A ideia de dividir o último filme de uma das maiores franquias do cinema em duas partes pode ser sim taxada como gananciosa, afinal irão ganhar “dois dinheiros” de quem for assistir. O melhor é que todo mundo saiu ganhando com essa divisão, os estúdios e também os fãs (olha eu) porque temos na primeira parte de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” a adaptação mais bem detalhada em relação aos livros. Com tempo de sobra (2 horas e meia), pouca coisa foi alterada ou ficou de fora neste filme.

Desta vez temos o trio de protagonistas fora dos domínios de Hogwarts e, principalmente, sem a proteção de Dumbledore. A saga continua cada vez mais sombria e em tons de cinza, sendo que aqui na primeira parte de “As Relíquias da Morte” a imensidão dos lugares onde Harry, Hermione e Ron acampam e estudam sobre as Horcrux deixa uma sensação de vazio e frieza muito grande.

A trama vai acompanhando o trio em busca das outras Horcrux para poder acabar de vez com Voldemort. Ainda que tenhamos alguns momentos de alívio cômico, a aventura está muito mais densa e dramática. Isso acabou contribuindo para que Rupert Grint demonstrasse seu talento, não sendo apenas o responsável pelos risos (mesmo sendo com ele os momentos mais divertidos do filme). A tensão entre a grande responsabilidade que os três tem pela frente começa a gerar rixas, brigas e ciúmes. Daniel Radcliffe já tinha evoluído a algum tempo e aqui não faz feio, mas Emma Watson é mesmo a melhor do elenco e rouba várias cenas no filme.

O filme é grande e destinado exclusivamente aos fãs de Harry Potter, nem pense em acompanhar alguém por camaradagem porque você vai se sentir perdido. Com tempo de sobra para explorar a metade da história final, temos planos e histórias bem detalhadas, arrisco-me a dizer que de todos os filmes é o mais fiel em relação aos livros. Até mesmo Dobby que andava sumido nos cinemas – mesmo sendo um personagem relevante para a história desde o início – aparece de forma excelente e é dele ainda o momento mais emocionante do longa.

David Yates mais uma vez conseguiu unir momentos de ação, tensão, suspense e até um pouco de humor de forma perfeita. Tudo envolvido com uma alta dramaticidade, afinal estamos a alguns passos do desfecho dessa saga que já nos acompanha a 10 anos.

O único problema em “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” é que, como não poderia deixar de ser, ainda fica faltando a segunda metade da história. O filme acabou e eu fiquei naquela sensação de que aguentaria fácil ver mais 2 horas e meia e chegar logo ao fim.

Por ser tão bem detalhado e contar com uma ótima mistura entre suspense e aventura, sem falar ainda no elenco cada vez mais brilhante e convincente, acredito que possa aproximar e dar a classificação máxima para este filme. Mas esse sou eu fã da saga Harry Potter, totalmente passional e emotivo.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1, Fantasia, Drama: 2010 – 146 min)

Dirigido por David Yates com roteiro de Steve Kloves. Estrelando: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, Bill Nighy, Richard Griffiths, Harry Melling, Julie Walters, Bonnie Wright, Fiona Shaw, Alan Rickman, Carolyn Pickles, Toby Jones, Robbie Coltrane, Brendan Gleeson, James Phelps, Oliver Phelps, Mark Williams, George Harris, Andy Linden, Mundungus Fletcher, Domhnall Gleeson, Clémence Poésy, Natalia Tena, Evanna Lynch, Rhys Ifans, Matthew Lewis, David Thewlis e John Hurt.

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