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“Lucie é uma criança que foi sequestrada e fica alguns meses em cativeiro. Com um descuido dos seus algozes ela consegue fugir, sendo resgatada pelas autoridades. Apesar dos maus tratos, Lucie não aparenta sinais de violência sexual. Levada a um orfanato, conhece Anna, outra órfã a quem se apega muito. Depois de adulta, Lucie vai em busca dos seus raptores e trama uma vingança brutal mas, é Anna quem paga um preço alto por isso .”
Primeiro gostaria de dizer que Martyrs não é um filme que eu recomendaria. Este não é um filme comercial, fácil de agradar ao grande público, com um psicopata, zumbis, fantasmas e adolescentes marcados por esteriótipos. Eu diria que Martyrs é um filme francês com inspiração no cinema japonês e apenas isso já seria o suficiente para mostrar que está longe de ser um modelo americano de filmes de terror. Aliás, o que classifica um filme como terror? A presença de sangue, mocinho, mutilações, vilão…?
Somos apresentados a Lucie, uma sobrevivente. Quando a encontramos maltratada, coberta de sangue, sujeira, ofegante em busca da liberdade, não temos idéia do que ela sofreu. Os danos psicológicos causados por isso a acompanham até a idade adulta e exatamente essa aparente loucura que nos mostra algo terrível: um ser que a persegue e parece ter a intenção de terminar aquilo que começou: matar Lucie. Esse jogo sobrenatural me fez sentir como se assistisse a um filme japonês, um terror, uma tensão que só os orientais conseguem fazer com tanta propriedade. Nesse meio tempo testemunhamos a relação fraternal de Lucie com Annie, que juntas demonstram ter um segredo. Annie sabe o que aconteceu com Lucie, mas é tão terrível que não pode contar a ninguém.
Quando Lucie inicia sua vingança e aparentemente resolve seu maior problema, aquilo que a libertará para ter uma vida normal sem neuroses ou medo, percebo algo estranho: Eu ainda estava na primeira meia hora de filme. E neste momento somos levados a uma outra atmosfera da história, um patamar de tortura psicológica muito além do que eu poderia esperar. Entendo o fascínio por sangue e filmes que exploram a violência explicita mas no caso de Martyrs aquilo que mais incomoda é a brutalidade a que são tratadas nossas heroínas mesmo quando não existe sangue voando na tela.
Eu particularmente gosto muito de protagonistas mulheres, acredito que as grandes heroinas foram muito mais marcantes que os heróis nos filmes de terror e quem sabe posso também dizer que me incomoda o sentimento de testemunhar passivamente um ato de violência como alguns filmes conseguem passar. Este é um dos problemas de Martyrs, esse gosto ruim que fica na boca, uma leve sensação depressiva que provavelmente você sentirá. Se você está em busca de um novo olhar a respeito do cinema de terror, fique a vontade de entrar… mas depois que sair, não será mais o mesmo.
Em tempo:
- O filme gerou um burburinho tão grande que já está sendo preparado um remake com ninguém menos que Kristen Stewart no elenco;
- Sugiro que não veja nenhum trailer ou procure informações do filme porque pode acabar em algum spoiler e prejudicar sua percepção do filme.


21 comentários
Alan Raspante says:
Nov 11, 2010
Já tinha lido coisas muito interessantes sobre o filme, sempre elogiando com ele é bom. Agora vendo aqui, que recebeu 5 controles … deve ser mesmo FODA!
Curiosidade, mata viu …
Dani Vidal says:
Nov 12, 2010
Eu normalmente não recomendo filmes no estilo de Martyrs pois não acho que seja o perfil do grande público do cinema de horror… mas horror ele tem bastante!
Marcelo says:
Nov 11, 2010
Já assisti e é muito bom ! Talvez o melhor filme de “horror” de 2008, apesar de alguns desinformados acusarem de ser outro torture porn.
A primeira parte é assustadora e tem aquele velho momento em que você grita “mas por que essa idiota não sai logo daí ?!?!?!?”.
A segunda parte é muito pesada e o final é perfeito (aquela véia disgraçada !!).
Dani Vidal says:
Nov 12, 2010
Iniciamos o filme achando que vamos desvendar o passado de Lucie mas na verdade vamos viver o pesadelo de Anne!
Is Nicolas Cage The Villain In ‘Ghost Rider’ Sequel? says:
Nov 12, 2010
[...] Crítica do filme Martyrs | Porra, man! [...]
@Welll_Azevedo says:
Nov 12, 2010
Uau, Dani! Tenho de admitir que seus últimos posts têm sido nada menos que espetaculares! Só filmes fora do mainstream, só obras realmente instigantes.
Esse aí então…! Nossa, me deixou com a pulga atrás da orelha!
Vou seguir suas recomendações não vou deixar-me ‘spoilear’ por nada, vou assistí-lo apenas com sua crítica em mente.
Parabéns, novamente, pelo ótimo trabalho!
^^.
Tweets that mention Crítica do filme Martyrs | Porra, man! -- Topsy.com says:
Nov 12, 2010
[...] This post was mentioned on Twitter by Dani Vidal and Marcio Melo, Wellington Azevedo. Wellington Azevedo said: @danividal ótimo o post sobre o filme "Martyrs" http://twurl.nl/04qct0 Fiquei curiosíssimo pra assistir!! [...]
Lan Victor says:
Dec 3, 2010
Esse filme é muito f**a. Desde então até agora continua sendo o meu favorito no gênero, outro que recomendo é outro fracês “A Invasora”.
“- O filme gerou um burburinho tão grande que já está sendo preparado um remake com ninguém menos que Kristen Stewart no elenco.”
Já arrisco em afirmar que lá vem mer**.
Kentaro says:
Jan 25, 2011
Cara, sinceramente, o filme é um lixo. Peguei pra ver por causa de pessoas como vocês, que acham que assistir qualquer porcaria européia é sinonimo de ser “cult”. Não tem nada demais no filme, ele começa bem, mas no meio do caminho se perde, sem contar que no final (uns 20mim de filme) fica toda hora cortando a cena como se o filme fosse acabar (ridiculo).
Filme altamente recomendado para aqueles que não tem nada na cabeça e quer bancar o intelectual. O pior é ainda querer divulgar isso.
PS: Não serviu nem como material de pesquisa.
Dani Vidal says:
Jan 25, 2011
Só lamento por você que perdeu tempo…
Nossa idéia de porcaria é bem diferente… eu gostaria que você mostrasse as porcarias europeias que eu indiquei aqui … Devem ter sido muitas.
Como não tenho nada na cabeça você não deveria se importar tanto com filmes que eu indico não é verdade?
Kentaro says:
Jan 26, 2011
Não sabia que você era esse tipo de pessoa (que quer ser, mas não é) até ter visto uma de suas recomendações. Você acha que eu tenho uma bola de cristal?
Fernanda says:
Apr 12, 2011
Não basta ser perturbador!
Não basta ser violento!
Não basta ter cenas que nos impressionem ao extremo.
Tem que ter enredo, coerência e sincronia. E isso tudo faltou no filme.
Durante a primeira parte do filme, estamos começando a compreender o que se passa, quando de repente o filme dá uma reviravolta e parte para outra trama. E novamente começa a expectativa por uma explicação. Quando ela nos é dada parcialmente por um diálogo pobre e concluída ao final do filme, é constatado que tudo não passou de violência gratuita. O motivo dado para a “experiência” é pífio, ridículo e incoerente.
Resultado: bosta de filme.
Pelo menos não o assisti por indicação de ninguém… hehe
Dani Vidal says:
Apr 12, 2011
Oi Fernanda,
Ainda bem que você não assistiu ao filme depois que eu indiquei!!!! Ia ficar zangada comigo =)
Mas é uma pena porque eu gostei pra caramba.
Beto says:
Jul 13, 2011
Confesso que já assisti muito filme de terror e suspense, mas esse realmente supera tudo aquilo que já vi, é angustiante.
belkira says:
Aug 10, 2011
ola não quero comentar , pois não vi o tal filme ainda gosteria de saber quando chega nas locadoras do brasil dublado de preferencia?
Jefferson G. says:
Sep 25, 2011
O Problema dos robôs de plantão , é que não conseguem assistir á um filme sem por defeito ,analisando tudo como se um horror/torture enfim, devesse seguir uma regra de ouro devendo sempre algo pra algum “clááássico”..por favor né…vamos começar a ver filmes por conta própria também, faz bem..!:)
Herick says:
Oct 15, 2011
Sinceramente esperava mais desse filme… O enredo se perde no meio da trama, os diálogos são confusos e o fim não tem nada de interessante.
Vinícius Ferreira says:
Dec 13, 2011
Adoro os filmes de terror franceses. “Alta Tensão”, “A Invasora” e “A Fronteira” – este último deixou a desejar, mas é bem tragável – estão entre os que eu mais gosto. Porém, Martyrs é, sem dúvida, um dos piores dessa leva de excelentes filmes. É um roteiro que se perde e não vai a lugar nenhum. Um filme picareta. Não se enganem com o rótulo “cult” que deram a esse filme. Os 50 primeiros minutos são sensacionais, mas, os próximos 40 minutos o roteiro muda de uma forma bruta e desleixada. Não estou julgando o conteúdo do filme, pois, é o filme mais “leve” comparado aos citados acima. O sangue, a tortura e tudo mais, é até bem feito, mas nada que impressione. Uma dica: levem ao pé da letra o título, para não serem enganados, assim como eu.
Léo says:
Dec 30, 2011
Pra mim, um dos melhores filmes de terror. A França ta se mostrando a salvadora do terror na última década. Não poupam esforços – mesmo sem ter todos os recursos de Hollywood – pra nos presentear com seus filmes.
Não achei que foi violência gratuita como disseram ai, nem que a história se perdeu, achei até o tema metafísico bem original, e não tem nada de torture porn… Os filmes franceses são os únicos que conseguem fazer com que e torça pras vítimas. Os filmes de Hollywood são tão artificiais, assim como seus personagens, que é difícil não ser indiferente haha.
To muito ansioso pela estreia de Livide, e isso da Kirsten Stewart no remake de Martyrs é boato.
PS: Já repararam que nos filmes franceses quase não tem homens? Os papeis principais são geralmente mulheres. Não mulheres burras e retardadas como nos terrores teen, mas são quase sempre mulheres. Outra coisa também é que parece que sempre tem uma atmosfera lésbica nos filmes hahaha
Claudia says:
Mar 23, 2012
AJUUUUUDA, não consigo esse filme em lugar nenhum!
Ozzie says:
Apr 6, 2012
O roteiro é cheio de falhas, mas devo admitir, é um filme que prende a atenção e leva o espectador a um nível de angústia e desespero como poucos do gênero. Aqueles que são capazes de deixar-se envolver pela trama e sensibilizar-se com as dores da personagem vão terminar o filme com a sensação que acabaram de passar por um “abuso” psicológico. Realmente não é recomendado aos mais sensíveis, ainda assim, é um bom filme!