Se até quando Woody Allen não é muito feliz em seus trabalhos ele nos entrega filmes interessantes, o que dizer quando ele acerta em tudo? Tendo a belíssima Paris como paisagem, “Meia Noite em Paris (Midnight in Paris)” trata-se de um filme encantador, divertido e muito interessante.

A trama segue a história de Gil Pendler que está em Paris com sua noiva Inez passando uns dias e tentando terminar seu livro. Ele, cansado de sua vida como roteirista de hollywood, sonha com o sucesso do livro para continuar morando em Paris, desejo este não compartilhado por sua noiva que também já está de saco cheio de toda sua nostalgia e desejo de ter nascido numa época passada. Certa feita, andando pela noite na cidade da luz, algo impressionante acontece e daí tudo se desenrola.

Entrar em maiores detalhes a respeito da trama não seria legal, estragaria boa parte da graça deste seu filme (algo semelhante já foi feito por Woody Allen em outro trabalho seu).  Não é que seja surpreendente, já que ele é um dos maiores cineastas do mundo em atividade (minha opinião), mas é gratificante quando assistimos uma obra sua em que ele acerta na direção, no roteiro e consegue ainda arrancar do elenco atuações impressionantes como a de Owen Wilson (“Passe Livre”, “Marley e Eu”), que não fez nada de absurdo aqui é verdade, mas vê-lo com um timing perfeito para nos fazer rir e nos cativar durante a história sem nos fazer lembrar de outros papéis bobocas seus é, de fato, muito bom.

A forma como ele apresenta a capital francesa é de fazer com que todos na sala do cinema queiram, ao subir dos créditos finais, pegar um avião no aeroporto mais próximo e descer para lá, de preferência a meia noite e com aquele chuvinha gostosa. Não só nos aspectos mais visíveis, mas até em pequenas nunces Allen nos premia com momentos excelentes. Para os homens então uma dica, note como toda vez que alguma linda atriz surge em cena, principalmente a gracinha da Rachel McAdams (“Sherlock Holmes”), a câmera começa com um close bem na bunda da moça. Sim, eu reparei isso umas 5 vezes pelo menos.

Além de trazer na história da forma mais divertida possível uma bela homenagem a grandes artistas mundiais, escritores, pintores e até a rinocerontes (só assistindo você vai entender e rir dessa), o filme consegue conversar de forma sincera sobre nostalgia, sim, aquele sentimento que temos lindo em nossas mentes e coração de “na nossa época é que era bom”. Eu me senti alfinetado (lá ele) assistindo ao filme, mas fica difícil discordar de sua visão sobre o assunto.

O que mais gosto nos trabalhos deste talentoso cineasta é a sua capacidade de nos entreter de forma tão bacana, de nos arrancar boas risadas sem apelar para besteiras, escatologias, pintos tortos na tela e toda sorte de ‘piadas prontas’ que vemos com frequência nos filmes que são lançados (alguns expelidos para falar a verdade) em nossas salas de cinema.

Para os fãs suas marcas registradas estão lá visíseis e são um verdadeiro deleite, e para o público geral não muito conhecedor de sua filmografia é uma grande oportunidade para conhecer e perceber que seus filmes conseguem ser, ao mesmo tempo, inteligentes, engraçados e totalmente acessíveis. Claro que não é o melhor filme de Allen, mas olhando para seus trabalhos mais recentes e também para os filmes lançados em 2011 até aqui, é, sem dúvidas, um dos melhores.

 


Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011 – 100 minutos)

Comédia, Comédia Romântica.

Um filme de Woody Allen com Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni-Sarkozy, Michael Sheen, Nina Arianda, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Kurt Fuller e Mimi Kennedy.

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