Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos)

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Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009 – 128 min)

Direção: Pedro Almodóvar.
Roteiro: Pedro Almodóvar.
Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano, Lola Dueñas.
Gênero: Drama.

Sinopse: O longa é uma “história de amor louco” que engloba vários estilos cinematográficos, centrando-se no cine negro dos anos 50. A história se passa em dois tempos distintos, na década de 90 e na atualidade, segundo explicou o diretor.

Confesso que sempre fico receoso ao comentar sobre filmes de diretores consagrados como Pedro Almodóvar, sempre fico achando que tem algo escondido em seus filmes que nem todos conseguem captar. Em “Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos)” mais uma vez vemos as ‘marcas registradas’ do cineasta estampadas, e de quebra, mais uma vez com a estonteante (não teria adjetivo melhor) Penélope Cruz. E é uma obra realmente muito inspirada e que me fez sair extramamente contente do cinema.

A trama se passa em dois tempos distintos e trata-se de uma obra que fala dentre outras coisas sobre o cinema. Conhecemos o cineasta Mateo Blanco (Lluís Homar) e também a história de Lena (Penélope Cruz). Entre idas e vindas no tempo, vemos Mateo nos dias atuais cego e nada sobre a presença de Lena. Aos poucos a história vai sendo montada e apresentada até descobrirmos o que realmente aconteceu.

Penélope Cruz e Lluis Homar

Penélope Cruz e Lluis Homar

Mesmo para quem conhece poucos filmes de Almodóvar fica fácil perceber que estão lá as cores vibrantes que saltam aos olhos (principalmente o vermelho), o jeito diferenciado de focar algumas cenas, a presença forte do feminino e toda a discussão decorrente em torno de temas como sexo, homossexualismo e traição.

Para quem gosta de bons dramas e principalmente dos filmes de Almodóvar “Abraços Partidos” é um deleite. Uma obra acertada e que consegue convencer até o menos ligados em quesitos técnicos ou metáforas escondidas. E a forma como a história é apresentada é realmente genial, consegue prender sua atenção e guardar os grandes momentos para a hora certa.

Penélope mais uma vez exalando sensualidade

Penélope mais uma vez exalando sensualidade

Com tantos acertos, seja na direção, no roteiro e também no trabalho de todo o elenco (com destaque para Penélope Cruz), o resultado não poderia ser outro além de um ótimo filme e que realmente vale a pena. Mesmo não conhecendo toda a obra deste grande cineasta, posso afirmar que este foi um dos melhores filmes seus que já assisti.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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9 Comments

  1. Almodóvar é craque! Um dos meus diretores favoritos.

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  2. Como vc disse, esse filme agrada até a quem não se liga muito em questões técnicas, como é o meu caso. Dá pra perceber a condução q Almodóvar dá em algumas cenas que são maravilhosas.

    A única coisa q não gostei foi uma revelação perto do final do filme que poderia ficar subentendido, não precisava ter falado com todas as letras. Ficou parecendo novela global, mas tirando isso, o filme é mt bom. Mas ainda prefiro “Fale com Ela”.

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  3. Sinceramente? Este não é nem de longe um dos melhores filmes do Almodóvar… não chega a ser um Labirinto de Paixões ou Que Fiz Eu Para Merecer Isso?, mas também não chega aos pés de Carne Trêmula, Tudo Sobre Minha Mãe ou Fale com Ela. Até A Flor do Meu Segredo e Volver são umas 1000 vezes mais legais… infelizmente, acho que ele está meio devagar-quase-parando nestes últimos filmes. Vi todos os filmes dele até hoje, e este é um dos fracos. Não acho que vá ser muito lembrado daqui a alguns anos.

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  4. Bom Renato, eu não vi ainda Fale com Ela, Tudo Sobre Minha Mãe e Carne Trêmula de Almodóvar, por isso que eu disse que dos que eu assisti foi o que mais gostei.

    Como você conhece toda a obra dele concerteza tem uma visão melhor que a minha. Ainda sim gostei bastante do filme.

    Grande abraço e valeu pelo comentário!

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  5. PESSIMO….PREVISIVEL….Ja dava pra ver de cara o que ia acontecer…nada de novo…ZERO inovacao….uma repeticao cansativa de quem ja acompanha os filmes do Almodovar….
    Arestas no roteiro nao faltaram….Enfim uma grande decepcao….
    A tempo: Concordo quePenelope esta como sempre ESTONTEANTE (eh o que salva o filme)

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  6. Se a edição que junta os takes do filme poder ser concebida como uma conjunção de abraços, de fato, eles estão todos partidos. Em 2 horas de filme, Almodóvar consegue ser lento, arrastado, repetitivo e brega, cansando o espectador. Um filme ruim, depois do morno “Volver” e do fraco “Má Educação”.

    Além de momentos gratuitos e descartáveis, pretenciosos e fúteis, o filme morre na metade como que sinalizando a incerteza e cegueira do próprio diretor diante da obra. Num dado momento, o personagem principal que é um diretor de cinema afirma “é preciso levar um filme até o fim, mesmo que às cegas”, resume a condição de Almodóvar na voz de seu alter-ego na tela.

    A personagem que trai o diretor na trama, chora demais e é mal resolvida na história; o filho desta personagem atua pesssimamente com frases do tipo “legal, ele é meu pai” depois de saber quem era seu pai após anos de mistério. Um filme morno, sem emoção, uma novela repetitiva, requentada, comida velha, evocando personagens e casting antigos para marcar a grife. E o que é a caricatura gay do personagem coadjuvante à Penélope Cruz? Péssimo. Kitsch apologético à causa gay que é demodé e descartável. Almodóvar, cada vez mais over.

    Se era para ser um filme B, ele foi genial. Se era para ser sério, Almodóvar já era. Deveria voltar a fazer filmes pornôs, de onde acho que nunca conseguiu sair. Quem virá em sua dianteira para reinventar o cinema espanhol? Amenábar?

    Esteticamente bonito, porém repetitivo e requentando “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” dentro do novo filme, o filme dá nos nervos de tanta novela despropositada e é, claramente, Almodóvar às escuras, um de seus mais fracos filmes.

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  7. Não vi o filme, mas conheço a obra de Almodóvar e sei que, mesmo quando ela cai em qualidade (caso de “Má educação”, a meu ver), não cai em interesse. “Volver” já trazia Penélope Cruz em estado de graça e agora quero ver “Abraços partidos” porque parece que neste Almodóver tornou-a um ícone total. Almodóvar sempre sabe o que está fazendo e recomendo aos leitores que leiam o excelente livro da Zahar, “Conversas com Almodóvar”, em que ele é entrevistado por Frederic Strauss.

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  8. Francisco, eu recomendo o filme, gostei bastante e sei que algumas pessoas que comentaram aqui disseram que detestaram.

    Mas acho que vale mesmo apena você assistir

    Abraço

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Trackbacks/Pingbacks

  1. Marcio via Rec6 - Crítica: Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos) - Mais um grande filme de Almodóvar ... Para quem gosta de bons…

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