Cinema, Aspirinas e Urubus.

Direção: Marcelo Gomes.
Roteiro: Karim Ainouz, Paulo Caldas, Marcelo Gomes.
Elenco: Peter Kenath, João Miguel, Hermila Guedes, Mano Fialho.
Ano: 2005.
Gênero: Drama.
Tempo: 99 min.

Sinopse: A história se passa no sertão nordestino de 1942 e fala de um alemão, que para fugir da Segunda Guerra Mundial, vem trabalhar como vendedor de aspirinas para cidades no interior do Nordeste. Ele conhece Ranulpho, um paraibano que quer ir para outra cidade tentar trabalho. Cinema, aspirinas e urubus é o relato de Ranulpho sobre essa sua viagem.

Cinema, aspirinas e urubus concorreu a diversos prêmios e recebeu várias indicações em diversos festivais, foi apresentado inclusive no festival de Cannes e teve uma tentativa de concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano de 2007, apesar de ter sido lançado por aqui em 2005. Tudo isso me deixou muito curioso para conferí-lo assim que uma oportunidade surgisse, e quando o filme já passou no cinema e não consigo vê-lo a tempo já tá mais que manjado, destino certo a minha lista de filmes à assistir.

O filme se passa no interior nordestino, no sertão “brabo” como poderíamos dizer por aqui, no ano de 1942, onde um alemão, fugindo da segunda guerra mundial em que seu país é o “protagonista“, vai de cidade em cidade vendendo aspirinas. No início do filme ele encontra um fiel companheiro nessa sua jornada, Ranulpho, um nordestino cansado de ser o que é e louco para ir até uma cidade de “verdade” (como o Rio de Janeiro) e arrumar um emprego com carteira assinada.

O filme é bem simples e a jornada é muito bacana. Ele acaba invertendo um pouco as coisas que estamos acostumados a ver, a exemplo de falar mal do nordeste e seus habitantes. Johan (Peter Kenath) está sempre achando tudo maravilhoso, afinal aqui não cai bomba do céu. Já Ranulpho, que é interpretado sensacionalmente pelo ator João Miguel, fala mal demais dos seus conterrâneos. Em um momento o “alemão” ainda pergunta a ele: “Porquê você fala tanto mal assim desse povo, você afinal não é um deles”? Para mim essa é a grande sacada do filme, que foi o primeiro do recifense Marcelo Gomes para os cinemas.

O sistema de venda das aspirinas é bem engenhoso, para a época do filme é claro. Ele para nas cidades e exibe pequenos filmes com um projetor e tela que leva em seu automóvel, o que fascina as pessoas e faz ele vender bastante.

O filme por não ter grandes “reviravoltas” pode parecer um pouco monótono, mas é muito bom e recomendo para quem não tem asco (aprendi esta palavra outro dia hahaha) a filmes que ilustram o nordeste de forma realista. O trabalho das imagens é primoroso e tem vezes que só de olhar o filme parece que você sente aquele calor infernal do sertão nordestino.

Related Posts with Thumbnails