Assim que “Apollo18” chega ao fim, uma mensagem pode ser ouvida por todos aqueles que tem o mínimo de bom gosto: “Houston, we have a bad movie”. Seguindo a já aborrecida linha do ‘feito a partir de acontecimentos reais’ – sempre contando com o auxílio de material e/ou vídeos descobertos “misteriomagicamente” – o filme até conta com boas atuações, mas o clima de suspense é prejudicado por um roteiro risível, cenas manjadíssimas e até mesmo o tal mistério é deprimente.

Se a própria ida ao homem à lua já é envolta para muitos em toda uma rede de teorias conspiratórias, o que dizer da tal missão Apollo 18 quando é divulgado oficalmente que a última foi a Apollo 17? E é justamente nessa ‘brecha’ que o espanhol Gonzalo López-Gallego se apoia para simular uma história que conta (no mundo imaginário do faz de contas) os tais acontecimentos que nunca foram revelados. Tem até um site [http://www.lunartruth.org/] que é divulgado durante os créditos onde você poderia saber a verdade. Lindo é quando você entra e tem lá dizendo “censurado, veja tudo no filme”.

Na trama (sim, isso mesmo, deixe de ser bobo) acompanhamos a tal missão “Apollo 18” com um pequeno grupo de astronautas, pausa para cenas de dias felizes com a família e amigos na terra, pronto, podemos torcer por eles já que foram humanizados o suficiente para nos cativar com estas cenas. Ao chegar na lua coisas estranhas começam a acontecer e, pelo visto, a tal missão tinha outros objetivos que eles desconheciam.

A premissa é até interessante e poderia render um bom suspense não fossem as absurdas faltas de coerência e furos no roteiro, sem contar com toda essa chatice de querer se passar por algo verídico. Pensem bem, um local inóspito como a lua, com astronautas enclausurados em naves diminutas, tem sim muita coisa a ser explorada em um suspense. E a tal revelação do porquê não existirem mais missões tripuladas à lua é daquelas que viram piadas instantaneamente. E se num suspense os sustos são esperados e clichês, ou pior, levam ao riso, as chances de um trabalho desses dar certo tendem a menos infinito.

Não chega a ser algo inassistível, mas “Apollo 18” não funciona como deveria e é mesmo uma obra que fica devendo em tantos aspectos que não recomendo a ninguém ir lá perder seu tempo no cinema. Focaram tanto na coisa de ‘história real e reveladora’ que esqueceram de fazer um filme bom, que quanto nada divertisse (ou assustasse de verdade) o espectador por alguns momentos. No final das contas fica mais fácil você discutir se o homem foi mesmo a lua do que sobre essa tal missão secreta.

 


Apollo 18 (2011 – 88 min)
Terror, Suspense, Ficção científica.

Dirigido por Gonzalo López-Gallego com roteiro de Brian Miller e Cory Goodman. Estrelando: Warren Christie e Lloyd Owen.

Related Posts with Thumbnails