Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, Ação: 2010 – 117 min)

Direção de Matthew Vaughn com roteiro por Matthew Vaughn e Jane Goldman adaptando HQ de Mark Millar. Estrelando: Aaron Johnson, Chloe Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca e Jason Flemyng.

Depois de tanto hype e falatório mundo afora, finalmente conferi o trabalho de estréia (na direção) de Mattew Vaughn nos cinemas e posso dizer que Kick-Ass realmente chuta bundas. A HQ de Mark Millar por si só já reunia diversos elementos da ‘nova cultura’ nerd e pop (se é que isso existe), o trabalho de Vaughn aqui foi só transportar toda essa miscelânea de elementos para as telonas, o que ele fez com maestria e com auxílio de um elenco bastante inspirado.

A trama segue a história de Dave Lizewski (Aaron Johson) um sujeito bastante ‘comum’ e que leva uma vida praticamente insignificante sendo um típico nerd fã de quadrinhos e viciado em pornografia (como quase todos os jovens). Certo dia ele questiona com os amigos o porquê de ninguém ter tido a ‘brilhante’ idéia de se tornar um herói. Querendo arrumar algum propósito para sua ‘emocionante’ vida, ele arruma uma roupa de mergulho verde e amarela (seu uniforme) e parte para as ruas como um ‘vigilante’ contra o crime, codinome: Kick-Ass.

A proximidade com a realidade é vista nos momentos em que temos Dave encarnando Kick-Ass, já na sua primeira tentativa ele apanha e falha muito feiamente. Sem desistir, um dia ele acaba ajudando (e levando muita porrada também) um sujeito que está apanhando de três brutamontes. Ele é filmado, vai parar no Youtube e instantaneamente se torna um grande hit na web e herói nas ruas. O problema é que ele chama a atenção de um chefão da máfia que quer trucidá-lo a qualquer custo.

Dave/Kick-Ass é o personagem título da história, entretanto, quem rouba a cena e destrói de verdade (e acaba sendo a principal personagem) é a jovem e destemida “Hit-Girl”, interpretada de forma impressionante pela jovem Chloe Moretz. Não que o Kick-Ass seja menor ou descartável, a genialidade dele ser um completo ‘sem-noção’ em contraponto ao trabalho “profissional” de Hit-Girl e seu pai, o Big Daddy (Nicolas Cage, Vício Frenético) como verdadeiros heróis é que dá a liga nessa história de premissa ridícula mas extremamente competente em nível de entretenimento.

Mesmo que o início pareça ser um pouco ‘lento’ para os mais afoitos por ação e violência, a trama funciona do início ao fim e grande parte disso devido ao trabalho de todo o elenco, que merece sim um destaque a parte. Nicolas Cage depois de trabalhos estapafúrdios está hilário (aquela sua risadinha é demais) e bastante inspirado. Aaron Johson é o exemplo fiel de qualquer jovem comum que se sente invisível perante ao mundo, ele consegue ser tão ‘sem graça’ e ‘inocente’ que as vezes eu me via na tela (não riam por favor).

Chloe Moretz é um caso a parte, não lembro de uma criança/pré-adolescente ter vivido um papel tão absurdo, violento e insano (até alma), de forma tão sensacional. Ainda temos Christopher Mintz-Plasse (o grande McLovin de Superbad) muito bem e Mark Strong (Sherlock Holmes) destruindo com mais um vilão (sua especialidade). Menções honrosas também devem ser deixadas para os atores que interpretaram os amigos nerds de Dave, verdadeiros bablos.

Claro que, apesar da minha classificação, o filme não é perfeito. Tem lá um ou outro clichê e seus pequenos defeitos, eles estão lá para os chatos de plantão ou ‘críticos renomados e profissionais’ encontrarem. Tem gente que se queixou até de insinuações de pedofilia e de toda a violência explícita (que na verdade está muito mais para cômica e absurda em minha opinião). Porra, Man! Como alguém pode ir no cinema e ver uma cena como aquela em que “Hit-Girl” fuzila diversos bandidos numa visão de “game de tiro em primeira pessoa (FPS)” e não achar isso sensacional?

A mescla de violência, humor afinado e antenado, ótimo trabalho dos atores e, não poderia deixar de comentar, uma excelente trilha sonora, resulta num trabalho que merece ser aproximado e receber a classificação máxima aqui do blog. A ‘culpa’ disto é que ele conversa diretamente com um público específico (mesmo tendo forças para agradar platéias distintas) no qual me sinto inserido. Recomendo fortemente, mesmo que você não ache o máximo dificilmente sairá entediado da sala.

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