Encarnação do Demônio

Direção: José Mojica Marins.
Roteiro: José Mojica Marins e Dennison Ramalho.
Elenco: José Mojica Marins, Jece Valadão, Milhem Cortaz, Adriano Stuart, Débora Muniz, Cléo de Páris, Zé Celso, Nara Sakarê e Rui Rezende.
Ano: 2008.
Gênero: Terror.
Tempo: 98 min.

Sinopse: Após 40 anos preso, Zé do Caixão (José Mojica Marins) é finalmente libertado. Novamente em contato com as ruas, o sádico coveiro está decidido a cumprir a mesma meta que o levou preso: encontrar a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito. Em seu caminho pela cidade de São Paulo, deixa um rastro de horror, enfrentando leis não-naturais e crendices populares.

Zé do Caixão, “vulgoJosé Mojica Marins, sem dúvidas é um grande ícone cultural do nosso país. Ele na verdade é o expoente máximo do gênero do terror nacional. Encarnação do Demônio é o desfecho de sua trilogia inicia nos anos 60 com “À Meia Noite Levarei sua Alma” (1964) e “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver” (1967). Eu conhecia apenas o básico dele, suas aparições em programas na tv, ou em entrevistas, sequer tinha assistido seus primeiros filmes.

Com a chegada de seu mais novo filme nas telonas fui conferir de perto, com o apoio de Ramonaldo que falou que poderia assistí-lo sem ter visto seus antecessores sem problemas. E realmente não chega a ser um problema, os momentos em que “puxam” pelos filmes antecessores é mostrado tudo em “flashback“. Claro que já estou em posse dos DVDs de seus primeiros filmes e irei conferir logo.

Muitos chegam a comparar seu filme, e suas cenas também, com os grandes ‘sucessos‘ atuais, como Jogos Mortais e o Albergue. Com um orçamento pequeno se comparado com os grandes filmes gringos, mas que para ele sem dúvidas foi uma fortuna os quase 2 milhões de reais, ele consegue deixar no chinelo os outros filmes do gênero.

Algumas cenas são muito fortes e bem feitas, e claro que é um grande preconceito meu (ou nosso até), me surpreender quando vejo cenas no mínimo do mesmo nível dos filmes ‘gore/porn‘ que citei acima. Mojica fez cenas fortíssimas e de tirar o chapéu. Ou seria o coro cabeludo? Com certeza muita gente deve ter fechado os olhos em algumas passagens. Além da violência temos muita mulher nua, ‘safadezas‘ e nojeiras também. Um prato cheio para quem gosta do gênero.

Eu confesso que mais me diverti do que fiquei “chocado” com o filme, se é que vocês me entendem. É difícil levar a sério o figuraça Zé do Caixão e toda sua dicção e jeito inconfundível de pronunciar suas frases. Algumas até me lembraram um pouco o grande Yoda, acredito que só eu tenha pensado nisso, aposto! Fora as grandes ‘mensagens‘ soltas pelos demais personagens no filme como “Você está entre o nada e começo de tudo!”, seguido momentos depois por um “É mentííííraaaa!” por Zé Mojica. Sensacional!

Ainda sim, mesmo que tenha gostado muito do filme, acredito que muita gente não vai ter o mesmo pensamento. Na sessão que fui mesmo tinha uma gurizada rindo e odiando, saindo inclusive antes de terminar o filme. Não sei se é um filme pra “todo mundo“, ainda sim posso afirmar que no mínimo vale sua ida ao cinema, nem que seja para, assim como eu, matar aquela curiosidade mórbida de conhecer um filme do grande Zé do Caixão. E lembre-se, uma vez dentro do cinema não adianta chamar por Deus, afinal ele não foi convidado para a festa!

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