A melhor propaganda de Catfish é a que, se eu te contar do ele se trata exatamente ou entregar maiores detalhes perde a graça, é daquelas produções que você precisa assistir com o mínimo de conhecimento (quiçá nenhum). Sendo assim, não irei entregar nenhum spoiler e falarei apenas de parte (só uma parte) do que é apresentado nos trailers deste documentário que, segundo os participantes do projeto, é totalmente real.

Catfish foi uma das maiores sensações do Festival de Sundance no ano de 2010. Lançado pouco antes do grande sucesso mundial “A Rede Social”, que fala sobre a criação do facebook, ele também nos apresenta um caso que aconteceu justamente através desta rede social. O fotógrafo Nev Schulman conhece através do facebook uma artista de apenas 8 anos que começa a lhe enviar quadros, alguns inclusive pinturas de fotos suas e, a partir daí, Nev começa uma relação com toda a família da pequena Abby, como sua mãe Angela e, principalmente, sua irmã de 19 anos (no seu ‘top’) Megan Faccio.

Junto com seu amigo e seu irmão, Nev acaba documentando o desenrolar dessa história. Falar mais seria estragar a surpresa, como descrevi no início, mas acredito que todos já devam imaginar onde isso vai parar. O que posso dizer é que os momentos finais nos levam à extremos, se tudo começa de certa forma morna e até previsível (pelo menos nossos pensamentos nos levam a crer em todas a previsibilidades possíveis), os momentos finais – vendidos como 40 minutos finais de uma montanha russa de emoções – nos trazem sentimentos controversos e que nos fazem parar para refletir em nosso comportamento online nos dias de hoje.

Não tem muito tempo que nossa grande editora, a Dani Vidal, escreveu sobre um filme baseado em casos reais “Desaparecimento de Megan” que é mais uma das produções cinematográficas que servem de alerta sobre nossos relacionamentos online. Catfish não é só um alerta, é reflexão e em todos os níveis, não só no ‘mundo virtual’.

Vendido como um caso real é claro que quem o assiste fica naquela linha tênue da credibilidade. Algumas passagens parecem muito “acertadas” para não terem sido ensaiadas ou previamente preparadas, por outro lado, toda a história é bastante crível, pois casos como estes acontecem. E o mais interessante é que, no final das contas, se é ou não um documentário falso não importa, a mensagem, a lição e a história apresentada é que fica arquivado em nossa mente.

Sem nenhuma previsão de lançamento aqui no Brasil, nem em DVD, você sabe muito bem o que fazer para conseguir conferir essa tão interessante produção. Não vai apresentar nada que a gente já não imagine ou desconfie que aconteça de montão nos dias hoje, todo o mistério que envolve o projeto é a chave mesmo de seu sucesso e por mais que você tenha dúvidas sobre a veracidade dos fatos, trata-se de um ótimo trabalho que é difícil não te tirar um pouco do lugar comum.

Por fim, sei que muitos devem se perguntar o porquê do nome ser “Catfish”, bem, a tradução da palavra para nossa língua é bagre (sim, aquele peixe), mas a explicação é dada no finalzinho do documentário e só você assistindo pra descobrir. Não vai ser de mim que vocês terão spoilers que podem acabar com boa parte da ‘mística’ em torno desta obra que vale sim muito a pena.


Catfish (2010, 87 min)
Documentário

Dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman. Estrelando: Ariel Schulman, Yaniv Schulman e Melody C. Roscher.

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