Os Desafinados

Direção: Walter Lima Jr.
Roteiro: Walter Lima Jr., Elena Soarez, Suzana Macedo.
Elenco: Rodrigo Santoro, Cláudia Abreu, Selton Mello, Ângelo Paes Leme, Alessandra Negrini, Jair Oliveira, Ângelo Paes Leme, André Moraes, Michel Bercovitch, Vanessa Gerbelli
Ano: 2006/2008.
Gênero: Drama.
Tempo: 128 min.

Sinopse: Nos agitados anos de 1960, em meio ao conturbado processo político do Brasil, cinco amigos músicos formam uma banda chamada ”Os Desafinados” e vão para Nova York, com o sonho de tocar no Carnegie Hall. Lá, conhecem a filha de um brasileiro com uma americana, que se junta ao grupo. Começa a crescer aí o movimento Bossa Nova.

Me afeiçoei ao filme “Os Desafinados” de Walter Lima Jr ao ver o trailer. Com um elenco muito bom e ainda falando de Bossa Nova me interessei e tratei de ir conferir nos cinemas. Saí um pouco decepcionado pois o filme tem mais erros e chatisses do que acertos e grandes momentos. O fato é que Selton Mello é sensacional, as musicas no filme são muito boas, mas o restante acabou jogando tudo pra baixo.

O filme fala um pouco sobre a história da bossa nova nos apresentando a uma banda fictícia (Os Desafinados) formada por Joaquim (Rodrigo Santoro), Davi (Ângelo Paes Leme), Geraldo (Jair Oliveira) e PC (André Moraes). Eles estão lutando para fazer sucesso. Com a companhia de seu grande amigo e cineasta Dico (Selton Mello), eles decidem viajar por conta própria a Nova York. Lá Joaquim conhece Glória (Cláudia Abreu), por quem ele se apaixona loucamente, e lá eles se instalam.

Os momentos mais divertidos e geniais sem dúvida são os que Selton Mello participa. Rodrigo Santoro e até ‘Jairizinho‘ têm um ótimo destaque. Claudia Abreu também está muito bem, apesar de na hora das canções ela ser dublada, o que não chega a ser nada demais. Ruim mesmo são os pontos do filme em que vemos os personagens mais velhos. Existe um vai e vem de passado e presente que quando você vê o Dico “idoso” interpretado por um ator e dublado por Selton Mello, porra man, é triste.

Não consegui levar a sério quase nenhum momento em que eles “idosos” surgiam. Fora que o filme começa a se enrolar com diversas subtramas, em que uma ou no máximo duas são interessantes, e se perde totalmente. Outra coisa que estou de saco cheio é de filmes nacionais que abordam ditadura, golpe militar, censura, e coisas afins. Sério, já estou sem paciência.

É percebido ainda o esforço de Walter Lima Jr para que o filme seja bem entendido por qualquer um. Digo isso porquê em alguns momentos ele parece tratar a gente como idiota. Isso é visto facilmente quando temos as cenas no “futuro“, com eles idosos e uma sequência em que os ‘velhinhos‘ iam se apresentando como se estivessem numa chamada em sala de aula: “Oi eu sou o Dico, aquele que era Selton Mello antes, continuo com a mesma voz“. Não precisava, bastava mostrar umas sequências e deixar a gente curtir um pouco aquele lance de tentar vislumbrar quem é quem. Bom, paciência tambén né?

O filme tem seus momentos bons e canções maravilhosas. Algumas sequências no meio do filme são muito boas. Mas a todo momento ia sendo ‘cutucado mentalmente‘ e na cena final do filme, quando um ator retorna interpretando um novo personagem e ainda me senta no piano pra tocar. Eu soltei um PORRA, MAN bem alto na sala. Eu já estava nesse momento cansado e torcendo para que ele acabasse logo antes que jogasse tudo por água abaixo, mas o final foi implacável.

Se tínhamos um filme com um tema bom e uma trama que tinha bastante potencial, recheado de bons e ótimos atores de início, no desfecho do filme tudo vai se desarranjando e no final até que faz juz ao nome da banda. Acredito que a Bossa Nova merecesse um filme menos desafinado para homenagear os seus 50 anos. Se for conferir nos cinemas, faça por sua conta e risco.

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