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Quando soube que Eli Roth estava produzindo um filme de terror, imaginei que seria algo na linha de seu gosto pessoal: Gore, sangue, membros decepados, mulheres nuas, sexo. A informação que seria filmado no estilo falso documentário me deixou mais cética ainda e ao ver o trailer, fraco e sem sangue ou manifestações intensas, achei que não veria nada de novo; apenas uma  forçada para mudar o estilo do próprio Eli Roth. Cheguei ao ponto de descartar a possibilidade de ver O Último Exorcismo no cinema.

O filme conta a história de Cotton Marcus, um reverendo conceituado, pastor e exorcista, que está gravando um documentário sobre sua vida. A idéia é desmascarar a possessão demoníaca mostrando que os exorcismos são uma fraude, inclusive os que ele próprio fez. Ele recebe uma carta da Louisiana, onde um pai pede ajuda para salvar sua filha que ele julga estar possuída. Junto com a equipe do documentário, Pr. Cotton segue até lá.

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Apesar de assistir ao filme sem grandes expectativas confesso que me surpreendi. Os 40 primeiros minutos de filme foram uma grata surpesa e tinha tudo para entrar no hall dos filmes como  Sexto Sentido, porque trouxe uma nova visão de um mesmo assunto. Quando Pr. Cotton revela que não acredita em exorcismo, apesar de fazê-los, já mostra como isso vai ser interessante. O formato documentário facilita para entendermos de forma direta e clara, como ele consegue manipular tantas pessoas e  ajudá-las também, até pelo fato de Pr. Cotton acreditar que as pessoas não estão possuídas, mas se ele as faz acreditar que o demônio se foi – num ritual de exorcismo – ela se sente curada, logo, o problema acaba.

O cenário da Louisiana é assustador. Grandes áreas abertas, casas depredadas e abandonadas, pessoas superticiosas, ajuda a construir o tom do filme. Um dos grandes trunfos de O Último Exorcismo foi mostrar o drama que envolve a idéia de possessão. Uma família desestruturada após a trágica morte da mãe, devido a um câncer, fez com que o pai deixasse de acreditar em médicos, se isolasse cada vez mais em sua fazenda, tornando-se um cristão ortodoxo – vivendo de forma medieval – sem permitir que os filhos frequentassem a escola, baseado em uma fé cega, acredita que a filha está possuída por um demônio e já matou alguns animais do sítio.

Alerta de Spoiler

É neste conturbado contexto que somos apresentados a Nell, uma garota de 16 anos, infantilizada, com a curiosidade de alguém que vive isolada de tudo e todos, de olhar inocente e cativa a todos no primeiro instante. Com a gravação do documentário podemos nos aproximar desta família (que também possui o irmão mais velho de Nell, Caleb) onde os caminhos levam a lugares muito diferentes. Estaria Nell com problemas psicológicos devido ao trauma de perder a mãe, sua melhor amiga e referencial de vida? O isolamento imposto pelo pai teria pertubado a jovem? Será que foi ela mesmo a responsável por tudo aquilo ou não passa de uma brincadeira de uma terceira pessoa? Ao descobrir que Nell está grávida, entramos em um buraco ainda mais fundo. Ela estaria sofrendo abuso do próprio pai? Do irmão? Será que toda a sua confusão mental não é fruto disso? Esta confusão mental existe mesmo ou somos nós, telespectadores, que vemos o que não está lá?

Quando tudo isso nos é apresentado, posso garantir que fiquei com um nó na garganta, achando que estava assistindo a algo diferente de tudo que já vi. Aplaudiria Eli Roth de pé após o filme e seguramente entraria na minha lista de favoritos. Mas, como disse antes, isso nos 40 primeiros minutos. Se o sonho fosse verdade, este filme seria um SUSPENSE/ DRAMA. Eis que o problema começa a aparecer quando sustos sem propósito, comportamento incoerente dos protagonistas – principalmente do Pr. Cotton, a história de “sua fé está sendo testatada” … não funciona. Esta idéia de redenção, no final ele vê que Deus existe e o Capeta também, se torna um homem de fé, blá, blá, blá, wiskas sachê… não convence. Ao apagar todo o drama e suspense para entrar em um terror forçado o filme consegue destruir tudo que foi construido. A cena final foi patética. Seita satânica? Bebê do capiroto? E aquelas mortes? Por que?? Por que??

Fim do Spoiler

Vi em O Último Exorcismo, uma excelente idéia ser desperdiçada por causa de uma moda – câmera na mão, baixo orçamento = sucesso de público. Não dúvido que seja realmente um sucesso em bilheteria mas a chance de fazer um filme original caiu por terra.

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Curiosidades:

– Não esperem cenas fortes de exorcismo. Ao contrário do que se espera, as cenas são bem mornas e todas estão no trailer;

– Por falar em trailer, algumas cenas do trailer não estão no filme! Ela não corre pelo teto e muito menos sobre pela parede como no cartaz. Propaganda enganosa.

– A cena em que Pr. Cotton mostra como encenou o exorcismo de Nell é muito boa. Os truques utilizados e principalmente a comoção da família achando que aquilo era real vale a pena ser vista de novo;

– As interpretações merecem destaque. Ashley Bell está muito convincente como a jovem Nell. Acredito que o falso documentário não teria funcionado se Patrick Fabian não demonstrasse todo o carisma que alguém como o Pr. Cotton exigiu;

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