Há muito tempo que essa visão pessimista em relação ao futuro do planeta nos acompanha e questões como superpopulação, aquecimento global e falta de recursos já não são novidades pra ninguém. No cinema não podia ser diferente e, por ter um apreço especial por filmes (pós)apocalípticos, assisti por indicação de um colega (o GramophoneMan do Ouça Este Disco) um clássico de 1973, “Soylent Green”, conhecido no Brasil como “No Mundo de 2020”.

A trama se passa precisamente no ano de 2022 em Manhattan, que se tornou um verdadeiro inferno devido aos problemas de superpopulação e escassez de recursos como alimentos. A cidade de Nova York já conta com cerca de 40 milhões de habitantes que, em sua maioria, são alimentados com uma espécie de ração, uns tabletes coloridos (sendo um deles o verde, o soylent green) já que os alimentos nobres e raríssimos como carnes, legumes e frutas são privilégio da minoria rica. No meio desse caos o policial Robert Thorn (Charlton Heston) é incumbido de investigar o assassinato de um importante executivo, o que vai o levar a descobrir um segredo estarrecedor.

É claro que a visão de futuro na década de 70 é bem diferente do que vivemos hoje (e entendemos como plausível para mais alguns anos a frente), fora que todo o cenário sem efeitos especiais pode ‘incomodar’ os mais acostumados a toda sorte de pirotecnias visuais que vemos nos filmes atuais, mas vale o investimento de seu tempo conferir a esta obra ‘clássica’. A mensagem que é passada, que no final das contas é o que mais interessa aqui, continua bastante pertinente e atual.

Em “Soylent Green” as mulheres são tratadas como verdadeiros objetos, são alugadas para ricos como se fossem realmente um eletrodoméstico ou mobília qualquer. Fora isso os valores individuais de alguns contam mais do que o bem estar geral da população e coisas que em tempos passados eram tidas como banais e ao alcance de grande parte da população como um campo, legumes e até um pedaço de carne se tornaram verdadeiras relíquias que valem fortunas. Pare pra pensar agora o quanto tudo isso que nos é apresentado neste filme é a realidade atual de grande parcela do planeta. Todas essas questões “ambientais” de um futuro desolador foram feitas com a consultoria de Frank R. Bowerman que, na época, era o presidente da Academia Americana de Proteção ao Meio-Ambiente.

Este filme serviu ainda como uma despedida para Edward Robinson, que faz o “ajudante” do detetive Thorn e faleceu pouco depois das filmagens no dia 26 de janeiro de 1973. Ele já se encontrava com sérios problemas durante a gravação das cenas, estava praticamente surdo e só ouvia quando falavam com ele bem próximo ao seu ouvido. As cenas foram feitas repetidas vezes até ele conseguir compreender como responder aos diálogos, tudo era decorado. Charlton Heston por sua vez teve uma grande carreira como ator e fez grandes sucessos do cinema como “Ben Hur” (1959), “O Planeta dos Macacos” (1968), “Os Dez Mandamentos” (1956) dentre vários outros (e são vários mesmo), tendo falecido com 84 anos em 2008.

A trama consegue manter o clima de suspense em torno da tal verdade que poderá abalar com toda a humanidade até seus momentos finais, conseguindo deixar o espectador interessado até o último minuto. Para quem curte filmes apocalípticos,“Soylent Green” é mesmo uma ótima pedida. Ainda que algumas coisas estejam bem fora da realidade dos filmes que estamos acostumados a ver hoje nos cinemas, tem coisas que parecem que nunca mudam e se tornam verdades perpétuas, e isso sim é que é estarrecedor.


No Mundo de 2020 (Soylent Green, Ficção Científica – 1973, 100 min)

Um filme de Richard Flelocher com Charlton Heston, Edward G. Robinson, Joseph Cotten, Chuck Connors, Leigh Taylor-Young e Brock Peters.

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