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Já faz algum tempo que queria assistir Bedeviled mas fui colocando outros filmes como prioridade e fui deixando pra lá. Eis que tive uma ótima surpresa ao me deparar com esse filme sul coreano que nos brinda com um belo suspense e um drama que transborda incontáveis questionamentos.

Logo no início conhecemos Hae-Woon, uma jovem que traduz ao extremo o sentimento de isolamento das pessoas que vivem em grandes centros. Aparentemente sem nenhum tipo de ligação com as pessoas ao seu redor, ela prefere se manter longe o suficiente para não envolver-se com ninguém; seja no momento em que testemunha uma mulher sendo espancada em um beco, ela simplesmente fecha o vidro do carro e segue em frente como se não fosse problema dela ou  quando Hae-Woon ignora as súplicas de uma velha senhora no banco em que trabalha – lembrando muito uma cena do filme Arrasta-me para o inferno. Todo esse distanciamento dela com o resto do mundo é consequência dos pequenos atos de desconfiança e veneno que faz no seu dia-a-dia inclusive quando insinua que uma colega de trabalho está dando em cima do chefe.

Todo esse contexto que nos é apresentado é para conhecermos um pouco mais da natureza da solitária Hae-Woon que por uma atitude covarde é “convidada”  a tirar férias do seu trabalho e o único lugar que tem para ir é uma afastada ilha onde passou sua infância e não retorna a muitos anos. Chegando lá, ela reencontra a sua amiga dos tempos de criança: Bok-Nam, uma pessoa muito sofrida e como única mulher jovem da aldeia é constantemente abusada pelo marido e o cunhado, espancada, obrigada a trabalhar como um animal nas palantações e na apicultura para os mais velhos. A convivência das duas nesse lugar tão isolado parece transformar a personalidade de Hae-Woon mas isso é apenas uma ilusão. Presenciando toda a barbárie a qual Bok-Nam é exposta, cabe a ela tomar uma decisão: Ajudar a amiga a sair dessa prisão ou agir como sempre o fez… seguir em frente sem olhar para o lado.

Bedevilled é um filme denso, complexo, com duas personagens centrais tão antagônicas que parece um universo paralelo. Enquanto Hae-Woo é uma mulher fria, incapaz de se solidarizar com outra pessoa Bok-Nam tem uma doçura contrangedora. A chegada da amiga parece florecer um raio de luz em sua vida e mesmo após ser estuprada pelo cunhado, algumas  horas depois está sorrindo ao lado de Hae-Woo se oferecendo para lavar sua roupa e fazer sua comida. O afeto que Bok-Nam oferece, mesmo apenas tendo recebido agressividade durante toda a sua vida pode ser comovente. Tudo isso acaba quando ela se vê em uma situação limite e precisa do apoio da amiga para solucionar a situação mas quando o retorno não é o que se espera… um banho de sangue está para acontecer.

O filme é um espelho da nossa sociedade individualista, violenta, onde é muito mais cômodo fecharmos os olhos para os problemas do coletivo e seguir de forma egoísta e com uma distância segura. Em determindo momento do filme fica claro que todos nós devemos arcar com as consquências pelas nossas ações ou omissões. Fica a reflexão.

 

P.S.: Vocês podem estar se perguntando porque ultimamente a maioria dos filmes que trago para vocês tem uma classifcação alta na nota mas é que não estou muito entusiasmada para escrever dos filmes que achei ruim…

 

 

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