As Melhores Coisas do Mundo (Drama, 2010 – 107 min)

Direção de Laís Bodanzky com roteiro por Luís Bolognesi. Estrelando: Francisco Miguez, Gabriela Rocha, Denise Fraga, Paulo Vilhena, Caio Blat, José Carlos Machado, Gustavo Machado, Fiuk.

Saindo totalmente do esqueminha manjado e altamente saturado do nosso cinema nacional, que costuma se resumir a “favela x problemas sociais”, o terceiro filme da cineasta responsável pelo sensacional “O Bicho de 7 CabeçasLaís Bodanzky é mais um daqueles maravilhosos alentos para o cinema brasileiro. “As Melhores Coisas do Mundo” é simplesmente o retrato mais fiel e impressionante dos adolescentes atuais que já vi até aqui.

A trama segue a história de Mano (Francisco Miguez) que no alto de seus 15 anos sofre com os problemas comuns da sua idade; virgindade, amigos, namoradas, paixões ‘platônicas’, etc. No meio desse turbilhão ele ainda tem que enfrentar uma separação de seus pais (José Carlos Machado e Denise Fraga), para isso ele conta com sua melhor amiga Carol (Gabriela Rocha) e até o seu professor de violão, que está mais para psicológo, interpretado por Paulo Vilhena.

E ao colocar excelentes atores como Caio Blat e Denise Fraga para atuarem como coadjuvantes de desconhecidos jovens atores, sem contar ainda com o grande número de alunos de verdade (que inclusive ajudaram a “montar” o roteiro e os diálogos) o resultado foi uma ótima sintonia entre eles, que culminou num trabalho bastante inspirado por parte do elenco. Ainda que tenha Fiuk fazendo o mesmo biquinho raivoso que faz em Malhação Id, os jovens Francisco Miguez e Gabriela Rocha tomam conta do filme.

A narrativa é bastante ágil e tem momentos muito divertidos e, ainda que a linguagem possa incomodar um pouco os mais velhos e ranzinzas, não tem como negar que é sim um trabalho primoroso este retrado desta juventude que para muitas pessoas é perdida.

Eu consequentemente fiquei comparando a minha adolescência com esta apresentada em “As Melhores Coisas do Mundo”. A conclusão que cheguei é que, ainda que seja diferente e muito mais ansiosa e eufórica, a essência de ser adolescente não muda. Os problemas são os mesmos, apenas os meios de transmissão e comunicação mudaram e se tornaram muito mais rápidos.

Mais do que apenas um belo drama que tem que servir de exemplo para o cinema nacional, aqui temos uma obra que responde alguns questionamentos e apresenta da forma mais fiel possível o que se passa na vida e na cabeça destes nossos jovens. A trama tem lá suas situações manjadas e uma coisinha ou outra forçada, só que nada disso é capaz de manchar este ótimo trabalho. Recomendado principalmente para aqueles que já perderam a fé nos filmes brasileiros.

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