Falar de produções depois delas serem premiadas é um processo um pouco complicado. Ou você fica procurando saber o motivo de tanto alvoroço em cima da obra, ou então você pode ficar deslumbrado por algo que, se visto antes, talvez não lhe causasse tanto impacto.

Depois de tantas indicações e de Sandra Bullock (A Proposta) ter levado o Oscar de melhor atriz – e também o Globo de Ouro e outros dois prêmios na mesma categoria – posso dizer que, “Um Sonho Possível (The Blind Side)”, nada mais é que um filme “água com açúcar” que tem o seu sucesso ancorado e justificado pela impressionante história de vida do jogador de futebol Michael Oher.

A trama é baseada na história de vida de Michael, interpretado muito bem por Quinton Aaron, um jovem sem boas perspectivas de vida. Além de negro, pobre e muito grande (daí surge o apelido de Big Mike) ele segue como um sujeito alheio a tudo em sua volta. Sua vida muda de rumo quando ele é ‘adotado’ por Leigh Anne (Sandra Bullock), que é uma mulher rica, esposa de um bem sucedido empresário e com dois filhos. É ela que faz todos em volta mudarem o comportamento com ele (entra aí no ‘bolo’ seus professores) e ainda faz aflorar o talento para o futebol americano.

A atitude de Leigh Anne em trazer este garoto para dentro de sua casa, para fazer parte de sua família e mudar a vida dele e de todos em sua volta é realmente incrível. Você pensar que alguém com a vida totalmente confortável possa fazer isso é algo que serve no mínimo como exemplo. Só que uma coisa é a história, outra é o filme e, como obra cinematográfica, não vi nada fora do comum ou excepcional em “Um Sonho Possível”, tampouco na atuação de Sandra Bullock.

Não sei se a falta de identificação com o esporte praticado por Michael Oher ou tudo aquilo que disse no início a respeito das premiações (e também o sucesso que fez ano passado quando foi lançado lá nos EUA) tenha algo a ver com o fato de que, para mim, seja apenas um bom filme, com uma linda história e só. Nada de intenso ou preocupante (tirando uns poucos minutos de problema que surge em determinada parte do longa) acontece, nem mesmo emocionado eu fiquei.

Apesar de não ter nada contra Sandra Bullock, dar o Oscar de melhor atriz a ela foi outra coisa exagerada. Das suas poucas concorrentes que vi, ela está no máximo próxima dos outros trabalhos. Atuar corretamente e de maneira convincente pode ser mesmo indício para se ganhar um Oscar?

Temos então um bom filme, com uma lindíssima história e boas atuações das quais eu destaco pasmem, a do jovem Jae Haed, que rouba sempre a cena interpretando o filho de Leigh Anne. Agora, se você não suporta filmes “água com açúcar”, não recomendo de forma alguma “Um Sonho Possível”. Acredite em mim, não se trata de nada imperdível.

Um Sonho Possível (The Blind Side, Drama: 2009 – 128 min)

Direção e roteiro por John Lee Hancock. Estrelando: Sandra Bullock, Tim McGraw, Kathy Bates, Quinton Aaron e Jae Haed.

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