Quando o primeiro Jogos Mortais foi lançado em 2004, ninguém imaginaria que se tornaria uma franquia tão lucrativa. O filme despretencioso, com baixo orçamento, poucos cenários e roteiro elaborado imediatamente ganhou o gosto popular. Imediatamente, sentindo o faro do dinheiro, deu-se início uma das franquias mais lucrativas do cinema.

Em 2010, após seis filmes, foi prometido o último longa da saga: Jogos Mortais – O Final. Eu assisti mas sem nenhum tipo de expectativa porque meu interesse pela franquia terminou exatamente quando subiu os créditos finais do segundo filme. Este não é muito diferente dos outros… e teve a seu favor duas coisas: Responder o que aconteceu com personagens dos filmes anteriores e o famoso 3D.

A idéia principal se perdeu a muito tempo e o vilão JigSaw, já falecido, continua realizando seu jogo mortal através das mãos de infinitos personagens. O que me fez gostar do primeiro filme foi exatamente o jogo do vilão. Colocar os personagens em situações limite, obrigá-lo a fazer um grande sacrifício pela própria vida e arrepender-se de suas atitudes anteriores, foi algo maravilhoso. JigSaw era inteligente e muito preciso. As armadilhas dele não eram tão elaboradas porém mortais, sem contar que a vítima realmente tinha uma possibilidade de escapar.

O tempo passou, já no segundo filme JigSaw passou a focar suas armadilhas em um personagem central e fazer coisas mirabolantes como uma piscina de seringas usadas. O problema é que já no primeiro filme o vilão mostrou que sofria de uma grave doença, coisa que o deixou muito debilitado … Uma forma de manter a franquia foi criar “ajudantes” que ao longo dos anos iam sendo mortos ou trocados por outros. E foi exatamente aí que o filme se perdeu. O Jogos Mortais original ficou na memória e os outros descaracterizaram o vilão e suas armadilhas. O que antes era um aparato com um proposito de marcar a vida da vítima, agora eram verdadeiros aparatos que só um expert em engenharia poderia montar, de uma forma sincronizada e sem esquecer que aconteciam, as vezes, simultaneamente em várias salas.

Alerta de Spoiler

Neste ‘último” filme Jogos Mortais, o agente Mark Hoffman e John Kramer, viúva de JigSaw, brigam pelo seu legado. O jogo de gato e rato é bobo e com situações ridículas que demonstram que todos os oficiais da polícia que passaram pela franquia são totalmente despreparados. Em paralelo a isso temos um personagem que resolve ganhar dinheiro fingindo ser um sobrevivente das armadilhas de JigSaw e virou uma espécie de pop star com livro publicado. Não é de se estranhar que ele será o próximo a ter a chance real de entrar nas armadilhas e se arrepender das mentiras que conta. E por falar em armadilhas elas não são mais tão interessantes e posso dizer que o único aparato realmente diferenciado foi uma caixa transparente no meio da rua onde três pessoas são “testadas” e o público ao redor assistindo. Outro ponto a ser destacado neste filme são alguns antigos personagens que sobreviveram aos testes do JigSaw – ou seus assistentes – e aparecem em grupos de auto-ajuda e tentam se libertar do trauma; um deles é o nosso velho amigo Dr. Lawrence Gordon, que cortou o próprio pé e fugiu no primeiro filme. Uma passagem rápida mostrando como ele conseguiu escapar vivo é mostrada mas tudo que aconteceu depois tirou todos os méritos do personagem e o final foi totalmente desnecessário. Isso só nos deixou claro que podemos esperar um outro Jogos Mortais por aí… mas eu realmente espero que não.

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