
Adaptado do romance de Daniel Woodrell, “Inverno da Alma (Winter´s Bone)” leva até o cinema uma faceta americana pouco exibida e conhecida. Não fossem as 4 indicações ao Oscar (melhor filme, roteiro adaptado, atriz principal e ator coadjuvante) dificilmente veríamos passando em nossas salas e, confesso, de todos os 10 indicados ao prêmio de melhor filme deste ano foi o que menos me agradou.
A trama segue a difícil história de Ree Dolly (Jennifer Lawrence) que no alto dos seus 17 anos tem que tomar conta de sua família sozinha, seus dois irmãos mais novos e sua mãe que enfrenta problemas de saúde mental. Além de todos estes obstáculos, ela precisa encontrar seu pai que desapareceu de um julgamento onde ele colocou como garantia de fiança a casa em que eles vivem.

Com um início bastante investigativo e sombrio, como se estivéssemos em um daqueles bons filmes policiais, “Inverno da Alma” vai desenhando aos poucos tudo o que aconteceu. A excelente performance de Jennifer Lawrence já pode ser apreciada desde os primeiros minutos, hora se comportando como uma verdadeira mãe para os irmãos mais novos, hora dura e determinada com os ‘maus’ elementos que vamos conhecendo pelas redondezas. O trabalho de John Hawkes como coadjuvante (o tio da garota) é melhor apreciado mais na metade pro final da trama.
Ainda que possua excelentes atuações e seja um daqueles trabalhos perfeitos para os teóricos cinematográficos (acho que nem existe isso) se deliciarem, “Inverno da Alma” como entretenimento é praticamente nulo. O filme é tão denso que faz com que as cenas de clímax sejam completamente “sem alma”.
Definitivamente não é um trabalho que me agrada, talvez para os estudiosos de cinema e críticos profissionais seja mesmo um grande filme digno de estar entre as 10 melhores produções do ano, para mim, um analista de sistemas que escreve por mera ousadia sobre filmes neste modesto blog, acredito que a classificação “regular” condiz mais com o que (não) senti assistindo a esta obra.

Inverno da Alma (Winter’s Bone: Drama, 2010/2011 – 100 min)
Dirigido por Debra Granik com roteiro de Anne Rosellini e Debra Granik adaptando romance de Daniel Woodrell. Estrelando: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Kevin Breznahan, Garret Dillahunt e Lauren Sweetser.

13 comentários
Alan Raspante says:
Feb 22, 2011
Mais um que não vi Marcio. Tenho tendência a gostar, pelo fato de gostar bastante de dramas, hehe Mas, pelo que ando lendo é tanta desgraça junta que chega a ser enjoativo. Enfim, espero ver em breve!!
[]s
Marcio Melo says:
Feb 22, 2011
Sei lá Alan, é forte, é denso, é de uma tristeza sem fim, mas sinceramente, não me agradou tanto.
Natalia says:
Feb 22, 2011
Sempre tive a impressao que ia gostar do filme, por outro lado nao estou tao ansiosa pra conferir. Gostei mto da atuação da Jennifer Lawrence em Vidas que se Cruzam, por isso que este me chamou a atenção. Vou ver, depois conto o que achei.
Abs
Amanda Aouad says:
Feb 22, 2011
Concordo quando você diz que ele acaba passando do ponto, me incomoda também. Mas, tem suas qualidades, não apenas nas interpretações. Esse é um filme difícil mesmo.
bjs
Marcio Melo says:
Feb 23, 2011
Difícil no sentido de gostar e comprar o filme né? A trama é bem “tranquila” de se levar, mas quando chega por exemplo o climax é um nada, um vazio. Não me tirou muito do lugar.
Frederico says:
Feb 23, 2011
Filme estranho, sombrio. Não cheguei à conclusão se gostei ou não. Fiquei meio confuso.
O filme é realmente denso, mas é uma trama simples. Todos os personagens são escrotos, sem nenhuma compaixão. A menina toma porrada de todos os lados e amadurece desse forma. Na verdade o filme não leva a lugar nenhum.
Marcio Melo says:
Feb 23, 2011
Mais ou menos o que senti Frederico, por isso o classifiquei como ‘regular’, pra mim nem foi ruim, nem foi bom.
Cristiano Contreiras says:
Feb 23, 2011
Concordo que a premissa é interessante, mas no geral torna-se frágil e até mediano – bem verdade, caminhamos com a personagem de Lawrence que, de fato, tem uma atuação magistral. Mas, acho que o roteiro e até a direção não consegue trazer os personagens tão próximos de nós. Não é por conta da tal “alma” fria, é limitação mesmo da construção do estudo dos personagens ali…o filme, por vezes, parece não sair do mesmo lugar e somente o talento perfeito de Lawrence consegue provocar alguma atração com o que vemos.
Acho que a direção de Granik é muito, muito, correta…poderia ter ousado mais, acentuado mais, sei lá…não vejo esse grande filme como muitos acham, nem mesmo acho o desfecho ‘chocante’ como tantos acharam por aí. Na verdade, o final poderia ser mais delineado…e discordo da indicação ao Oscar de Hawkes e filme. Quem deveria ter sido indicado, no lugar dele, é Andrew Garfield por “A Rede Social”. E “Blue Valentine” é um filme mais denso e instigante que este, ao meu ver. Este sim poderia ter recebido a indicação de Filme…
Bom, fico feliz em ver como Lawrence tem tido o reconhecimento, afinal é uma bela atriz. Gosto dela no “Vidas que se cruzam”, conhece? É muito melhor.
abs
Ramon says:
Feb 23, 2011
Porra man, depois eu que sou o “incessensível” por não ter gostado de “Cisne Negro”. hehehehehe… Esse aí tem uma cotação maior no Rotten Tomatoes do que o Cisne. Mas enfim, depois que eu assistir comento melhor.
Marcio Melo says:
Feb 27, 2011
Porra man, ao contrário de você eu não baseio minha opinião em outros sites como o Rotten Tomatoes. Achei Cisne Negro excelente e não gostei muito de Inverno da Alma, pouco importa se o rotten diz o contrário, sinceramente.
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