Na minha corrida para assistir todos os filmes que foram indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2011 finalmente cheguei até o vencedor, o filme dinamarquês  “Em um Mundo Melhor (Hævnen / In a Better World)”. Trata-se realmente de um ótimo filme que consegue conversar sobre alguns temas existenciais humanos de forma emocionante sem cair muito na pieguice e, principalmente, sem exagerar (muito) no melodrama, ainda assim, acredito que o Oscar foi um pouco injusto já que seu concorrente, “Incêndios”, é muito mais interessante e arrebatador.

A trama segue a história de duas famílias que acabam tendo suas vidas cruzadas. Dois jovens garotos se conhecem e começam uma relação de amizade forte e, ao mesmo tempo, bastante arriscada. De um lado conhecemos um garoto que tem sua vida mudada de forma repentina com a morte de sua mãe e vai morar com seu pai na casa da avó. De outro temos um garoto que sofre bullying no colégio e tem seus pais em processo de separação, sendo que seu pai vive viajando para trabalhar como médico voluntário em um local na África que enfrenta uma guerra civil.

Com tantas realidades distintas se chocando vamos passeando por momentos de tensão e drama. O trabalho de Susanne Bier consegue conversar sobre bullying, separação, problema de relacionamento com os pais e morte de forma bastante interessante por ter conseguido construir muito bem os personagens, eles são críveis e suas atitudes (na maior parte das vezes) consegue nos trazer uma sensação de realidade que faz com que acompanhemos a história com interesse até o final.

Não sei se foi viagem minha, mas pude perceber que no início do filme todos os personagens quando focados (nos momentos que estão sozinhos) na tela aparecem mais ao canto e, a medida que as coisas vão acontecendo e se resolvendo, eles vão aparecendo mais ao centro. No fim do filme, independente do destino dos personagens (bom ou ruim), pode-se perceber que eles são focalizados ao centro da tela, como se fosse uma forma de nos mostrar que eles se encontraram.

O maior pecado fica mesmo no desfecho da história, que corre para um lado mais “bonitinho” e acaba fugindo um pouco do clima de tensão dramática que vinha construindo, com forte apelo para algo mais “real”. Talvez o coração dinamarquês não seja tão frio quanto se imagina, ou quem sabe pode ter sido uma bela estratégia para atingir um público mais amplo. Com muitos acertos e diversas premiações (levou até Globo de Ouro) “Em um Mundo Melhor” pode não ter sido o meu favorito entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro, mas não deixa de ser um ótimo trabalho.


Em um Mundo Melhor (Hævnen, 2010/2011 – 105 min)
Drama

Dirigido por Susanne Bier com roteiro de Susanne Bier e Anders Thomas Jensen. Estrelando: Ulrich Thomsen, Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm, William Jøhnk Nielsen e Markus Rygaard.

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