Era Uma Vez

Direção: Breno Silveira.
Roteiro: Patricia Andrade.
Elenco: Thiago Martins, Vitória Frate, Rocco Pitanga, Cyria Coentro, Paulo César Grande, Luana Schneider, Felipe Adler, Fernando Brito, Rodrigo Costa.
Ano: 2008.
Gênero: Romance, Drama.
Tempo: 110 min.

Sinopse: Um jovem morador da favela e a filha única de uma família rica se apaixonam, gerando preconceitos e críticas nos ambientes em que vivem.

Por culpa do trailer e de todos que chamavam de Romeu e Julieta “Brasileiro”, fiquei correndo léguas de Era Uma Vez. Romance e favela carioca, que chatisse fiquei pensando. Fui ao cinema conferir o filme meio que arrastado para falar a verdade, e ainda por cima numa sessão promocional por incríveis R$ 2,00. Ainda sim lá estava eu na poltrona reclamando. Bastou começar o filme para eu me surpreender, ainda bem. Era Uma Vez é um belo filme, do mesmo diretor do ótimo – surpreendentemente ótimo eu diria – 2 Filhos de Francisco, Breno Silveira, sócio e diretor da Conspiração Filmes.

A trama narra a história de Dé (Thiago Martins) morador da favela do Cantagalo, Zona Sul do Rio, e que trabalha numa barraquinha na praia de Ipanema. Desde cedo ele enfrenta as dificuldades para se conseguir vencer na vida, vivendo naquele local, tentando ser uma pessoa honesta, mesmo tendo visto um traficante matar seu irmão quando criança. Seu outro irmão está preso injustamente. Apesar de tantos contratempos Dé se mantém uma pessoa digna e trabalhadora.

É de traz do balcão onde vende côco e cachorro-quente que ele observa num luxuoso prédio Nina (Vitória Frate). Nina é filha única de uma família rica. Os dois se conhecem na praia, com uma boa sequência de “Dé” tentanto chegar em Nina que rende algumas risadas, e acabam se apaixonando. Claro que logo que as pessoas vão descobrindo o amor dos dois e todo o abismo social que os separa, começam a vir as críticas e preconceitos.

A história vai seguindo muito bem, dosando algumas boas cenas de humor com algumas de romance e facilmente vai prendendo a atenção e cativando quem está assistindo. O elenco trabalha muito bem, todos estão num bom nível, tirando o pai de Nina interpretado por Paulo César Grande. Ele destoa totalmente, muito exagerado e um pouco fora da realidade eu diria.

Era Uma Vez consegue nos mostrar um romance muito bonito, mas sem cair na mesmice dos milhares de filmes do gênero. As imagens do filme também são muito boas, alias, o Rio de Janeiro é muito interessante, os moradores da favela com uma vista tão linda da praia e localizados num bairro nobre da cidade. Uma das cenas mais interessantes é quando Nina está no “varandão” da casa de Dé, vê seu prédio e diz “É tão perto né?”. Dé responde “Eu acho longe.”, interessante se você parar um pouco pra pensar.

Uma boa curiosidade é mostrada e narrada por Thiago Martins no fim do filme. Ele nasceu na favela do Vidigal e continua morando lá. Tem um projeto de Teatro no morro. Ele batalhou muito para chegar até onde está, onde fez algumas novelas da globo e faz um ótimo trabalho neste filme.

Fiquei muito tempo pensando na nota, fiquei naquela linha entre 3 e 4 controles por causa do final do filme. O diretor Breno Silveira, utilizando alguns elementos da clássica história de Romeu e Julieta acabou acertando em quase tudo, e errando a mão no final. Um desfecho, pelo menos para mim, decepcionante e mirabolante.

Se as pessoas agiam normalmente (dentro do contexto que foram apresentadas no filme), no final parece que é ligado um modo “imbecil” neles. Acho que um final mais normal e óbvio cairia melhor. Apesar disto, o filme não deixa de ser bonito, e com toda a certeza valer o ingresso (o meu então valeu demais). Apesar de eu ter pensando desta forma com o fim do filme, eu vi um ensaio de aplausos e muita gente amando. No final das contas o filme é bom e eu recomendo.

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