[REC] 2 – Possuídos ([REC]², Terror, 2009/2010 – 85 min)

Direção e roteiro por Jaume Balagueró e Paco Plaza. Estrelando: Jonathan Mellor, Oscar Sanchez Zafra, Leticia Dolera, Ariel Casas, Juli Fabregas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso, Pep Molina e Manuela Velasco.

O cinema espanhol entregou para o mundo uma das melhores produções do gênero terror com o primeiro (e excelente)  [REC]. Depois de tanto sucesso de crítica e público nada mais normal do que fazerem uma sequência para faturar um pouco mais. E assim nos foi entregue “[REC]² – Possuídos” que, para não ser injusto, mantém o alto clima de tensão do primeiro mas, infelizmente, escorrega no roteiro e em seus fraquíssimos argumentos.

A trama começa logo após os acontecimentos finais do primeiro filme, um grupo de policiais adentra ao prédio em uma missão liderada por um agente enviado supostamente pelo ministério da saúde que, além de deter informações privilegiadas sobre o tal vírus e tudo o que está acontecendo lá dentro, é o único que pode dar a ordem para todos saírem.

Voltamos ao estilo ‘documental’ com câmera na mão, só que muito melhorado em relação ao primeiro filme que só tinha a câmera da repórter interpretada pela belíssima Manuela Velasco. Agora além de um sujeito filmando tudo temos câmeras nos capacetes que dão um tom ainda mais pessoal e instigante (em alguns momentos parece até um game em primeira pessoa). Todo o jogo de câmera caída no chão, som e imagens que vão falhando e também a bateria esgotando são usados novamente.

O clima de tensão continua em alta, sem dar tempo às vezes até de se respirar. O filme é até divertido no início, mas é quando começam vir a tona as explicações para o tal vírus que vai tudo por água abaixo. O próprio título nacional entrega um grande spoiler – é incrível, quando o título aqui não é ruim ele estraga algumas surpresas e essa informação acaba fazendo até com que se perca “a graça” e a idéia plantada no primeiro [REC].

Não tenho muito que falar do elenco até porque o tom e estilo do projeto não deixa muito espaço para os personagens serem desenvolvidos e talvez nem precisasse mesmo disto. O tal líder da missão (que comanda o grupo de agentes policiais) é fraco e tem umas crianças irritantes que entram na segunda metade da história também, mas isso é o de menos.

No final das contas é mais uma sequência que não acrescenta nada à obra original. Não é um completo desperdício de tempo e dinheiro até porque pra quem gosta do estilo de filmagem (câmera na mão, tremedeiras e correrias) dá para se divertir um pouco. Pena que o roteiro e as explicações sejam tão desprezíveis a ponto até de detonar o que foi construído anteriormente.

Trata-se portanto de mais um filme apenas regular. “Possuídos” mesmo devem estar os responsáveis por esse projeto que, além de pensarem mais em faturar do que em apresentar uma boa história, ainda fizeram questão de deixar o caminho aberto para mais uma continuação. O melhor do desfecho é quando toca uma singela canção espanhola: “Saaangree… Sangreeee.. Saaangre!”.

Related Posts with Thumbnails