As discussões em torno daquela coisinha louca e estúpida chamada amor (e também tudo o que vem incluso no pacote, relacionamentos, separações, etc) rendem ao cinema diversas histórias. Algumas exploram o lado mais cômico, outras adicionam doses extras de açúcar e criam aqueles romances melosos e, não menos presente, temos os que dramatizam o amor nas telas, tentando trazer a ficção para algo mais próximo à nossa realidade. E “Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love)” é daqueles poucos filmes que conseguem equilibrar de maneira satisfatória estes três gêneros (comédia, drama e romance), trazendo uma história que diverte, ‘ensina’ e que até faz a gente relevar/torcer pelos clichês.

A trama segue a história de Cal (Steve Carell, “Uma Noite Fora de Série”) que recebe sem esperar um pedido de divórcio de sua esposa (Julianne Moore, “Minhas Mães e Meu Pai”) que o traiu com um colega de trabalho (Kevin Bacon, “X-Men – Primeira Classe”). Precisando rearrumar a sua vida, ele acaba conhecendo um verdadeiro conquistador (Ryan Gosling, “A Garota ideal”) que promete o transformar em um pegador nato como ele, fazendo com que Cal mude não só seu visual, mas suas atitudes como homem.

O roteiro é inteligente ao não ficar apenas centrado na história do marido quarentão e sua busca por voltar ao “mercado de trabalho”, temos ainda outras histórias envolvendo seu filho (Jonah Bobo), a babá (Analeigh Tipton), e por aí vai. Glenn Ficarra e John Requa dividem a direção de maneira muito segura e conseguiram trabalhar bem com todo o elenco, que conta com nomes importantes não só na ‘linha de frente’ com Steve Carell (sempre apresentando um excelente timing para a comédia), Julianne Moore (que até mesmo quando parece funcionar no automático não decepciona) e o versátil Ryan Gosling como também nos papéis coadjuvantes, trazendo nomes muito interessantes como Marisa Tomei, a toda linda da Emma Stone (“A Mentira”) e até mesmo o grande Kevin Bacon.

Por conta de toda a química entre os atores, que muitas vezes conseguem passar a mensagem com apenas um gesto ou expressão, a história consegue passear muito bem entre os gêneros, tem a hora de rir, a hora de refletir e, principalmente, rola o lance da identificação. Eu, particularmente, me identifiquei muito com o personagem principal, sei que isso não é lá muito bom até porque tive promessas de levar vários tapas na cara. Sem contar que casais que estão com o relacionamento um pouco “balançados” devem assumir o risco ao assistir “Amor a Toda Prova” e torcer para que a identificação venha mais para o final da história.

Em uma das melhores cenas o personagem de Carell comenta “Que Clichê!”, e de fato o filme não deixa de ter uma boa dose de situações manjadas, decisões um tanto quanto incoerentes dos personagens e até aquelas coincidências incríveis, mas não é nada que atrapalhe o ritmo do filme. Nada melhor quando você vai ao cinema e vê algo que lhe arranca boas risadas sem esquecer que você possui um cérebro e que não quis deixá-lo do lado de fora ou trocá-lo por um saco de pipocas.


Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love, 2011 – 118 min)
Comédia, Romance, Drama

Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa com roteiro de Dan Fogelman. Estrelando: Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone, Analeigh Tipton, Jonah Bobo, Marisa Tomei e Kevin Bacon.

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