Aos meus 21 anos de idade o meu maior feito até então tinha sido zerar Alex Kid in the Miracle World no Master System, mas isso já tinha tempo nesta época, ainda era criança quanto atingi tal façanha. O canadense Xavier Dolan com 21 anos estava lançando o seu segundo filme nos cinemas, “Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires)”. Além de dirigir e roteirizar, ele também atua como um dos três personagens centrais dessa sua obra que apareceu por aqui no ano passado em alguns festivais e que não foi tão bem recebido pela crítica. Cheguei ao filme por indicação de uma amiga (valeu pela dica Jana) e, particularmente, sem entrar nos méritos a respeito da falta de originalidade e outros pormenores gostei muito do que vi e do que senti.

A trama não é muito profunda e gira em torno de um triângulo amoroso. Dois grandes amigos, Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri), ao conhecerem um jovem chamado Nicolas (Niels Scheneider) tem sua vida e amizade abaladas, ambos se apaixonam muito forte pelo rapaz. Com o passar do tempo a disputa dos dois se acirra bastante e sentimentos como inveja, raiva, ciúmes começam a aflorar entre eles.

Fora a história central, o filme conta com alguns depoimentos de desconhecidos relacionados a amor, paixão, relacionamentos e como é difícil lidar com tudo isso. Estranho é também pensar nas loucuras que fazemos (vamos todos nos incluir neste barco) por conta desse desejo louco que surge dentro de cada um, claro, de formas diferentes. O título do filme é mais do que certeiro por se focar num elemento que acaba tornando as coisas maiores (ou no mínimo diferentes) do que são em muitos momentos, a fantasia.

O jovem cineasta Xavier Dolan é bem exagerado neste trabalho, ele abusa das cores, utiliza muito a câmera lenta e também inunda a sua obra com imagens deslumbrantes como nas cenas em uma bucólica casa de campo. Para os amantes da moda os figurinos apresentados aqui são um verdadeiro deleite, a personagem Marie então, é bem vestida até quando está dormindo. E o que dizer da trilha sonora? Você ficará com a breguinha mas linda “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)” em sua mente por alguns dias.

Gostar mais ou menos deste trabalho de Dolan vai depender muito de sua vivência e bagagem. Para os mais críticos o filme é todo “chupado” de obras de cineastas como Truffaut e Wong Kar-Wai, para aqueles que nunca se apaixonaram de verdade também ficará difícil se emocionar ou se familiarizar com os personagens que, assim como o roteiro, não são tão profundos. Talvez esteja exagerando um pouco, talvez eu esteja sendo até meio piegas e brega, mas afinal, não é assim que funcionam muitas dessas paixões que volta e meia surgem por aí?


Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires / Heartbeats, 2010/2011 – 95 min)
Romance, Drama.

Um filme de Xavier Dolan com Monia Chokri, Niels Schneider e Xavier Dolan.

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