A Suprema Felicidade (Drama, 2010 – 125 min)

Dirigido por Arnaldo Jabor com roteiro de Arnaldo Jabor e Ananda Rubinstein. Estrelando: Marco Nanini, Dan Stulbach, Mariana Lima, Jayme Matarazzo, Elke Maravilha, João Miguel e Maria Flor.

Nunca fui muito fã de Arnaldo Jabor, para falar a verdade, tenho até uma certa má vontade (inexplicável) com o sujeito. Mesmo assim fui de peito aberto conferir o seu mais novo trabalho no cinema “A Suprema Felicidade” e não gostei muito do que vi. Com um forte apelo poético e saudosista o filme consegue até deixar algumas mensagens, pena que é extremamente monótono e cansativo.

Seu último trabalho nos cinemas tinha sido lançado em 1984 e depois de uma longa jornada como cronista, ele resolveu voltar às telonas. Na trama acompanhamos alguns anos na vida de uma família formada por um brigadeiro mulherengo, um filho envolvido em seus próprios problemas desde a infância até o seu amadurecimento e sua mãe “presa” dentro de casa e convivendo com os ciúmes de seu marido. Não foge muito de aventuras de adolescentes em bregas e puteiros, amores por mulheres fatais de cabarés e mensagens de vida batidas.

O melhor do filme fica mesmo com Marco Nanini – que faz o melhor “fake trompete” (ou “air trompete” como disse minha amiga) dos últimos tempos – ele está simplesmente genial como o avô do garoto, talvez seja o único na trama que chega próximo a tal suprema felicidade em algum momento de sua vida. Outro personagem extremamente divertido, mas que aparece pouco, é o pipoqueiro interpretado por João Miguel (Estômago, Cinema, Aspirinas e Urubus), como sempre numa excelente atuação.

Para mim, pessoalmente falando, a grande questão é que trabalhos que querem soar inteligentes e maduros, com passagens poéticas e cenas ‘nonsense‘ dificilmente me agradam. Muitos comentaram que o maior erro de Arnaldo Jabor foi não perceber que o cinema nacional avançou no tempo e ele ficou para trás, preso a uma época distante. Particularmente eu discordo desta afirmação, ele não precisa avançar no tempo só porque todo mundo deseja ou está fazendo, acredito que ele quis fazer uma obra com cunho autobiográfico e impregnada de saudades.

O grande problema de “A Suprema Felicidade” é que, de tanto querer soar inteligente e banhada na antiga malemolência carioca, ela conseguiu apenas me deixar beirando a infelicidade de ter perdido o meu tempo nos cinemas, não foi uma infelicidade suprema como comentaram comigo, mas sinceramente, achei um filme muito fraco. Prefiro continuar superficial do que querer me aprofundar em questões tão sonolentas como as que Arnaldo Jabor apresentou neste seu trabalho.

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