“Annie tem 14 anos e vive com sua família em uma confortável casa. O clima entre seu pai, mãe, irmãos parece muito harmonioso e como qualquer adolescente ela adora internet. O problema é que Annie conhece alguém chamado Charlie em uma sala de chat mas ele é mais perigoso do que se imagina e essa descoberta vai mudar a vida de toda a sua família.”

Certo dia eu estava no salão de beleza e na tv passava um programa jornalístico onde um homem havia sido preso em flagrante fazendo sexo com uma garota de programa de 14 anos na região da Ladeira da Montanha ( local conhecido por ser um ponto de prostutição em Salvador). Logo depois que passou a reportagem, uma senhora que estava ao meu lado comentou que a garota não era nenhuma inocente, cobrou pelo serviço; afinal hoje tem muita menina que dá a volta em mulher feita. Aqueles comentários me deixaram tão atordoada que ensaiei dar uma resposta mas me contive. Não importa o que eu viesse a dizer, nada mudaria o conceito que aquela senhora tinha. Como eu poderia dizer a ela que a menina é uma vítima e que o adulto em questão é totalmente responsável? Não interessa se ela se ofereceu, se cobrou, se andava nua pela rua ou de quatro pelo chão… ELE é o adulto e cabe a ELE dizer não. Isso é tão absurdo quanto dizer que a culpa de um estupro é da mulher que estava com uma roupa curta ou se oferecia.

Quando ouvi falar de Trust não demonstrei muito interesse em assistir mas posso dizer que o nome de Clive Owen e Catherine Keener tiveram peso decisivo na escolha. O fato de David Schwimmer ( Dr. Ross Geller de Friends) ser o idealizador também teve seu crédito. Acreditava que o filme teria uma idéia muito parecida com a do filme Desaparecimento de Megan, essa história de predador sexual, internet, crime, poderia ser a mesma história mas com rostos conhecidos na tela. Me enganei. Apesar da temática ser a mesma Trust se revela totalmente diferente de seu colega pois mostra três visões diferentes de uma tragédia (Annie, Mãe, Pai) mas ao final do filme entendemos que são na verdade 4 visões … isso é o mais assustador.

Em Trust, Annie é uma adoelscente confiante, com uma família feliz, boa relação em casa, boa aluna e praticante de vôlei na escola. Como qualquer adolescente ela é insegura quanto sua aparência e as vezes acredita que nunca se encaixará pois não é uma garota popular e custa a se enturmar com as meninas descoladas. Quando faz 14 anos, ganha do pai um MacBook que facilita muito suas conversas com seu amigo virtual Charlie, um garoto de 16, esportista e que mora na Califórnia. Sem grande alarde, Annie vai se aproximando cada vez mais dele, trocam sms, conversam via chat, depois de um tempo passam a falar por telefone. Ele é um garoto encantador, escuta o que ela tem a dizer, a incentiva, fala coisas românticas mas assume sua primeira mentira: ele não tem 16 anos e sim 20.  Finalmente eles marcam de se encontrar e desse fatídico encontro a vida de Annie e sua família nunca mais será a mesma.

Uma das coisas que chamam a atenção em Trust é a forma como o estupro de Annie pesa em toda a família. O crime desestrutura a todos e tem impactos diferentes em cada um de seus membros, principalmente no pai que fica totalmente obcecado em encontrar o homem que estuprou sua filha. Esse tom realista e os arcos dramáticos são muito bem construidos apesar das situações sem muito sentido a exemplo do bullying que Annie sofre após os colegas de escola descobrirem o estupro. No geral, é mais um filme que todos os pais deveríam assistir e entender como devem estar vigilantes com seus filhos principalmente em relação as redes sociais.

*Acompanhem a cena que surge durante os créditos.

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