Bravura Indômita (True Grit)

Indômito: indomável, bravio, selvagem. Fui ao dicionário por nunca ter ouvido tal palavra e que bom que era justamente o que pensava. Os irmãos Coen estão na lista de cineastas que dificilmente me decepcionam e, por isso, sempre confio em suas obras. Nunca fui muito afeiçoado a filmes de faroeste mas, “Bravura Indômita (True Grit)” trata-se de uma obra bem redonda que diverte e mantém o espectador interessado na história até o fim com atuações extremamente inspiradas.

O filme é baseado em um romance de Charles Portis e que já tinha sido adaptado em 1969 dando a John Wayne o seu Oscar filho único, contestado por alguns que dizem ter sido mais como homenagem à sua carreira do que pelo filme em si. Eu não assisti ao ‘western’ de 1969 e nem posso fazer uma comparação, só posso comentar o que vi, e adorei esta leitura lançada lá fora ano passado e que aportou agora em nossas terras devido a “pressão” do Oscar.

Na trama acompanhamos a jovem garota Martie Ross (Hailee Steinfeld) que está em busca de vingança pela morte de seu pai por um tal de Tom Chaney (Josh Brolin, “Jonah Hex”, “Onde os Fracos Não tem Vez”). Ela parte em busca de contratar alguém para ajudá-la na caçada e acaba escolhendo um beberrão caolho conhecido como Rooster Cogburn (Jeff Bridges, “Homem de Ferro”, ). Na caçada eles ainda se deparam com um ‘Texas Ranger’ falastrão chamado LaBoeuf (Matt Damon, “Além da Vida”, “Invictus”).

Com 10 indicações ao Oscar (incluindo aí a indicação para melhor filme do ano) temos aqui um dos trabalhos mais “acessíveis” dos irmãos Coen. Apesar de estar impregnado com o humor característico deles, “Bravura Indômita” trata-se de uma aventura menos complexa e com um desfecho menos insano do que o de costume, ao contrário de outras obras suas como “Onde os Fracos Não tem Vez” que deixou muita gente espumando de raiva.

É no elenco que está o ponto forte de “Bravura Indômita”, as atuações estão bastante carismáticas e é difícil não se render a cada um dos personagens aqui apresentados. O destaque vai claro para o “pequeno diabrete” que é a jovem Hailee Steinfeld. Na sequência ainda temos um Jeff Bridges que por diversas vezes parece estar bêbado de verdade no papel do caolho beberrão e que consegue nos fazer rir e ao mesmo tempo nos cativa com o seu Cogburn. Talvez menos inspirado que os demais, mas ainda sim bem no papel, temos Matt Damon e o seu personagem habilidoso nas palavras. Sobra ainda espaço para outros atores aparecerem muito bem em pequenas participações, incluindo aí o já parceiro dos Coen Josh Brolin.

Por mais que esteja longe de ser uma obra-prima e nem seja o melhor dos Coen, “Bravura Indômita” carrega o humor negro característico de seus trabalhos e mescla bem diversão com uma aventura western recheada de lindas cenas como a de uma cavalgada já no final do filme. A ausência de algumas das características que sempre acabam distanciando um pouco seus trabalhos do público mais comum faz com que esta seja talvez a obra mais bem aceita dos alucinados irmãos cineastas.


Bravura Indômita (True Grit: Faroeste, Aventura, 2010 – 110 min)

Um filme de Joel e Ethan Coen baseado no romance de Charles Portis com Hailee Steinfeld, Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin e Barry Pepper.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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7 Comments

  1. Depois daessa classificaçõa, com certeza vou assistir!

    Beijos
    Vanessa Sagossi
    comentandoofilme.blogspot.com

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  2. Ri algumas vezes no filme, além do final ter uma emoção gostosa. Rooster é um personagem bem carismático e quase corri com ele segurando minha pistola imaginária cavalgando em meu cavalo que agora, pós filme, volto a chamar de poltrona.

    Não é uma obra-prima como Melo citou, mas é um ótimo divertimento.

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  3. Não sei se a palavra certa é “acessível” não, mas entendo o que você quer dizer. O filme é realmente muito bom, pena que mesmo assim o fato de ser “faroeste” ainda me incomode um pouquinho.

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    • Não encontrei uma palavra mais “simples” para falar, mas é o que sinto quando pergunto a algumas pessoas o que acharam de filmes dos Coen como “Onde os Fracos Não Tem Vez” por exemplo. As pessoas acham complicado desvirtuar a “aventura” principal da mensagem do filme e, pior, morrem de raiva com o final “louco”.

      Eu também não gosto de faroeste, mas Jeff Bridges e o pequeno demo detonam demais.

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  4. ótimo esse filme…adorei…e olhe que não sou chegado a drama!!

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  5. Eu gostei mais do antigão.

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