

Quincas Berro D’Água (Comédia, 2010 – 104 min)
Direção e roteiro de Sérgio Machado adaptando obra de Jorge Amado. Estrelando: Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Vladmir Brichta, Flávio Bauraqui, Irandhir Santos, Luis Miranda e Frank Menezes, Milton Gonçalves, Othon Bastos, Walderez de Barros, Carla Ribas.
Dos autores que somos obrigados a ler em nossa época de colégio/pré-vestibular, Jorge Amado sempre foi para mim um dos melhores (e dos poucos que realmente lia). Baseado no livro “A Morte e a Morte de Quincas Berro D´água”, Sérgio Machado – que fez “Cidade Baixa” – dirige e escreve o filme que adapta este hilário conto de Amado. Com um grande elenco e poucos deslizes, o resultado é uma putaria das boas.
Na trama vemos Quincas (Paulo José) morrer bem no dia do seu aniversário, enquanto seus amigos (uma legião de putas e bêbados) lhe aguardam para festejar. Quando sua morte é descoberta, sua filha (Mariana Ximenes) que não o via a muito tempo por ter vergonha do bêbado boêmio que se transformou vai ao velório de seu pai e acaba se deparando com essa corja de “maconheiros ladrões”.
O filme é todo narrado pelo “morto”, que aproveita para soltar pérolas no mais baixo calão sobre o que pensa de verdade de todos os que aparecem a sua volta. E é quando seus fiéis companheiros o “sequestram” para continuar a comemorar seu aniversário e decidem que ele ainda está vivo apenas pregando uma peça com todos, que “altas confusões do barulho” começam a surgir. Tudo no melhor estilo um “morto muito louco baianês”.
O longa é recheado de atores baianos, alguns oriundos do teatro (Frank Menezes faz muito sucesso nos tablados daqui de Salvador), outros do elenco de “O Paí Ó” e até gente de programas locais. Ao invés de se tornar uma completa porcaria amadora, isto ajuda a deixar o sotaque e o dialeto ‘baianês’ totalmente convincente e deveras divertido. Talvez quem é de fora precise se situar em uma “gíria” ou outra mais nada que atrapalhe.

O elenco global (toda vez que vejo aquele logo “Globo Filmes” no cinema eu tenho calafrios) nas mãos de Sérgio Machado conseguiu eliminar os ‘cacoetes’ novelescos e fazem bons papéis a exemplo de Mariana Ximenes (A Mulher do meu Amigo), bem contida na maior parte do tempo.
Em alguns momentos o filme tenta se situar numa onda de ‘drama’ que acaba só atrapalhando o ritmo, isso sem contar com algumas piadas bobas (o que é aquela tia peidorrenta?) que aparecem para arrancar o riso fácil vez ou outra. Mas nada disso atrapalha o resultado final, que rende sim boas gargalhas e um ótimo entretenimento. No final das contas a essência do conto de Jorge Amado se sobressai a algumas falhas e faz tudo valer a pena.

11 comentários
Amanda Aouad says:
Jun 4, 2010
É, a situação da tia é exagerada e forçada demais. Mas, o filme é muito gostoso de se ver, além de ser a cara da Bahia. Jorge Amado bem feito.
Quanto aos livros de escola, também preferia os de Jorge, mas até que gostava daquela fatídica “coleção vagalume”, hehe.
abraços
Rodrigo says:
Jun 4, 2010
Filmaço!! Jorge Amado é gênio e Sergio Machado um ótimo cineasta
Sid says:
Jun 4, 2010
Nunca gostei de Jorge Amado. Tive que ler Jubiabá (ou foi Mar Morto?) e achei um saco, parecia interminável. Mas fiquei um pouco curioso pra ver esse filme (se não me engano eu já li esse livro também…)
Ramon says:
Jun 4, 2010
É, não to empolgado em ver esse filme não, mas posso acabar assistindo.
Marcio Melo says:
Jun 4, 2010
Amanda, essa coleção vagalume eu lia também mas não era ‘obrigado’ a ler na matéria de literatura não né? Ou era?
Rodrigo, pelos 2 trabalhos de Sérgio Machado eu só posso concordar contigo.
Sid, Capitães da Areia é outro trabalho de Amado muito bom, pena que vi o trailer do filme que vai sair em breve nos cinemas e não gostei.
Ramon, é o tipo de filme que você tem mesmo aversão, esse apelo popular e baianês deve lhe dar calafrios no cinema, leve fé hehehe
Cintia Carvalho says:
Jun 5, 2010
Oi Marcio!
Tenho lido críticas boas sobre este filme. Comecei a gostar de Jorge Amado na adolescência, quando li, ainda fedelha, “capitães da areia”. A partir deste, li todos os outros e sempre gostei da forma escrachada de JA contar suas histórias.
Vou esperar sair em vídeo para ver, pois gostei muito do livro quando li.
Um beijinho
Ps. eu li a coleção vagalume…….rsrs
lady_M says:
Jun 5, 2010
Nunca havia lido o livro, parece que eles mudaram algumas coisas, mas me diverti bastante, concordo que ficou um estilo meio “um morto muito louco baianês”.
Alan Raspante says:
Jun 6, 2010
Antes de sair o filme, não estava com a mínima vontade de conferir, mas agora bendo apenas elogios ao longa, estou com muuuuita vontade de conferir! rs
Abs.
Marcio Melo says:
Jun 6, 2010
Cíntia, a coleção Vagalume é unanimidade mesmo, todo mundo gostava
Lena, tiveram sim algumas mudanças na adaptação que eu particulamente nem percebi pois li tem tanto tempo… Mas a essência da história de Jorge Amado está toda lá, e é muito divertida.
Alan, é realmente muito legal o filme, mas tem gente que não curte muito este estilo.
Capitaes da Areia | Porra, man! | Porra, man! says:
Nov 10, 2011
[...] e essa minha angústia teria um final feliz. A angústia realmente acabou, finalmente pude conferir mais uma adaptação de uma obra de Jorge Amado para os cinemas – vale dizer que da literatura obrigatória do ensino médio ele era um dos poucos autores que me [...]
Amanhã Nunca Mais - Crítica do Filme | Porra, man! says:
Nov 17, 2011
[...] motoqueito que ele encontra pelo seu caminho (literalmente) interpratado pelo baiano Luís Miranda (“Quincas Berro D´Água”) rendem divertidos momentos. Na verdade, as poucas e boas cenas de humor (dei algumas belas [...]