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Em 1978, um clássico exemplar do explotation chegou as telas do cinema: I spit on your grave (A vingança de Jennifer). Apesar de muito cultuado no circuito do terror, eu nunca gostei muito deste filme. Na época em que foi lançado, a violência chocou a platéia e ainda hoje, pode-se considerar um exemplo viceral da brutalidade humana, assemelhando-se ao conhecido Aniversário Macabro no quesito vingança.

O filme de 1978 conta a história de Jennifer Hills, uma escritora em busca de paz e tranquilidade para escrever seu livro. Ela vai até uma cidadezinha bucólica, aluga uma casa isolada na floresta e por ser uma novidade no local, chama atenção rapidamente. Alguns homens da região, resolvem estuprar Jennifer – um deles é doente mental – e com isso, iniciam uma exaustiva sessão de tortura. Toda a humilhação vivida por ela torna-se combustível para uma merecida vingança.

Aproveitando esta onda de remakes – ou falta de criatividade – em 2011 chegou aos cinemas brasileiros o filme Doce Vingança tentando trazer todo o choque do original de 1978. O resultado não foi dos melhores, até porque, o exemplar original também não me agradou. A história é basicamente a mesma mas na versão atual, temos situações novas porém constrangedoras. Para começar, soa meio estranho uma mulher sozinha, esclarecida, jovem, aparentemente com dinheiro, escolha um lugar tão isolado e sem nenhum tipo de proteção contra invasores, ladrões, assassinos, estupradores… Uma faca a protegeria de algum ladrão? Ao chegar a um posto de gasolina com alguns homens desconhecidos que não hesitam em demonstrar interesse sexual nela, o que Jennifer faz? Revela onde está hospedada: no meio do mato sozinha.

O ataque não demora tanto e no final das contas é o que todos estão esperando. Apesar da primeira versão acontecer de forma mais realista e brutal, o remake também chama a atenção para toda a degradação a qual Jennifer é submetida. Com sujeitos carregados de vícios esteriotipados, a deixam escapar com vida de forma tola e infantil. E no final das contas, como ela conseguiu sobreviver aquela fuga? E no depois?

Vale ressaltar que uma das melhores coisas do filme é a figura do Xerife. Com uma personalidade aterradora. Colocando pra fora seu lado sádico enquanto tortura e estupra Jennifer, se transforma por completo quando está ao lado da filha ou da esposa grávida. Um pai amoroso e marido dedicado, transforma-se em um psicopata quando coloca o pé pra fora de casa. Eis o melhor personagem do filme e que poderia ter sido melhor explorado, mas o foco é a Vingança de Jeniffer. Por falar em vingança, a moça se superou no quesito criatividade. No primeiro filme, ela seduz os bandidos e trama a morte de cada um, de uma forma muito dolorosa. Já no remake, Jennifer surge como um mirabolante plano de vingança onde está incluida algumas semanas para que ela possa “se recuperar” e passa a se esconder na floresta e também na casa que tinha alugado. As armadilhas, apesar de muito sangrentas, não parece plausível. Afogar em uma banheira com soda caústica? Acho que é forçar a barra… provavelmente, a única cilada que soou real foi a vingança do chefe dos bandidos e apesar da atuação dele ser bem rasa, o impacto visual fez muito bem a sua parte.

Os dois exemplares, 1978 e 2011, foram feitos para chocar o público. Eles até conseguem o objetivo mas nem por isso o filme é bom. Fica por sua conta!

 

 

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