Podia na verdade criar uma lista com os filmes que eu não sei porquê estava a fim de assistir. Criei a Lista de Filmes à Assistir para me apoiar na hora de escolher algum filme para ver, aqueles que já passaram no cinema e perdi a oportunidade. Podecrer nem lembro se chegou a passar aqui nos cinemas de Salvador, se passou foi muito rápido, lembro apenas de ter visto o trailer e de alguma forma ter me interessado. Anotei na lista, pintou a oportunidade de assistir, eu não pensei duas vezes. Pena que foi apenas tempo perdido.

O filme usa todos os possíveis e já imaginados clichês de filmes adolescentes, sexo, drogas, rock, música, gravidez na adolescência, aborto, pressão dos pais, vestibular, escolha de uma carreira, namoro, traição, e todos os “zilhares” de temas disponíveis. Lembra as peças teatrais ou filmes feitos em colégio. Em meu 2º ano do 2º Grau participei de um filme da minha turma sobre clones e o fim do mundo, e sem sacanagem alguma, é muito melhor.

A história do filme eu fiquei sem saber qual era até os 15 minutos finais. Sem brincadeira alguma, o filme ia passando e eu sempre esperando ele “começar” de verdade. Não estava falando nada com nada, nada acontecia de relevante, não se via sequer algum problema sei lá, para ser enfrentado. Eram apenas as belas garotas nacionais, na maioria das vezes lembradas apenas como objetos sexuais, jovens drogados falando merda (literalmente também) e fim de papo. Até uma cena com o Stepan Nercessian que achei que seria cômica foi lamentável, uma em que ele toma “sem querer” um chá de cogumelos preparado pelos jovens protagonistas (pode existir protagonista quando não se encontra um antagonista?).

Um filme triste e muito fraco, nem as belas atrizes valem o esforço para assistí-lo. Em alguns sites ‘globais‘ as resenhas claro foram muito boas, o indicando como um bom filme nostálgico, para relembrar o início dos anos 80 e ainda um filme para os “jovens“. Acho que a única coisa que vale a pena são algumas cenas do Rio dessa década, ver os carros antigos – inclusive lembrei de quando meu pai comprou um Fiat 147 0km – as cenas na praia, não sei bem. Houve um esforço para fazer rir quando os pais da menininha imbecil interpretada por Maria Flor discutem sobre o filme que foram ver nos cinemas, Indiana Jones. Outras coisas são sempre lembradas para você não se esquecer que está nos anos 80, ditadura militar, o grupo de jovens querendo “quebrar as regras”, músicas da época, etc.

O filme só consegue ser melhor do que malhação no quesito atuação. Ao menos alguns atores não atuam tão mal, diríamos no estilo “Igor o Cigano” (quem lembra?), como no seriado global. O problema está um pouco além dos atores, que diga-se de passagem foi um belo elenco para filme. Será que encontrei o real motivo de ter assistido?

Eu não gosto também das pessoas que pegam pesado com filmes nacionais, entretanto, Podecrer exagerou e abusou. O filme não “acontece” e só começa no final. Com um motivo batido, rebatido, trebatido (nem existe essa palavra). E quando eu pensei que ao menos ele iria fugir de um final previsível, elevando a “dois controles” ele me passa a perna, puxa um fumo do capeta, lembra do sistema e da babilônia e me vem com um final tão previsível quanto final de novela. Sem contar que temos Lulu Santos ainda como um Padre numa participação que eu só não vou taxar como inútil, afinal ele atua não sei se nem 40 segundos, porquê foi a única coisa que me fez rir. Um filme idiota, imbecil e lastimável.

 

Podecrer!

Direção: Arthur Fontes.
Roteiro: Marcelo O. Dantas.
Lançamento: 2007.
Elenco: Dudu Azevedo, Maria Flor, Gregorio Duvivier, Silvio Guindane, Marceli Adnet, Fernanda Paes Leme, Liliana Castro, Erika Mader, Julia Gorman, Malu Mader, José de Abreu, Patrycia Travassos, Lulu Santos, Stepan Nercessian.
Gênero: Comédia Romântica, Drama.
Tempo: 96 min.

 

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