amizade Colorida (Friends with Benefits)

A cartilha básica das comédias românticas é mais antiga que o próprio cinema, é definitivamente um gênero que não me agrada muito e constantemente procuro evitar. “Amizade Colorida (Friends With Benefits)” não deixa de, no final das contas, seguir a fórmula padrão deste tipo de produção, mas a ótima química dos protagonistas e as boas sacadas apresentadas no filme fazem a diferença.

Na trama conhecemos uma “caça talentos” interpretada por Mila Kunis (“Cisne Negro”) que está tentando fisgar um designer/blogueiro famoso interpretado por Justin Timberlake (“A Rede Social”) para um emprego numa revista conhecida. Ela ganhará um bonito bônus caso ele aceite, mas para isso terá que convencê-lo a trocar a pacata Los Angeles pela agitada Nova York. Uma amizade entre os dois surgem e, tendo em vista todos os desencontros e desilusões amorosas que os dois enfrentaram em suas vidas, eles decidem ter a genial ideia de começarem a fazer sexo, mas sem compromisso, apenas por prazer.

O pensamento que os dois possuem é que um relacionamento sério só iria trazer prejuízos, afinal, sempre que envolve sentimentos começa a dar errado. O ritmo inicial é bem ágil com diálogos e situações bastante divertidas, tudo devidamente contextualizado com o mundo atual, a dinâmica que a tecnologia nos proporciona hoje em dia não é ‘ocultada’ na história como fazem diversas produções, ela está presente e faz parte dos acontecimentos de maneira muito interessante. Além destes aspectos o filme consegue brincar com o próprio gênero em que ele se encaixa, e como é bom rir dos clichês (que quando bem inseridos não fazem mal) e tirar sarro de toda as ‘baboseiras’ manjadas que obras assim nos fazem aguardar.

Fica evidente que nada disso daria tão certo não fossem as ótimas atuações de Mila Kunis e Justin Timberlake (apagando um pouco seu fiasco em “Professora Sem Classe”). Os dois estão muito à vontade nos papéis, tantos nas cenas de humor quanto nas partes mais calientes. As cenas de sexo provocam sem serem de mau gosto e também divertem sem soarem “galhofas”. Fora isso, ainda contamos com um bom trabalho no elenco de apoio.

No final das contas “Amizade Colorida” consegue agradar tanto o público feminino quanto o público masculino. Mas, mesmo com seu jeito modernizado e atualizado, não deixa de ser mais uma jornada de duas pessoas que vão de encontros, separações e desencontros até a conciliação final (se alguém disser que isso é spoiler pode fazer o favor de desaparecer). E quando uma comédia romântica nos faz torcer, ou quanto nada relevar, o tão famigerado ‘final feliz’ nos entretendo e arrancando boas risadas, é porque é mesmo daquelas raras produções do gênero diferenciadas e que merecem um certo destaque.


Amizade Colorida (Friends with Benefits, 2011 – 109 min)
Comédia, Comédia Romântica

Um filme de Will Gluck com roteiro por Keith Merryman, David A. Newman, Will Gluck e Harley Peyton. Estrelando: Mila Kunis, Justin Timberlake, Patricia Clarkson, Jenna Elfman, Bryan Greenberg, Richard Jenkins, Woody Harrelson, Emma Stone e Andy Samberg.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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15 Comments

  1. O filme tem como maiores méritos mesmo a química dos protagonistas e a sátira às comédias românticas, apesar de acabar sendo mais uma.

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  2. A dupla de protagonistas funcionou perfeitamente.
    Foi uma boa surpresa esse filme.

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  3. Também gostei muito desse filme. Faltou você falar dos coadjuvantes, eles são importantes.

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    • Não entrei em detalhes pra não ficar grande o texto mas comentei que o elenco de apoio estava bem hehehe. Tanto o pai do sujeito quanto a mãe doidinha são realmente importantes.

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  4. Eu acho que esse filme consegue dialogar bem com a juventude e às pessoas que precisam de um sentimento, mas que apegam-se a relações sexuais, talvez com medo de se frustrar. O casal é bem próximo do público, Kunis e Timberlake estão em bela sintonia. Ainda assim, é um filme regular, sem maiores surpresas, mesmo sendo mais interessante que aquele fraco “Sexo sem compromisso” com a Portman.

    Ótimo texto o teu, concordei com todos os pontos analisados.

    Em breve publico o meu também no Apimentário, aguarde! Abração!

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    • Fico feliz de verdade Cristiano. Bom, aguardarei pelo seu texto no apimentário!

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  5. tá na lista pra quando sair em 720p.

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  6. Mesmo sendo o de sempre é agradáve. Eu gostei.

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  7. “(se alguém disser que isso é spoiler pode fazer o favor de desaparecer)”

    Isso não é spoiler, é simplesmente a fórmula “dá certo no começo + dá errado no meio + dá certo no final” típica desse gênero mesmo!!! Difícil ter algo novo…

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  8. Gostei de mais dos filmes. Eu sou meio suspeito por ser fã de comedia romantica, mas foi um filme que teve realmente um certo destaque em relacao aos do mesmo genero.
    As falas e o geito de ser dos personagens sao muito agradaveis de se ver. Eu aprovo.
    Porra man!

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    • Valeu rei, já eu não sou tão chegado em comédia romântica, mas essa é realmente daquelas poucas que agradam a todos.

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  9. Porra, Man! Concordo contigo em número gênero e grau. Ótima química, ótimo elenco de apoio e ótima situações que acabam nos preparando para o final melado, que até gostamos.

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  10. é um bom filme….por um momento eu achei que ia ficar só em sexo..mais não se resumiu só a isso..a química do casal é boa…tem seus momentos engraçados..até que a atuação de Justin Timberlake não é um tão ruim…no final é uma boa opção pra quem gosta de comédia Romântica!!

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  11. Senti uma certa nostagia vendo Hiro Nakamura falando a palavra Hero novamente.

    Custi o filme, o único porém é que Timberlake poderia ficar sem cantar, porque quando ele canta eu lembro que ele é Timberlake, aí phode.

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  12. Finalmente assisti e digo: vale mesmo os 4 controles. Também não sou chegado ao gênero de comédias românticas por serem sempre muito piegas, mas esse aqui conseguiu inovar e divertiu bem.

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