Trust – 2010

 

 

“Annie tem 14 anos e vive com sua família em uma confortável casa. O clima entre seu pai, mãe, irmãos parece muito harmonioso e como qualquer adolescente ela adora internet. O problema é que Annie conhece alguém chamado Charlie em uma sala de chat mas ele é mais perigoso do que se imagina e essa descoberta vai mudar a vida de toda a sua família.”

Certo dia eu estava no salão de beleza e na tv passava um programa jornalístico onde um homem havia sido preso em flagrante fazendo sexo com uma garota de programa de 14 anos na região da Ladeira da Montanha ( local conhecido por ser um ponto de prostutição em Salvador). Logo depois que passou a reportagem, uma senhora que estava ao meu lado comentou que a garota não era nenhuma inocente, cobrou pelo serviço; afinal hoje tem muita menina que dá a volta em mulher feita. Aqueles comentários me deixaram tão atordoada que ensaiei dar uma resposta mas me contive. Não importa o que eu viesse a dizer, nada mudaria o conceito que aquela senhora tinha. Como eu poderia dizer a ela que a menina é uma vítima e que o adulto em questão é totalmente responsável? Não interessa se ela se ofereceu, se cobrou, se andava nua pela rua ou de quatro pelo chão… ELE é o adulto e cabe a ELE dizer não. Isso é tão absurdo quanto dizer que a culpa de um estupro é da mulher que estava com uma roupa curta ou se oferecia.

Quando ouvi falar de Trust não demonstrei muito interesse em assistir mas posso dizer que o nome de Clive Owen e Catherine Keener tiveram peso decisivo na escolha. O fato de David Schwimmer ( Dr. Ross Geller de Friends) ser o idealizador também teve seu crédito. Acreditava que o filme teria uma idéia muito parecida com a do filme Desaparecimento de Megan, essa história de predador sexual, internet, crime, poderia ser a mesma história mas com rostos conhecidos na tela. Me enganei. Apesar da temática ser a mesma Trust se revela totalmente diferente de seu colega pois mostra três visões diferentes de uma tragédia (Annie, Mãe, Pai) mas ao final do filme entendemos que são na verdade 4 visões … isso é o mais assustador.

Em Trust, Annie é uma adoelscente confiante, com uma família feliz, boa relação em casa, boa aluna e praticante de vôlei na escola. Como qualquer adolescente ela é insegura quanto sua aparência e as vezes acredita que nunca se encaixará pois não é uma garota popular e custa a se enturmar com as meninas descoladas. Quando faz 14 anos, ganha do pai um MacBook que facilita muito suas conversas com seu amigo virtual Charlie, um garoto de 16, esportista e que mora na Califórnia. Sem grande alarde, Annie vai se aproximando cada vez mais dele, trocam sms, conversam via chat, depois de um tempo passam a falar por telefone. Ele é um garoto encantador, escuta o que ela tem a dizer, a incentiva, fala coisas românticas mas assume sua primeira mentira: ele não tem 16 anos e sim 20.  Finalmente eles marcam de se encontrar e desse fatídico encontro a vida de Annie e sua família nunca mais será a mesma.

Uma das coisas que chamam a atenção em Trust é a forma como o estupro de Annie pesa em toda a família. O crime desestrutura a todos e tem impactos diferentes em cada um de seus membros, principalmente no pai que fica totalmente obcecado em encontrar o homem que estuprou sua filha. Esse tom realista e os arcos dramáticos são muito bem construidos apesar das situações sem muito sentido a exemplo do bullying que Annie sofre após os colegas de escola descobrirem o estupro. No geral, é mais um filme que todos os pais deveríam assistir e entender como devem estar vigilantes com seus filhos principalmente em relação as redes sociais.

*Acompanhem a cena que surge durante os créditos.

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Author: Dani Vidal

Dani Vidal (@danividal) é formada em Relações Públicas e autora do blog Feminina. Apesar de não dispensar um terror recheado de zumbis, chora copiosamente com um bom drama. Acho que nossa postura com a sétima arte é como se achar técnico de futebol. Ninguém é especialista mas todo mundo tem uma opinião e adora criticar a escalação.

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16 Comments

  1. Na minha humilde opinião merecia mais um controle!
    o filme é muito bom, vale a pena ver

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  2. Não entendi direito o final desse filme… Era só para mostrar o cara mesmo? Ou tinha alguma outra finalidade?

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    • Mostrou que o cara é um sujeito “comum”.. normalmente é assim mesmo. Pai de família… com um emprgo fixo, amigos, acima de qualquer suspeita…

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  3. Gostei MUITO do filme. Me manteve atenta do início ao fim. David Schwimmer conseguiu tratar um tema delicado de forma direta sem obrigar o espectador a ver cenas fortes. Os atores, na minha opinião, foram escolhidos a dedo e a direção de David fez com q eu me interessasse por todos os personagens. Para quem se acostumou a ver Clive Owen em filmes de ação foi uma grata satisfação descobrir que Clive é um excelente ator dramático. David Schwimmer soube respeitar a delicadeza fo tema e a fragilidade humana e entregou uma direção sensível e inteligente. Recomendo o filme para a galera de 12 aos 18 e para todos os pais de adolescentes.

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  4. Não gostei do crime não ter sido solucionado, eles poderiam ter dado um fim à pelo menos um caso.

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  5. tbm nao gostei, fiquei na expectativa de um final…mas aparece “continua” quem sabe daki 2 anos sai a continuação…bjuss

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  6. Ainda n vi, mas vou baixar um dia desses (me interessei).

    Fabi, uma coisa nem todo filme que tem um final não explicado terá a continuação… :)!!!

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  7. Eu gostei do filme. É interessante, sobretudo o fato de o filme deixar bem claro que há visões diferentes dentro da família acerca do crime ocorrido. A mãe parece que teve uma postura mais de tentar superar o drama que ocorrera, estava ali tentando contornar a situação e apoiar a filha a fim de que a história não assumisse feições mais graves ainda.

    Agora sobre o pai, para mim, é um típico cara que não consegue admitir que a filha já sabe muito bem o que é sexo e demonstra uma curiosidade muito grande sobre o assunto. Isso fica bem claro quando ela pergunta se o Charlie era virgem em uma das cenas do filme e no histórico a que o pai tem acesso onde ela falava abertamente sobre sexo com o Charlie e que o pai fica indignado quando lê e arremata dizendo que ela parecia uma prostituta naquele momento.

    Não vou critiar a atitude da jovem e dizer que ela teve culpa consciente no que ocorreu. Claro que não! Afinal de contas, era uma menina de 14 anos, que estava se desabrochando sexualmente. Natural que ela tivesse curiosidade sobre o assunto e quisesse conversar sobre ele com alguém em que ela tivesse confiança e que achava que nutria por ela alguma estima;já que, ao que tudo indica, sexo era tabu na família ao menos com ela, que era menina,porque com o irmão mais velho; o qual deveria ter seus 17,18 anos, parece que o assunto era, sim, debatido e isso, também, é mostrado em uma cena do filme onde ele está se preparando para ir à faculdade e o pai, em tom de brincadeira, pergunta se ele não irá levar as Playboys também e o menino diz que há três anos, ou seja, quando ele tinha mais ou menos a idade da irmã mais nova, ele e o pai falaram de sexo pela primeira vez um com o outro.

    Como se não bastasse, ela ainda era uma adolescente complexada, sem muitos amigos e que se sentia marginalizada na escola e parecia não despertar a simpatia do grupo das meninas que eram consideradas as mais populares da escola e que já faziam sexo. Isso também fica bem evidente numa cena em que ela é convidada para uma festa e lá encontra algumas meninas em práticas sexuais. Então, nesse contexto, o Charlie parece ser a única pessoa que a compreende e para quem ela confidencia até que comprou um sutiã novo, um bem sensual já para mulheres adultas.

    Agora, francamente, como eu disse lá em cima, achei a atitude do pai muito exagerada e ali é o típico cara que não consegue admitir que a filha já deseja o sexo. Ele se recusa tanto em acreditar nisso que fica imaginando a menina gritando no momento do ato, implorando que o pai venha socorrê-la e, no entanto, não foi assim. Ela só ficou um tanto constrangida, arredia e esquiva o que era completamente natural dadas às circunstâncias. Parece que nem ela mesma, nos primeiros momentos, dá-se conta de que fora ” molestada”. A ficha so cai depois que ela percebe que o cara não a ama. Parece que na cabeça da menina estupro é sexo sem amor. Foi o que o filme deixou bem claro ao menos para mim e também achei que o momento em que ela admite que foi “molestada” é mais uma forma de externar a raiva que ela está sentindo por ter sido enganada, pois o tempo todo ela parece conviver muito bem com a ideia de ter tido a primeira relação. A meu ver, a frustração dela não é essa relação aconteceu e sim o fato de o Charlie ter sumido da vida dela depois que ficaram juntos. Claro que, legalmente, transar com menores de 14 anos é crime e deve ser mesmo a fim de que práticas sexuais envolvendo menores sejam coibidas. Mas eu sempre achei muito impróprio esse termo estupro, nessas circunstâncias, cmpletamente impróprio! Até porque as meninas de 14 anos agora não são mais aquelas meninas bobinhas de antigamente. A maioria das meninas de 14 anos hoje em dia sabem muito bem o que é sexo, como se faz, o que ocorre durante o ato e tudo mais e isso também é uma fala da própria menina molestada no filme onde ela diz que muitas meninas da escola já haviam transado com metade do time. Agora quando essas mesmas meninas transam com um maior de idade, querem fazer drama, dizer que o homem em questão a ” molestou” como se fizesse diferença depois de tantas relações, a menina transar com um maior de idade.

    Particularmente, acho isso uma hipocrisia porque muitas famílias já admitem que a escola fale abertamente sobre sexo com seus filhos, alertando sobre o uso da camisinha e tudo e isso a jovens de 14, 15 anos…. Ora, se a aula existe, é porque se sabe que garotas e garotos, nessa idade, já tem relações sexuais. Segundo pesquisas, os jovens brasileiros se iniciam sxualmente, em média, aos 15 anos. Muitos até bem antes disso. Agora quando a relação ocorre com um maior, querem dramatizar a situação. Quer dizer: dois menores transarem sem problemas! Agora se a transa ocorrer com um maior é estupro? Como se o menor não soubesse o que está fazendo… Porque eu tô vendo um contra-senso nisso aí: se eu permito que o meu filho de 13 anos(tive aula de sexo com essa idade o colégio)tenha aula de sexo no colégio, é porque, implicitamente, eu também estou admitindo que ela pode transar. Pelo menos, é assim que eu vejo as coisas.

    Agora quando o sexo ocorre com um maior, querem transferir toda a culpa para o adulto apenas ao argumento de que é um adulto…. Na verdade, penso eu que essa culpa devesse ser repartida. Aí, sim, teria-se um modelo de punição mais justo.

    Todo mundo sabe que homens são seres visuais por natureza e as menininhas hoje usam roupas muito provocativas. Observou a roupa com que a menina do filme vai se encontrar com o cara? Claro que ela queria ali se mostrar mais atraente, mais sensual. Óbvio que ele era um mentiroso que já estava ali com más intenções. Então o ato sexual iria ocorrer até se ela estive de burca. Mas o que quero dizer é que um homem não vai mitigar o seu desejo por qualquer menina que o acenda, andando nua, rastejando, ou andando de roupa curta para levar em consideração a idade dela… Não dá mesmo para gente acreditar que isso vá ocorrer. OK, o homem tem culpa, tem! Agora fazer esse escarcel como se a menor fosse uma vítima, paciência!

    Parece que o amigo do pai da menina também pensa a mesma coisa que eu porque ele não parece ter se consternado muito com a situação depois que soube como ela havia se dado.

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    • Do jeito que vc fala parece que ed. Sexual eh tipo um curso que dá ao aluno um diploma, um certificado “agora vc pode fazer sexo”… bizarro. Na verdade tem mais a ver com o ditado popular “melhor previnir do que remediar”. Não quer dizer que todos os alunos vão sair da aula e fazer sexo, só vão estar mais preparados para quando isso acontecer eventualmente, além de entender sobre reprodução.

      Mas o que achei mais bizarro eh vc dizer que esse caso específico do filme eh uma relação de uma menor com um adulto, como algo consensual. Quando na verdade o cara mentiu a idade dele em vários momentos e manipulou uma menina virgem de 14 anos pra comer ela e depois fugir. Ele fugiu pq sabia que era crime, e vc aí falando que eh exagero da sociedade. Esse cara usava a internet pra “caçar” garotas. Um pedofilo que conhece a instabilidade emocional de uma adolescente e sabe como esconder sua identidade.

      E ela nao ficou com raiva pq o cara nao amava ela. Mas pq finalmente ela conseguiu entender que o carinha de 20 anos que ela gostava simplesmente não existia e que ela tinha sido enganada por um velho que queria comer ela e planejou tudo friamente.

      Uma coisa que acho que vc esqueceu eh que… seja por muitos estimulos visuais ou o que for, os adolescentes se desenvolvem sexualmente mais cedo, mas a cabeça ainda eh de adolescente, de criança algumas vezes. Por isso nao eh legal (nos dois sentidos) um cara de 50 anos querer ter relação sexual com uma menina de 14!!!! Eh puro fetiche imoral!!!

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  8. É po, o filme mostra que qualquer um pode ser um pedófilo, assassino, qualquer coisa do tipo, muito bom esse filme.

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  9. Na verdade achei a atuação da Annie (não sei o nome da bendita) muito melhor que a do Clive Owen nesse filme… Ele se frustra nas cenas de choro, e não passa o desespero que se espera, fazendo bem só as cenas de raiva – que aliás são sua especialidade.

    Já a pequena protagonista passa tanta veracidade em seus sentimentos que chega a dar pena da adolescente apaixonada pelo próprio estuprador que tirou sua virgindade (o que de fato acontece com a maioria das adolescentes com seu primeiro amor sexual 8*)

    No mais, concordo com o comentário acima no tocante a aumentar mais uma estrela na classificação – embora o final “sem final” deixe bastante a desejar, pricipalmente sem a previsãod e continuação.

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  10. Eu assisti esse filme por ordem do meu pai, que percebeu que eu estava me comunicando com pessoas ”estranhas” na internet. Olha, acho q vocês deveriam dar um voto de confiança pra gente, porque, se um dia sofrermos algo, como vamos confiar em desabafar com nossos pais ou com adultos de confiança se não tivermos certeza de que eles não vão nos julgar? Olha, uma amiga minha, Izabela, conheci na net, sei quem ela realmente é, tenhos fortes laços com ela e não quero que minha amizade com ela acabe. Mas, meu pai fez eu excluir todas as minhas redes sociais, e realmente fico muito triste com isso. Detesto fazer coisas escondida, mas não posso imaginar minha vida sem a Iza, que sempre me apoia quando estou certa e me corrije quando estou errada. Enfim, só digo uma coisa: instalar um espião no pc antes mesmo de seu filho ou filha ter feito algo que o leve a questionar se deve confiar ou não nele, é um ato horrível. De fato, instalar um espião no pc é um ato que eu considero justificável somente se feito em última instância, quando não tiver mais nenhuma outra solução menos invasiva.

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  11. Muito ruim final idiota achei que o cara ia morrer

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  12. Na real concordo com a Fabíola… A garota só ficou frustrada pq o cara não quis saber mais dela, da transa ela gostou. Tenho duas filhas, mas tanto eu quanto elas concluimos que o filme mostra o perigo de se encontrar com estranhos sozinha, mas ela teve a chance de dizer não quando ele assumiu a idade no encontro. Pra nós isso não é estupro… é curiosidade, vontade de não ser a única virgem da turma, essas coisas de adolescente. Eu ensinei as minhas a como eu, transar quando estiver pronta, com proteção. E só.Escolher a idade do parceiro é hipocrisia, até porque alguém tem que saber o que tá fazendo.Eu tinha 14 e meu namorado 18, só não rolou porque eu não quiz, ele era virgem. Se rolasse seria estupro? Ridículo. Todas as garotas costumam perder a virgindade seguindo algum padrão: data de algum aniversário, junto com uma amiga, porque todo mundo já fez, etc… No fundo quem dá valor pra virgindade é homem. Primeira transa não é contrato de casamento, é sexo. Tem que ser legal,e geralmente é ruim. Estupro é quando um diz não…querendo dizer não. O resto é só código penal.

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  13. no final qria q ele fosse preso … mas fora isso o filme é mt bom e merece ser assistido, pois trata-se d uma realidade existente

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