Doce Vingança 2010

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Em 1978, um clássico exemplar do explotation chegou as telas do cinema: I spit on your grave (A vingança de Jennifer). Apesar de muito cultuado no circuito do terror, eu nunca gostei muito deste filme. Na época em que foi lançado, a violência chocou a platéia e ainda hoje, pode-se considerar um exemplo viceral da brutalidade humana, assemelhando-se ao conhecido Aniversário Macabro no quesito vingança.

O filme de 1978 conta a história de Jennifer Hills, uma escritora em busca de paz e tranquilidade para escrever seu livro. Ela vai até uma cidadezinha bucólica, aluga uma casa isolada na floresta e por ser uma novidade no local, chama atenção rapidamente. Alguns homens da região, resolvem estuprar Jennifer – um deles é doente mental – e com isso, iniciam uma exaustiva sessão de tortura. Toda a humilhação vivida por ela torna-se combustível para uma merecida vingança.

Aproveitando esta onda de remakes – ou falta de criatividade – em 2011 chegou aos cinemas brasileiros o filme Doce Vingança tentando trazer todo o choque do original de 1978. O resultado não foi dos melhores, até porque, o exemplar original também não me agradou. A história é basicamente a mesma mas na versão atual, temos situações novas porém constrangedoras. Para começar, soa meio estranho uma mulher sozinha, esclarecida, jovem, aparentemente com dinheiro, escolha um lugar tão isolado e sem nenhum tipo de proteção contra invasores, ladrões, assassinos, estupradores… Uma faca a protegeria de algum ladrão? Ao chegar a um posto de gasolina com alguns homens desconhecidos que não hesitam em demonstrar interesse sexual nela, o que Jennifer faz? Revela onde está hospedada: no meio do mato sozinha.

O ataque não demora tanto e no final das contas é o que todos estão esperando. Apesar da primeira versão acontecer de forma mais realista e brutal, o remake também chama a atenção para toda a degradação a qual Jennifer é submetida. Com sujeitos carregados de vícios esteriotipados, a deixam escapar com vida de forma tola e infantil. E no final das contas, como ela conseguiu sobreviver aquela fuga? E no depois?

Vale ressaltar que uma das melhores coisas do filme é a figura do Xerife. Com uma personalidade aterradora. Colocando pra fora seu lado sádico enquanto tortura e estupra Jennifer, se transforma por completo quando está ao lado da filha ou da esposa grávida. Um pai amoroso e marido dedicado, transforma-se em um psicopata quando coloca o pé pra fora de casa. Eis o melhor personagem do filme e que poderia ter sido melhor explorado, mas o foco é a Vingança de Jeniffer. Por falar em vingança, a moça se superou no quesito criatividade. No primeiro filme, ela seduz os bandidos e trama a morte de cada um, de uma forma muito dolorosa. Já no remake, Jennifer surge como um mirabolante plano de vingança onde está incluida algumas semanas para que ela possa “se recuperar” e passa a se esconder na floresta e também na casa que tinha alugado. As armadilhas, apesar de muito sangrentas, não parece plausível. Afogar em uma banheira com soda caústica? Acho que é forçar a barra… provavelmente, a única cilada que soou real foi a vingança do chefe dos bandidos e apesar da atuação dele ser bem rasa, o impacto visual fez muito bem a sua parte.

Os dois exemplares, 1978 e 2011, foram feitos para chocar o público. Eles até conseguem o objetivo mas nem por isso o filme é bom. Fica por sua conta!

 

 

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Author: Dani Vidal

Dani Vidal (@danividal) é formada em Relações Públicas e autora do blog Feminina. Apesar de não dispensar um terror recheado de zumbis, chora copiosamente com um bom drama. Acho que nossa postura com a sétima arte é como se achar técnico de futebol. Ninguém é especialista mas todo mundo tem uma opinião e adora criticar a escalação.

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9 Comments

  1. Como o filme ainda não estreiou na minha cidade, vou esperá-lo em DVD. Até que estou afim de conferir, mesmo não sendo grande coisa

    abs.

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    • Estou meio desanimada … os ultimos filmes que vi foram bem meia-boca.
      Aguardo por Quarentena 2

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  2. Mais um remake hollywoodiano desnecessário de clássicos de terror.

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  3. Lembro como nos tempos de moleque vi esse filme na maior low-profile, gurizagem geral, e achei carregado. Outro dia, achei muito méh, que nem Irreversível. Acho paia esses filmes feitos só pra chocar.

    Essa nova versão, devo passar longe.

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    • Dan,
      Eu acho que ainda choca sabe… mas não gosto muito desse filme não.
      Lembra que no original a moça era violentada também com uma garrafa? Brutal.

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      • Sei lá, brutal por brutal tu liga a TV no jornal e tem muito mais brutalidade.

        Mas assim, eu não disse que não choca. Disse que acho o filme fraco justamente porque é feito só pra chocar.

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  4. “onda de remakes – ou falta de criatividade”, pois é, Dani, essa nossa pós pós pós modernidade parece que adora isso. Será que realmente tudo já foi criado e não conseguimos mais ser originais?

    Quanto ao filme , não despertou meu interesse e pelo visto não é mesmo grande coisa. hehe.

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  5. Gostei de alguns detalhes, como o celular que cai no vaso, portanto ela fica sem comunicação. Gostei do fato de ela ter bebida em casa, fumar maconha, coisas que numa cidade pequena te deixam com uma imagem errada.

    Gostei também do destaque que deu aos rapazes, dá uma “justificativa” a mais pro estupro, pq mexeu com o brio do cara fodão da cidade pequena. Coisa que não tinha no primeiro filme.

    Gostei também deles terem parcelado o estupro em duas vezes, e não em 10 pelas casas Bahia que nem no original, que sempre me incomodou(desculpa a brincadeira).

    Tinha tudo pra ser melhor que o original, mããs…o trunfo da cena chocante do estupro não tem… acho que se deu em parte pela boa atuação da atriz do primeiro. Nesse novo, eles apostaram mais na humilhação e na vingança estilo jogos mortais que eu não curti. Mas fiquei esperando muito o que ela ia fazer com o comedor de bundas hahah

    Nunca gostei do original pq é um filme que ficou devendo mais, é bom mais poderia ser melhor. O remake é a mesma coisa, poderia ser melhor.

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