A Estrada (The Road, Drama, Ficção Científica: 2009/2010 – 111 min)

Dirigido por John Hillcoat com roteiro de Joe Penhall adaptando livro de Cormac McCarthy. Estrelando: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce, Michael K. Williams, Garret Dillahunt.

De onde será que vem todo este (meu) fascínio por filmes apocalípticos? Ainda não consegui chegar a um consenso comigo mesmo se toda essa grande leva de lançamentos de produções deste gênero tem como pano de fundo um alerta para a humanidade ou se é simplesmente uma forma de constatar e colocar em prova o que é ética social e também o quanto, bem lá no fundo, somos apenas seres primitivos. Devido a todo este contexto, coloquei esta obra entre uma das mais esperadas deste ano, e a minha felicidade foi ver que (pelo menos para mim) correspondeu bastante às expectativas.

Adaptado de livro homônimo de Cormac McCarthy (autor de Onde os Fracos Não Tem Vez), “A Estrada (The Road)” segue a história de um pai (Viggo Mortensen, o famoso Aragorn do Senhor dos Anéis) e um filho (Kodi Smit-McPhee, que vai aparecer futuramente no remake americano do sueco “Deixa Ela Entrar”) sobrevivendo, no sentido mais primitivo que esta palavra possa ter, num mundo cinza, opaco, frio e praticamente sem vida.

Imagine ‘viver’ em um planeta totalmente devastado, os animais e grande parte dos seres humanos morreram, as últimas árvores estão caindo e, para completar o desespero, vive-se numa época de verdadeira barbárie. Como um pai pode ao mesmo tempo sobreviver, proteger o filho e o mais importante, lhe ensinar a manter uma “chama acesa” dentro dele para continuar vivendo numa realidade de pura desesperança?

Claro que tenho em mente que, para quem leu o livro antes, a impressão de que muita coisa ficou faltando deve ter prejudicado um pouco. Não sei se por sorte de não conhecer a história eu tenha acabado gostando muito de “A Estrada”. Pretendo correr atrás do livro assim que terminar minhas atuais leituras.

A conjunção de um belo trabalho na direção por John Hilcoat (já até adicionei um filme seu anterior em minha lista) com um história deveras impressionante e ainda um trabalho muito bom tanto de Viggo Mortensen como do pequeno Kodi Smit-McPhee, que demonstram aqui bastante carisma e química, acabou resultando em um filme que eu realmente achei muito bom.

Num inquietante clima de aflição e desolação, pai e filho, caminham como nômades a um destino desconhecido e tentam apenas sobreviver a todo momento. Em um mundo tão selvagem e sem perspectivas, como manter o pouco de dignidade ou humanidade dentro de cada um? O que é certo, o que é errado? Quem são os mocinhos, quem são os bandidos? É um filme feito em pequenas nuances, pena quem nem todo mundo seja paciente e capaz de enxergar estes detalhes e, com isso, tende a achar apenas mais um filme catástrofe chato e arrastado.

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