Não são todos os que conseguem entregar para os cinemas uma história interessante quando estamos falando de viagens no tempo, poucos foram os que se sobressaíram. Ver uma produção nacional como “O Homem do Futuro” dosar bem todos os clichês que este tipo de produção traz e ainda unir uma história (boba sim) de amor de maneira tão divertida é, pelo menos para mim, muito bom de se ver. E os créditos devem ser dados tanto ao diretor e roteirista Cláudio Torres (que voltou a ganhar pontos comigo depois de ter me decepcionado um pouco com “A Mulher Invisível” em 2009) quanto para o talentosíssimo Wagner Moura.

A trama segue a história de um cientista chamado João “Zero” (Wagner Moura, “Tropa de Elite 2”) que sofre com um amor passado que teve com Helena (Alinne Moraes, “Os Normais 2”). João trabalha em uma máquina aceleradora de partículas com intuito de conseguir uma nova forma de energia mais barata, mas o experimento “dá errado” e ele acaba criando uma máquina do tempo e indo parar no ano de 1991, bem no dia em que toda a sua vida tomou este rumo que o transformou numa pessoa arrogante e rancorosa. Ele então tem a chance de tentar mudar as coisas do seu jeito.

O filme ‘brinca’ muito bem com os paradoxos das viagens no tempo, de certa forma homenageando (chupando fica para filmes medíocres que não fazem direito) obras como “De Volta Para o Futuro”, por exemplo. E ele consegue apresentar de forma muito bem bolada todos os incidentes que as mudanças nos acontecimentos geram ou poderiam gerar mais a frente. Mas como é um filme destinado para um público mais amplo temos que ter a historinha de amor também e Claudio Torres consegue mesclar muito bem o romance – que é mesmo absurdo no início da relação dos personagens – fazendo com que o espectador torça para que os dois fiquem juntos ao mesmo tempo em que se diverte com todas as situações apresentadas.

Uma das coisas que surpreendem, por se tratar de uma produção nacional, são os efeitos visuais que estão em um nível bem acima do que acostumamos ver por aqui, mesmo não sendo lá nada excepcional. A trilha sonora também é certeira, mas é aqui que entra o contraponto para aqueles que não gostam de Legião Urbana, a cena musical que se repete no filme (e já estava no trailer) foi acompanhada por mim cantarolando, mas tem aqueles que achem essa banda chata demais. Eu sou do grupo que se orgulha de ter vivido, acompanhado e curtidos seus grandes sucessos.

Não sei se ainda existe espaço para falar do talento de Wagner Moura, mas é impossível não exaltar as qualidades de “O Homem do Futuro” sem comentar o belo trabalho do ator na composição de seu personagem, ou melhor, de seus personagens já que, a cada viagem temporal, um novo Zero com personalidade própria pode ser visto. Para mim, apenas a versão cientista maluco arrogante está um pouco “afetada” além da conta, ainda assim, o destaque no elenco fica obviamente com ele. O restante faz um trabalho que pelo menos não compromete, Ceylão está divertido e Alinne Moraes faz muito bem o papel de gostosa e, quando é exigido dela um pouco mais, não decepciona.

Fugindo dos padrões nacionais de cinema (por mais que lá fora já tenhamos visto coisas parecidas de montão), “O Homem do Futuro” é daqueles trabalhos que merecem ser assistidos no cinema, pois precisam ser valorizados. De fato tem momentos bobinhos e o final mesmo que seja bem bolado é um pouco explicado demais, mas nada dessas pequenas coisinhas consegue tirar o brilho que saiu dos meus olhos enquanto os créditos subiam. Divertido, bobo, clichê, romântico, é tudo isso sim, mas na medida certa.


O Homem do Futuro (2011 – 103 min)
Comédia, Romance, Ficção científica.

Um filme de Cláudio Torres com Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luisa Mendonça, Gabriel Braga Nunes e Fernando Ceylão.

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