Agora que as ideias já foram melhor assimiladas em minha mente, posso comentar sobre tudo o que penso a respeito de Lost. De seu início arrebatador até o desfecho (que desagradou alguns) muita coisa aconteceu, muitos mistérios nunca foram resolvidos, mas a experiência de ter vivido Lost foi algo realmente único.

Aviso de SPOILERS: Se não quer saber nada a respeito dos acontecimentos de toda a série pare por aqui.


Lost, muito mais que um simples seriado

É importante salientar antes de tudo que o que vou escrever aqui (não vão ser poucas palavras portanto, você que gosta de ler “figuras”, se prepare ou vai pro Kibeloco) é baseado em tudo o que EU penso sobre este fantástico (em minha opinião) seriado. Posso estar errado, aliás, talvez nem exista essa coisa de certo ou errado.

Em minha ‘coleção’ de séries que já vi e ainda estou vendo, existem algumas que tenho até mais carinho e apreço que Lost. Se eu tivesse que escolher a minha série favorita até aqui eu diria ser Battlestar Galactica, entretanto, Lost foi um evento tão grandioso que realmente fica difícil comparar com outros seriados pelo simples fato de, ao menos em minha opinião, ser muito mais que isso.

O que é a Ilha? Ela é real?

Eu sei que é uma questão boba, mas acreditem, tem gente que ficou confuso com tudo o que aconteceu no desfecho da série depois de descobrirem que estão todos mortos. A verdade é que se trata de um fato simples e que pode ser explicado somente pelas palavras do Pai de Jack (no mesmo instante que ele diz que estão todos mortos): “Tudo que aconteceu com você foi real”.

Alguns morreram antes, outros depois de Jack (como vimos na cena final em que ele fecha os olhos), mas tudo aquilo existiu e a tal realidade paralela era na verdade esta espécie de “lugar/tempo/espaço” onde eles tinham uma vida que julgavam como perfeita, mas que precisavam relembrar uns dos outros para poderem seguir em frente, mesmo sem saberem a princípio disto. Daí a importância de Desmond.

As imagens dos destroços do avião da Oceanic mostradas no episódio não foi nenhum indício de que todos estivessem mortos desde o início da série, mas sim uma homenagem e um momento de lembrança (e isso foi confirmado pelos produtores). Quem acreditou nisso tem razões para se matar para ficar chateado, só que é totalmente incoerente este pensamento.

Iniciativa Dharma, os Outros e as Experiências: Tiveram alguma importância para história?

Partindo do que de verdade foi “A Ilha” de Lost, claro que fica a questão de todas aquelas experiências feitas pela Iniciativa Dharma, as vertentes do mundo da  física e estudos antropológicos, e isso vai de ursos polares às viagens no tempo. Para muitos o desfecho acabou “jogando fora” tudo o que foi apresentado durante o “meio” da série.

Vale a reflexão sobre alguns acontecimentos em nosso mundo real que colaboraram com este fato. Atores exigiram muito dinheiro para participarem da temporada final, outros pediram pra sair no início da temporada como o ator que fazia Michael, o pai de Waaaaaaallllt, para poder fazer uma outra série. Quando ele retornou a história já havia avançado demais.

Sem contar que o próprio canal pediu para estender a série para poderem lucrar mais é óbvio. E se estava fazendo sucesso tudo aquilo, gerando discussões, jogos, sites, poadcasts mundo afora e atiçando a curiosidade das pessoas porque não continuar alimentando?

Pode parecer estranho para alguns, mas as séries televisivas são feitas para darem retorno (dinheiro mesmo amigo) e não apenas para agradar quem está assistindo. É cruel, mas é verdade.

Eu particularmente achei que serviu aos dois propósitos. Qual série me fez ficar vasculhando tanto tempo na web atrás de respostas, ficar discutindo sobre teorias loucas e até escrever diversos posts (como este) aqui no blog? Se você acha que um final que não tenha sido aquilo que você imaginou na sua cabeça (e nada que alguém tenha lhe prometido) pode destruir 6 anos de um entretenimento único, então amigo, você é uma pessoa difícil de agradar, e só quem tem a perder é você mesmo.

Talvez todas estas coisas não tenham tido tanta importância para o final da história se você foi uma destas pessoas que queriam de qualquer jeito explicações plausíveis e pautadas na ciência.

Lost sempre foi esta mistura de crenças e ‘verdades‘, pense na série como o personagem de Jack Sheppard, um homem de ciência e de fé, um personagem que nunca acreditou em sorte ou destino, muito menos tinha um lado espiritual forte. Ele foi crescendo ao passar das temporadas e deixando de se apegar tanto a racionalidade e aceitando – o mais importante no final das contas foi aceitar – que nem tudo pode ser explicado e muitas vezes precisamos apenas ter a certeza em algo ‘inexplicável’ (fé para os leigos) que tudo vai dar certo.

As lacunas abertas

A frase dita pela mulher que criou Jacob e o homem de preto (depois de gentilmente assassinar a mãe verdadeira deles e pegar os filhos para si) teve um certo tom jocoso com os fãs ávidos por respostas dos milhares de mistérios criados no decorrer das temporadas.

“Toda pergunta que você me fizer levará a outra pergunta”.

Mas a frase acima pode não servir como desculpas para deixar tanta gente na mão, pelo menos algumas pessoas que se sentiram traídas ou feita de trouxas por esperarem por respostas que nunca surgiram.

Para mim existem alguns fatos que devem ser levados em consideração, além de ficar discutindo sobre a afirmação da frase acima. O mistério foi o elemento mais importante de toda a série, foi ele que fez milhares de pessoas ficarem antenadas com tudo o que aparecia sobre Lost ao redor do mundo, sejam livros publicados, games, sites, fóruns de fãs, comunidades, etc. E terminar a série com muitos mistérios em aberto faz com que Lost continue, mesmo depois do seu fim, sendo o que sempre foi.

Outro ponto que gostaria de comentar é o fato de que algumas respostas dadas nesta temporada foram deprimentes e sem graça alguma. Quando as respostas eram dadas diretamente, tipo quando o homem de preto assumiu ter sido o responsável por aparecer como o pai de Jack e ter levado ele a fonte de água ainda na primeira temporada, ou ainda a explicação para os tais sussurros, foram momentos totalmente ‘anticlímax‘.

Em contrapartida ainda temos a questão de quando as respostas são dadas de forma mais sutil ou indiretamente, tem gente que não entende, acha complicado demais e começam até a fazer ligações que não existem, o que levam elas a odiarem tudo, a exemplo de pessoas que acreditaram que todos estavam mortos desde o primeiro acidente de avião, fato este que já havia sido desmentido no início da série pelos criadores/produtores e precisou ser desmentido novamente.

Entre ter mistérios em aberto a ter respostas deprimentes dadas de mão beijada, eu prefiro ficar com o  inexplicável.

O desfecho deixou a desejar?

Grande parte das pessoas que estão até hoje a reclamar da forma como tudo terminou era do grupo dos que esperavam explicações plausíveis e baseadas na ciência. Eu até concordo que o último episódio poderia ser um pouco mais ‘surpreendente‘, entretanto, foi um desfecho bom para uma série que foi excelente na maior parte destes 6 anos de jornada.

Só que o maior problema de não terem conseguido agradar todos os fãs (nem vem com aquele papinho de “nem Jesus agradou a todos”) é que como a série sempre foi muito “aberta” a diversos tipos de elucubrações e devaneios das pessoas ao redor do globo, muitos não entendem que a maior parte de seus desejos e anseios foi apenas algo que ele próprio criou em sua mente.

Pensem comigo, se você fizesse uma viagem para um lugar que lhe disseram mil maravilhas e, durante o percurso, você adorou as paisagens, os lugares por onde passou e teve ótimos momentos de diversão. No final dele você chega a um lugar que não é lá tudo aquilo que pensava ser (como você tinha criado em sua mente). Se você acha  que toda a viagem foi uma perda de tempo e não serviu de nada por isto, você realmente não tem como gostar de Lost.

Resumindo, foi um desfecho “ok” para uma série que apesar de seus altos e baixos, no geral, foi muito boa e se tornou sem dúvidas um grande acontecimento, uma experiência de entretenimento jamais vista.

Como seguir adiante?

Assim como os personagens da série, por mais impossível que pareça ser, temos que seguir adiante. Encontrar outra série a altura de Lost que envolva tanto como ela não vai ser uma tarefa simples e acredito até que demorará muito para alguma outra atração suprir esta falta que ela irá fazer.

Acredito ainda que não termina por aqui, Lost se perpetuará em futuros extras em DVDs e Blu-Rays que serão lançados e até aqui no blog terá ainda alguma vida a frente.

Estou voltando a programação normal com a mistura de Cinema, Séries e TV, mas ainda tenho algumas coisas a publicar futuramente sobre Lost, aguardem (ou não).

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Marcio Melo

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Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.