Baixio das Bestas

O diretor Cláudio Assis (pernambucano de Caruaru) estreou nos cinemas causando sentimentos antagônicos no público com “Amarelo Manga” (2002), alguns o admiraram outros ficaram apenas chocados. No ano de 2006 ele lançou o seu segundo filme, “Baixio das Bestas”, que consegue ser ainda mais provocativo e forte. Confesso que este seu segundo trabalho me deixou pouco à vontade por utilizar níveis bastante exagerados de sexo e violência para passar a sua mensagem.

A trama segue algumas histórias em paralelo numa localidade chamada Baixio no interior pernambucano. Com resquícios da cultura do cultivo de cana num sertão pobre, acompanhamos histórias de prostituição, exploração sexual infantil de uma menina e, também, a de alguns jovens baderneiros e inconsequentes aprontando em alta.

Das situações apresentadas a principal é a da garota Auxiliadora (Mariah Teixeira) que é explorada pelo seu avô, que recebe dinheiro para deixar alguns caminhoneiros a verem despida. Sim, temos em vários instantes uma jovem menor de idade totalmente nua, e isso é apenas uma das situações que de certa forma ‘incomoda’ ou, pelo menos, te deixa inquieto(a). E a nudez não para (sem acento é foda!) por aí, Caio Blat, Matheus Nechergaele e Dira Paes estão muito à vontade pelados diante das câmeras.

Para quem tem um coração fraco para cenas de violência e sexo, incluindo palavreado forte também, “Baixio das Bestas” é uma obra complicada de se ver. Se a proposta era chocar para passar a visão da falta de dignidade e respeito que o ser humano pode chegar em determinadas situações, pode-se dizer que o filme cumpriu seu objetivo.

Como nem só de entretenimento vive o cinema, existem obras que possuem um propósito diferenciado, são feitas para questionar e “mexer” com o público, e isso vai de encontro com uma frase que o personagem de Nechergaele diz em determinada parte do filme: “Cinema é bom porque você pode fazer o que quiser”.

Não é que eu seja nenhum puritano, mas acho que “Baixio das Bestas” é um pouco contundente e exagerado demais pro meu gosto, por isso não curti tanto assim e, de coração, não é um trabalho que recomendaria ser assistido a uma grande parcela das pessoas que conheço.


Baixio das Bestas (Drama, 2006)

Um filme de Cláudio Assis com Caio Blat, Dira Paes, Matheus Nechergaele, Irandhir Santos e Mariah Teixeira.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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13 Comments

  1. Porra man, esse filme aí é bom. O cinema nacional não pode ser apenas filmes com cara de televisão. Alguém tem que mostrar algo diferente. Acho “Amarelo Manga” melhor, mas esse aí procede também. O senhor tá muito “puritano”.
    eheheheheheh

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    • Não disse que é ruim, mas não gostei não, achei um pouco exagerado demais. Pode ser que o puritano seja eu e você esteja certo hehehe

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  2. eu vou baixar pra não assistir mais pra ver as cenas…estou curioso quanto a elas!!!

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  3. Já assisti esse. É um filme que tenta ser mais do que realmente é.

    O pior é ter que aceitar Caio Blat como bad boy estuprador.

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  4. esse filme é Horrivél….e as cenas fortes..não são tão fortes asim!!!

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  5. O filme é bom, é tudo válido, não vi nada inédito. O mundo encantado da Barbie só existe na cabeça dos “boboquinhas” mais sensíveis, temerosos do mundo cão, que dormem com a luz do banheiro acesa… Irreversible, de Gaspar Noé é bem mais confuso, tem menos sexo e violência, mesmo com a cena do extintor, e perturba mais.

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    • Irreversible é um filmaço, Baixio das Bestas tem o seu valor, é duro e real, mesmo assim, para mim, foi apenas regular.

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  6. achei demais, mas gostei mais do amarelo manga

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  7. Mariah Teixera menor de idade?! A “menina” tá beirando os 27 anos, patrão! hehehe
    E diga-se de passagem, uma excelente atriz!
    O filme não é horrível, como alguns disseram aqui…
    isso é o interior do nordeste, fatos até comuns.
    Pesado? sim! Há filmes para rir e pensar na vida e há outros para se chocar e aprender que o mundo é muito maior que aquilo que conhecemos.
    Esse filme é um experiência “assistida e de outros” de vida.

    Abraço.

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    • Eu quis dizer a idade dela na época do filme, já era de maior? Pesquisei e não vi essa informação.

      Independente da “proposta” do filme eu não gostei muito, e em outros sites ele também não está tão bem cotado. Existem filmes “realistas” e “chocantes” que melhores que este.

      Mas respeito sua opinião.

      Abraços

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  8. É impressionante como o cinema nacional que tem poucos que se arvoram a produzir é tão criticado, entretanto, batemos palma para os “enlatados” de Hollywood. Assisti o filme e adorei! A atuação de Mariah Teixeira é esplendida.

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