Um Homem Sério (A Serious Man)

Um Homem Sério (A Serious Man, Comédia: 2009/2010 – 104  min)

Direção e roteiro por Joel e Ethan Coen. Estrelando: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Aaron Wolff, Fred Melamed, Sari Lennick, Jessica McManus, Peter Breitmayer, Amy Landecker, David Kang e Adam Arkin.

Desde o ano passado, quando foi lançado lá fora, que o mais novo trabalho dos irmãos Coen, “Um Homem Sério (A Serious Man)”, vem recebendo diversos elogios, tendo inclusive concorrido a dois Oscars este ano. Demorei um pouco para conseguir assistir a este que, para mim ao menos, era um dos filmes mais esperados. É mais um trabalho com a marca registrada dos irmãos cineastas que dificilmente me decepcionam.

A trama se passa na década de 60 e segue a história do professor judeu Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg em uma atuação espetacular) que enfrenta incontáveis (e aparentemente infinitas) adversidades em sua vida. Seus problemas vão desde seu mulher querendo divórcio, vizinho querendo ocupar seu espaço no terreno, irmão com problemas psicológicos a aluno querendo suborná-lo atrás de uma mudança de nota. Tudo isso envolvendo uma sátira, recheada de humor negro e muito sarcasmo, ao judaísmo.

A todo instante o personagem principal fica questionando o porquê de tudo aquilo acontecer com ele, qual a razão de toda esta avalanche de infortúnios e aborrecimentos. Sem saber o que fazer e qual caminho deve seguir, ele procura respostas e conselhos com os rabinos, sobrando até para seu advogado em determinadas situações.

O mais cômico é ver o paralelo que o filme traça com a vida real de grande parte das pessoas pelo mundo, que sempre quando passam por situações que exigem provações semelhantes a do personagem também se perguntam, e procuram, respostas divinas para tudo.

As marcas dos trabalhos de Joel e Ethan Coen estão presentes no filme, com destaque para o nível altíssimo de humor negro e situações inusitadas e ‘nonsense’. Este jeito peculiar que eles possuem de contar histórias sempre deixam os mais incautos de cabelo em pé e putos da vida. Se você foi um daqueles que chorou de raiva, por exemplo, com o desfecho do excelente “Onde os Fracos Não Tem Vez” é melhor correr léguas de “Um Homem Sério”, o final aqui é duplamente mais insano e surpreendente.

Só não gostei mais da obra lhe dando uma classificação maior até, pois acredito que algumas coisas devam ter passado desapercebidas por mim. Entendo pouquíssimo da religião, costumes e história dos judeus para poder compreender plenamente algumas situações (talvez), apesar de achar que isto não traz maiores problemas ou preocupações para quem assiste, dá pra levar tudo numa boa.

Não é daqueles filmes para você ficar gargalhando (apesar de que passei mal de rir na cena em que Larry vai tentar se aconselhar com o rabino Marshak, o mais porradão e antigo de todos), é engraçado mas é um humor mais sarcástico e contemplativo. É também um filme difícil de indicar, para quem gosta dos trabalhos dos irmãos Coen não tem muito erro. No final das contas é como diz o pai do aluno que quer subornar o professor Larry, “você precisa aceitar o mistério”.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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8 Comments

  1. Bem, como “Onde os fracos não tem vez” é um dos meus filmes preferidos até hoje, creio que vou gostar desse aí também.

    Mais um pra minha lista! 🙂

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  2. É como você falou, para quem gosta dos irmãos Coen não tem erro. Agora, acho que apesar de usar os judeus, a crítica vai além da comunidade, eles satirizam a sociedade americana com seus determinismos e postura de vida. Gosto também da forma como eles organizaram o roteiro.

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  3. Linno e Mentrei, é isso mesmo, se vocês curtem os Coen não tem erro, mesmo não tendo achado este filme a altura dos seus outros trabalhos.

    Amanda, sim, vai muito além do judaismo e quanto a forma que eles organizaram o roteiro foi realmente genial (como sempre).

    []´s

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  4. Faz tempo tbm que estou pra ver e nunca vejo. Gosto dos Coen, mas em alguns momentos esse tom sarcástico irrita e no resultado final acaba não gostando do filme. Mas vou conferi-lo…

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  5. Bom Alan, no seu caso então é bom tomar cuidado pois esse é um dos mais “irritantes” por assim dizer hehehe

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  6. Pois é, se eu fosse judeu teria entendido melhor as piadas e referências.

    Faltou comentar sobre o special guest do filme de Big Bang Theory.

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  7. Ramon, realmente acabei esquecendo de comentar a participação de “Wolowitz”, sensacional.

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